terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Almoço OC (09Fev10)

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Notícias de Lagutrop

Vêm-se sucedendo com alarmante frequência os "casos", aparentemente graves, que ao cabo de meses (quando não são anos) acabam por perder a relevância que tinham na ocasião própria. Isto é fruto, evidentemente, de uma teia de interesses que se conjuga - uns porque são directamente visados, outros porque devem os seus aconchegados, bem remunerados e "prestigiados" lugares àqueles. Os que não pertencem a um nem outro grupo são tachados de cavilosos monstros que sempre tentam lançar lama sobre os "impolutos" cidadãos com responsabilidades acrescidas, ou obedecem aos mais obscuros interesses "político-partidários" (este neologismo daria a entender que a política não é feita de partidos). No fim, a montanha acaba sempre por parir um rato. É bom que nos lembremos, porém, de que os ratos, descontrolados, dão origem às mais mortíferas epidemias.

segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Mesmo com Crise!...

Comissão do Mercado de Valores Mobiliários
JANEIRO 2010

A capitalização bolsista da Euronext Lisbon alcançou 183.765,5 milhões de euros em Janeiro de 2010, uma redução de 10% face ao final de 2009 (204.223,5). O segmento accionista, que representava 86,2% desse valor, registou uma queda de 8,1% da capitalização bolsista.

A volatilidade do PSI 20 em Janeiro foi de 15,93%, mais do que em Dezembro (13,95%) mas menos do que um ano antes (21,66%).

Índice PSI-20

Tabela 1 – Valores e Variações

Jan 2010

Dez 2009

Jan 2009

D mensal

D anual

PSI-20 (fecho)

7.927,31

8.463,85

6.438,19

-6,3%

23,1%


Há grande "CASINO". Mesmo em época de crise, com as falências das PME's e o aumento do desemprego em roda livre, houve um aumento de 23,1% da capitalização em bolsa. Não foi certamente a "banca do casino" que ganhou. Onde andarão os ganhos?...

Note-se que o segmento das acções é que tem a parte de leão (86,2%). E, isto num ano de crise profunda e acentuada. É obra. É fartar "vilanagem".

Congelem-se as despesas. Baixem-se os salários e as pensões. Fechem-se as escolas e os hospitais para "obras". Assim, se resolverá a situação. Inverte-se o actual rumo da economia e ela crescerá com aceleração estonteante e de forma prodigiosa.

Como diria o amigo "Pintousa": " a seguir à tempestade vem a bonança". É, a história da Alice no País das Maravilhas. Só que tal país não existe. E, no mundo da realidade a situação é bem diferente e dolorosa. Que o digam os pequenos e médios empresários falidos e endividados à banca e ao fisco, os desempregados em geral e os de longa duração em particular. E, também, porque não os jovens licenciados à procura do primeiro emprego.

Anuário Estatístico de Portugal - 2008

Ano de Edição: 2009


O AEP 2008 disponibiliza os quadros estatísticos em formato EXCEL que incluem séries temporais mais alargadas (1990-2008).


Aquele "link" é útil para quem, de forma sustentada e fundamentada, pretender conhecer o estado do país nos seus variados sectores e vertentes.


Disponibiliza dados de: O território (território e ambiente); as pessoas (população, educação, cultura e desporto, saúde, mercado de trabalho, protecção social e rendimento e condições de vida;a actividade económica (contas nacionais, preços, empresas, comércio internacional, agricultura e florestas, pescas, indústria e energia, construção e habitação, transportes, comunicações, comércio interno, turismo, sector monetário e financeiro, serviços prestados às empresas, ciência e tecnologia e sociedade da informação); o Estado (administração pública, justiça e participação política).


"... A taxa de desemprego em Portugal aproximou-se nos últimos anos da média europeia. Em 2000 representava menos de metade da média da União Europeia EU(27) e da área do euro, em 2005 era superior a 6/7 da taxa de cada uma daquelas entidades e desde 2007 que ultrapassou aquelas taxas, mesmo que em 2008 o diferencial se tenha estreitado...."
("in" AEP 2008 - pág. 19)

"... Rendimento e condições de vida das famílias: A informação disponível aponta para uma ligeira atenuação da desigualdade na distribuição do rendimento, mantendo-se esta relativamente elevada face à média europeia, e apesar de à escala europeia se ter verificado algum retrocesso neste campo, nos últimos anos...."

("in" AEP 2008 - pág. 20)

domingo, 7 de Fevereiro de 2010

Afinal o problema não está nas escutas!

Pelo que me vou ouvindo e lendo nestes últimos dias a questão que tanto preocupa os media portugueses (não estou a falar do combate de boxe no aeroporto entre o seleccionador nacional e um jornalista) já não se está a colocar no ponto de vista das escutas serem ilegais ou não, mas naquilo que a justiça faz do conteúdo dessas escutas.

Se teor dos despachos dos juízes de Aveiro é o que veio a lume, só nos resta concluir que o Procurador Geral da República e o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça ao declararem que não havia nada de indiciador de crime ou acto ilícito, foram muito superficiais e levianos (o que é inadmissível, pois todos nós estamos dependentes em última instância do seu julgamento) , ou pretenderam abafar um caso que era no mínimo muito incómodo para o Governo (o que ainda é mais grave pois levanta o problema da conivência da justiça com a política partidária).

Mas, tendo ainda em conta o teor dos despachos, não se percebe porque razão o primeiro ministro e os seus parceiros de partido e governo continuam a bater nas escutas e não desmentem pura e simplesmente os factos que são referidos no despacho. Não quero conhecer o "parlapié" das escutas, mas quero ter a certeza de que as duas entidades que emitiram o referido despacho se enganaram ou actuaram com dolo (e aqui teria de se ouvir uma palavra do Procurador Geral e do Presidente do Supremo).

Nesta altura do campeonato, sentado no sofá a ver e ouvir o noticiário ou a ler um jornal, o que eu quero ouvir do primeiro ministro e dos seus apaniguados (e penso que tenho o direito de ouvir) é uma argumentação centrada em actos que desmintam inequivocamente as suspeitas (ou os juízes erraram ou actuaram de forma criminosa) e não o contra ataque demagógico sobre a ilegalidade das escutas, a pretensa devassa da vida privada ou do buraco da fechadura.

sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Postal de Goa (XIV)

O ESTADO DE GOA

Goa é um dos 28 Estados da União Indiana e possui os mais elevados indicadores económicos e sociais de todo o país, embora seja o mais pequeno de todos eles com 3.702 Km2 de superfície e com cerca de um milhão e meio de habitantes.
Ao longo de mais de 4 séculos Goa foi o principal território do Estado Português da Índia, que também incluía Damão e Diu. Quando em 1961 esses territórios foram anexados militarmente pela União Indiana, foi constituído o Union Territory of Goa, Daman & Diu, directamente dependente do Governo da Índia.
Nos anos seguintes, surgiram localmente diferentes correntes de opinião que mobilizaram muitas emoções em relação ao futuro do Union Territory, polarizadas em torno de duas alternativas principais: a integração de Goa no Estado de Maharashtra ou a sua transformação num Estado autónomo.
Em Dezembro de 1963 foram realizadas as primeiras eleições para eleger 30 deputados para a Assembleia Legislativa de Goa, Damão e Diu e 2 deputados para o Parlamento Nacional. A participação nessas primeiras eleições goesas foi muito elevada e atingiu 76%, verificando-se que os resultados apurados foram notoriamente influenciados pela dicotomia religiosa e cultural existente em Goa, pois o partido mais identificado com a comunidade hindu e com a integração no Estado de Maharashtra obteve 14 lugares, enquanto o partido mais identificado com a comunidade católica e com a autonomia de Goa obteve 12 assentos.
A discussão continuou por alguns anos e, em 16 de Janeiro de 1967, realizou-se o primeiro referendo até então realizado na Índia independente, perguntando-se aos Goeses se desejavam a sua integração no Estado de Maharashtra, com base nas afinidades culturais comuns, ou se queriam constituir um Estado autónomo e manter-se separados, com base na sua “personalidade única” como o próprio Primeiro Ministro Nehru tinha referido.
A escolha apresentada aos Goeses era entre tornar-se parte de um outro Estado indiano ou tornar-se um Estado federal autónomo ou, como muitas vezes é referido, era uma disputa entre os que queriam dissolver Goa em Maharashtra em nome da ‘Índia’ e os que queriam a autonomia de Goa em nome da ‘Europa’.
O referendo deu a vitória à autonomia de Goa por 55% e, esse dia de grande tensão, ainda hoje é recordado pela incerteza e imprevisibilidade do resultado. Durante 20 anos o território de Goa ainda permaneceu sob administração federal mas no dia 30 de Maio de 1987, depois do concanim ter sido reconhecido como língua nacional e na sequência de alguns tumultos resultantes da impaciência goesa, o território de Goa foi finalmente declarado como o 25º Estado da União Indiana, enquanto Damão e Diu continuaram com o estatuto de Union Territory que ainda hoje conservam.
O estatuto do Estado de Goa, tal como os outros Estados da Índia (actualmente são 28 Estados e 7 Union Territories), assenta numa distribuição de poderes como é habitual nas sociedades democráticas.
A autoridade do poder federal é representada em Goa por um Governador designado pelo Governo da Índia.
O poder legislativo assenta numa Assembleia Legislativa composta por 40 deputados eleitos democraticamente nos 40 círculos eleitorais do território.
O poder executivo está atribuído ao Governo chefiado por um Chief Minister e resulta das maiorias formadas na Assembleia Legislativa.
Actualmente o Chief Minister é Digambar Kamat e o Governo dispõe de 11 Ministros, entre os quais se incluem Atanásio Monserrate, Joaquim Braz Alemão, Francisco Pacheco, Aleixo Sequeira, Filipe Neri Rodrigues, Churchill Alemão e José Philip de Souza.
Apesar de haver ministros, eles não tutelam ministérios, pois estes não existem.
Os ministros dirigem a actividade dos Directorates que estão subordinados à sua tutela.

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Elas aí vão ...


Quando se pensava que o pior já tinha passado, eis que as Bolsas se afundam. E Lisboa está no pelotão da frente ... já lá vão três dias!!! Não haja dúvidas, isto está lindo!

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Ainda o Exemplo, esse pobre abandonado...

... mas ainda há, felizmente, quem procure tirar da penumbra esse valor quase sem cotação na bolsa dos actuais comportamentos nacionais.
Vem isto a propósito das respostas de um Presidente de Câmara a perguntas que lhe foram colocadas pela "Visão" na sua edição de hoje.
Delas transcrevo, com a devida vénia, uns excertos:

"Os funcionários que estão ao nível I da tabela de remuneração (entre 35 e 40) irão receber mais 82 euros por mês, passando a ter um salário de 532 euros, o que representa um aumento de 15%. Por outro lado, reduzimos em 10% os salários dos vereadores e dos nomeados para os gabinetes de apoio. São cerca de oito pessoas, incluindo eu ´próprio.
Baixar o salário dos nomeados é, sobretudo, a conquista de um direito moral - o de podermos dizer "Estamos em crise e precisamos de fazer sacrifícios", porque demos o exemplo primeiro.
O Governo devia fazer o mesmo, mais por uma questão de simbolismo do que de poupança. Se os generais não derem o exemplo, os soldados não os seguem."

ISTO É QUE VAI UMA CRISE!

Espantoso. Isto é Portugal no melhor da sua crise:
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Do Diário Económico de ontem, na página 48, transcrevo , com a devida vénia:
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"... No panorama das ligas europeias, o campeonato nacional aparece em terceiro lugar na lista dos que mais investiram no mercado de inverno. No total, os clubes portugueses gastaram 24 milhões em novos jogadores. Só os italianos (51 milhões) e ingleses (38,7 milhões) abriram mais os cordões à bolsa.
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Isto é que vai uma crise! Os ricos que paguem a crise? Só por gozo!
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Tenham um bom resto de semana de trabalho

quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

TÃO COITADINHOS QUE NÓS SOMOS!

Tenho a certeza que nós, portugueses, gostamos muito de ter pena de nós. Gostamos muito de ser sofredores, digo mesmo, masoquistas! E assim vamos andando, menos mal, podia ser pior, etc. etc.
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Como não tenho grande jeito para expor claramente ideias que me vêm ao espírito e me sinto muito feliz quando aparece alguém, com quem concordo, que as expressa de maneira brilhante, não resisto em, com a devida vénia, reproduzir tal escrito. É o que faço hoje, reproduzindo (com a devida vénia, evidentemente) o editorial de Isabel Stilwell, directora do "Destak", publicado hoje.
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"Contra factos há o optimismo
Há cinco anos vivíamos melhor e éramos mais felizes do que somos hoje. É o que indica o resultado de um estudo europeu, que publicamos aqui ao lado.
Simplesmente, suspeito que se há cinco anos nos tivessem feito a pergunta, daríamos a exacta mesma resposta, e assim sucessivamente até ao nostálgico tempo dos Descobrimentos, que convencionamos ter sido o El Dourado nacional.
Suspeito, sim senhora, que adoramos a postura de “coitadinhos”, de vítimas de governantes, políticos, chefes, sogras, colegas, polícias e o que for. Suspeito que continuamos convencidos de que “alguém”, que não nós mesmos, vai resolver os nossos problemas. Suspeito que nos comparamos sempre com os “melhores da aula”, não para nos esforçarmos para subir no ranking, mas porque temos a secreta esperança de que eles desistam e se juntam a nós, neste meio termo em que, tantas vezes, nos deixamos andar.
Não, não enlouqueci (pelo menos acho que não), e sei perfeitamente que atravessamos uma crise económica profunda. Mas sei que a maioria de nós, apesar disso, vive melhor do que os nossos pais, e muito melhor do que os nossos avós. Os nossos filhos sobrevivem ao parto, vão à escola em lugar de trabalharem numa fábrica, os nossos cuidados de saúde são muito melhores do que eram e, apesar de existirem bolsas de pobreza que sem dúvida nos envergonham, almoçamos e jantamos melhor do que há cem anos, e emigramos em melhores condições, e para ir ao encontro de melhores oportunidades, do que os nossos antepassados próximos. E, apesar das alegadas ameaças de “asfixia”, Portugal é um país livre e democrático. E sim, temos sol. Decididamente, temos que arranjar maneira de dar a volta ao pessimismo, de apreciar o que temos.
Afinal, só vivemos uma vez."
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Reproduzindo o saudoso J. F. Kenedy: "Ask, not what your country can do for you, but what you can do for your country."
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Façam o favor de ser felizes! E vamos ao trabalho, "cambada"! E vamos deixar de ser "coitadinhos"!

Ainda as Escutas Telefónicas (para quem tiver paciência)


terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

Ainda as Escutas Telefónicas (para quem tiver paciência)


Excertos do discurso do Bastonário da Ordem dos Advogados na Abertura Solene do Novo Ano Judicial

“…Uma parte importante da luta politica tem vindo a realizar-se à volta de processos pendentes com o objectivo de obter vantagens partidárias.

Infelizmente, alguns magistrados contribuem para essa situação e chegam a participar abertamente nesse debate sem para tal, obviamente, possuir necessária legitimidade.

Com efeito, alguns desses magistrados não são capazes de manter a distancia e a reserva que deviam ter e participam abertamente no debate político, mesmo quando ele se faz a partir de decisões de outros magistrados em processos pendentes.

Decisões judiciais legítimas já foram mesmo contestadas publicamente por esses magistrados, por razões manifestamente politicas.

Já se chegou ao ponto de o exercício legitimo das competências legais do próprio presidente do Supremo Tribunal de Justiça, ter sido publicamente posto em causa por outros magistrados, unicamente porque as suas decisões não proporcionaram os efeitos políticos que alguns esperavam obter com elas.

E isso depois de se ter tentado condicionar o uso dessas competências através de decisões tomadas em primeira instância por quem não tinha competência legal para as proferir.

E, claro, tudo sempre atirado para a comunicação social com uma abundância de pormenores que já só espanta pela impunidade com que tudo isso acontece.
É neste contexto que se agravou o problema das permanentes e cirúrgicas violações do segredo de justiça em fases processuais em que os arguidos e os seus defensores não podem aceder ao processo. Essas violações vão quase sempre no sentido de incriminar os suspeitos e de conduzir à formulação pública de juízos de culpabilidade sobre pessoas a quem a lei, ingenuamente, manda tratar como inocentes.

… As violações cirúrgicas do segredo de justiça traduzem-se quase sempre em vantagens processuais para a acusação e em prejuízos para a defesa.
Em muitos casos os arguidos já chegam condenados à audiência de julgamento, sendo eles que têm de provar a sua inocência e não a acusação que tem de provar a sua culpabilidade.

A culpa necessária à condenação já fora previamente demonstrada na comunicação social, e de tal maneira, que ao julgador não resta outra alternativa que não condenar os arguidos, senão acaba ele mesmo condenado a preceito por certos órgãos de informação, através da já consagrada fórmula tabelar « policia prende, juiz solta».

Já se generalizou na sociedade portuguesa a convicção de que as violações do segredo de justiça não podem ser punidas porque certos jornalistas e certos jornais que publicam essas violações sabem demais.
…Os tribunais deixaram de inspirar confiança aos cidadãos.
Como se pode compreender que as gravações de conversas telefónicas, ordenadas por um juiz no âmbito de uma investigação criminal, sejam colocadas na Internet, mais concretamente no You Tube, depois de os visados terem sido absolvidos e o processo ter sido arquivado.
Como se pode compreender que essas gravações não tenham sido destruídas quando deixaram de ter relevância como meio de prova ou, pelo menos, com o trânsito em julgado da decisão que absolveu os arguidos escutados?
O segredo de justiça foi transformado numa verdadeira farsa e já tempo de lhe pôr termo – ou à farsa ou ao segredo."

NOTA: Compreende-se, do que aqui deixo, a razão da comunicação social não ter atribuído qualquer relevância a este discurso...

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Viva a República!

Iniciaram-se ontem, 31 de Janeiro, as comemorações do 1º centenário da República. Os discursos de circunstância que nestas ocasiões os políticos costumam fazer deram lugar, desta vez, a discursos de apelo à participação cívica, à esperança, à confiança e à unidade do povo em torno dos ideais da República de que alguns desses políticos invocam.

Sabemos em geral o que foi a 1ª República. o que foram os seus partidos e alguns dos seus políticos e como, numa dezena de anos, conseguiram abastardar os princípios e as esperanças que levaram o povo a apoiar o fim do regime monárquico. Apesar de muitas intenções generosas e positivas da República a maior parte delas morreu na praia e nem testas de ponte conseguiram fixar, principalmente por causa dos políticos e dos partidos. Lembremo-nos que foi contra eles e com um povo farto deles que a ditadura se conseguiu estabelecer.

Participação cívica e unidade pedem-nos Cavaco e Sócrates!

Participação cívica para quê? Com que objectivos? Para sermos ouvidos por quem?

Unidade em torno de quê? Unidade para quê? Com que objectivos? Unidade com quem?

Mas o que nos resta para acreditar, em que acreditar e em quem acreditar?

Temos políticos “profissionais” (não sei porque razão os políticos devam ser profissionais!) que nada mais sabem para além da política que, tal como eles a entendem, se resume a falar para os media, a argumentar demagógica e falaciosamente, a correrem o país fazendo promessas que sabem à partida que não vão cumprir, a acusarem-se mutuamente, a desmentirem num dia o que disseram no dia anterior, a aparecerem constantemente envolvidos em episódios no mínimo obscuros, a influenciarem a justiça, a legislarem em benefício próprio, etc., etc.

Temos partidos que em vez dos interesses do estado e do povo se preocupam exclusivamente dos seus próprios interesses, que vivem do saque do estado, que em vez de se subsidiarem junto dos cidadãos que acreditam neles e os apoiam, o fazem sugando o orçamento de estado, que se tornaram agências de emprego, paradigmas de tudo o que é pouco claro, obscuro e sujo.

Apesar de tudo isto … viva a República!

Contradições... ou talvez não

As notícias valem o que valem, isto é, têm a credibilidade que têm. Mas temos de acreditar em alguma coisa do que lemos, se pretedemos andar minimamente informados, pelo menos em algum fogo que se esconderá atrás do fumo visível.
O Diário de Notícias nao me parece ser um jornal que ganhe a vida à custa de bocas e foi de lá, da 1ª página da edição de hoje, que cito, de memória, o que segue.

Privados facturaram 700 milhões com saúde em 2009.
E logo ao lado: Dezenas de utentes 'dormem' às quintas-feiras à porta do centro de saúde de Lordelo para marcar uma consulta. E no dia seguinte, alguns "vendem" a vez por 5 €.

Em 2010, vai haver um aumento de 3,2% para viagens e carros de ministros.
Isto num país onde se faz um esforço enorme para conter o déficit público, onde se congelam os vencimentos da função pública, onde se penalizam as pensões e onde se prevê uma inflacção de 0,8%.

Palavras para quê? Artistas portugueses...

(Oh Selva, que é feito do exemplo? Só se fôr o teu.)

Pierre Vaneck e "As Ilhas Encantadas"

(Para ampliar, "clicar" nas imagens)

Eu lembro-me bem do filme. Como homenagem ao actor aqui vão algumas imagens (todas repescadas do nosso blogue) de Pierre Vaneck durante as filmagens a bordo da "Sagres", a "Gazela" d'As Ilhas Encantadas. Que descanse em paz.

Jaimery (na imagem da esquerda, ao fundo) e Amália Rodrigues, também estão presentes.

domingo, 31 de Janeiro de 2010

Pierre Vaneck


Faleceu hoje, com 78 anos, Pierre Vaneck, actor de cinema e teatro com uma longa carreira e uma passagem pela Sagres. Lembram-se dele? Um canastrão que quando chegava ao convés nunca sabia para onde olhar. Também, já ninguém se lembra das Ilhas Encantadas...

Uniformes


O uso de uniformes nas Forças Armadas sempre teve as suas bizarrias, umas próprias de cada ramo, outras que se revelam quando se forma uma força conjunta para uma cerimónia, que traz logo a lume uma série de problemas. Isto vem a propósito da cerimónia que hoje ocorreu no Porto, comemorativa do 31 de Janeiro. Aí pudemos ver os desgraçados dos soldados da Força Aérea em camisa à chuva, com um frio de rachar. Porquê? Será por bravata ou por não haver blusões para todos, ou coisa do género? Do mesmo modo verifica-se que os marujos já não usam jersey, como era uso no Inverno, apresentando-se agora, com qualquer tempo, de corpete. Grandes atletas; depois digam que a culpa é do virus da gripe A... E no entanto, actualmente não faltam uniformes para todos os gostos nas F.A., de segurança, protecção civil, bombeiros, etc. De tal maneira que já confundo Marinha com os comandantes/as da Protecção Civil, canarinhos com GNR, a ASAE com o SEF! É uma fúria de uniformização num país que sempre andou mal fardado e os militares gostavam de andar em cabelo. Será que isto tem algum significado especial ou será só uma táctica de afirmação dessas novas capelinhas?

sábado, 30 de Janeiro de 2010

Relações de trabalho e doenças mentais (artigo no jornal Público)

Nos últimos anos de vida profissional vinha sentindo e tentando interpretar algumas mudanças,por vezes muito subtis, que me pareciam não contribuir para o bom ambiente humano e também nã0 favoreciam um melhor desempenho. A entrevista que Christophe Dejours dá ao Público (Caderno P2), embora centrada num fenómeno extremo - o suicídio - é muito esclarecedora. Aconselho a sua leitura através deste link

http://jornal.publico.clix.pt/noticia/30-01-2010/um-suicidio-no-trabalho-e-uma-mensagem-brutal-18695223.htm

Crescimento e Crises

É possível e sustentável o crescimento económico global infinito, num Mundo cuja natureza é finita?

"Anyone who belives exponential growth can go on forever in a finite world is either a madman or an economist"

Kenneth E. Boulding (economista e co-fundador da Teoria Geral dos Sistemas)

Interessante a publicação: Growth isn't possible (Why we need a new economic direction)


http://www.neweconomics.org/sites/neweconomics.org/files/Growth_Isnt_Possible.pdf

A dura realidade dos factos

Quando se discute a proposta de OGE 2010 e se negoceia um acordo para 3 anos, com o patrocínio da mais alta instância da República, é desejável que não se ignorem realidades como a que consta em artigo da "Newsweek" de 9 de Janeiro de 2010. Somos os terceiros da lista, só atrás dos EUA e de Singapura:

Postal de Goa (XIII)

O FESTIVAL DO MONTE

Na parte oriental de Velha Goa, sobre um monte onde em 1510 foi colocada a artilharia muçulmana que defendeu a cidade do ataque de Afonso de Albuquerque, existe desde 1517 uma capela de invocação de Nossa Senhora do Monte. Essa capela foi acrescentada e ampliada ao longo de mais de quatro séculos, mas em finais do século XX estava em eminente risco de ruína.
O então Chief Minister de Goa, Dr. Willy de Souza, abordou a Fundação Oriente no sentido de obter apoio financeiro e técnico para salvar aquele monumento e o seu pedido teve aceitação.

A Capela de Nossa Senhora do Monte, em Velha Goa, antes e depois do seu restauro realizado pela Fundação Oriente (1998-2001).

A obra de recuperação da capela, incluindo o reforço das suas estruturas e o restauro dos seus altares, iniciou-se em 1998 e nela participaram muitos técnicos e empresas, não só da Índia como de Portugal, tendo a obra ficado concluída em 2001.
A localização da capela e o cenário envolvente, de grande beleza panorâmica e de marcada historicidade, aconselhavam o seu uso para a apresentação de um evento de grande prestígio e, por iniciativa da Fundação Oriente, em 2002 realizou-se pela primeira vez o Festival do Monte.


O adro da Capela do Monte e a vista sobre Velha Goa

Desde então, aquele festival adquiriu uma elevada notoriedade e prestígio nacionais e tornou-se uma referência no contexto da música clássica indiana e ocidental, com a particularidade de ser organizado por uma instituição portuguesa e por, regularmente, nela tomarem parte artistas ou grupos portugueses.


Aspectos de alguns espectáculos da edição de 2009 do Festival do Monte

Nos próximos dias 5, 6 e 7 de Fevereiro de 2010, o Festival do Monte vai realizar-se pela 9ª vez e o programa inclui 8 concertos ou espectáculos de dança.


Como nota saliente da edição de 2010 do Festival do Monte, destaca-se a participação do Quinteto de Rodrigo Leão, que a Fundação Oriente apresentará no dia 6 de Fevereiro nos espaços que circundam a Capela de Nossa Senhora do Monte.
O Festival do Monte, tal como outras iniciativas de natureza cultural que algumas entidades portuguesas promovem em Goa, têm permitido que a língua, a cultura e até as saudades, vão resistindo aos efeitos da globalização e ao enorme desinteresse de algumas entidades portuguesas por este espaço cultural do mundo lusófono.

quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

Claro como a água cristalina da fonte!

Interrogado por um jornalista se o governo pensava seguir o exemplo dos seus comparsas Irlandeses que reduziram os seus ordenados, o ministro Teixeira do Santos (por cá alguns dizem que ó o melhor ministro, na Europa parece que é considerado o pior ministro das finanças da UE) disse que ainda não tinham pensado nisso, mas que se fosse necessário estaria disposto a reduzir o seu salário. Claro que nunca vai ser necessário! Não é a migalha de umas dezenas de milhares de euros retirados dos ordenados dos ministros e secretários de estado que vai resolver o deficit.

O que eu acho de muito significativo nas suas palavras é que o homem, que já leva mais de quatro anos de governo e que devia ter percebido alguma coisa do que é ser líder e governante, ainda nem percebeu que o exemplo tem de vir de cima! E são estes tipos que nos governam!

OGE 2010 - Proposta

Proposta de Lei 42/2010 (2010.01.25)

Artigo 4.º - Afectação do produto da alienação e oneração de imóveis


2 -O produto da alienação e da oneração do património do Estado pode, até 100%, ser destinado: a)No Ministério da Defesa Nacional, ao reforço do capital do Fundo de Pensões dos Militares das Forças Armadas, bem como à regularização dos pagamentos efectuados ao abrigo das Leis n.ºs 9/2002, de 11 de Fevereiro, e 21/2004, de 5 de Junho, e da Lei n.º 3/2009, de 13 de Janeiro, pela Caixa Geral de Aposentações, I. P. (CGA, I. P.), e pelo orçamento da segurança social, e ainda a despesas com a construção e manutenção de infra-estruturas afectas ao Ministério da Defesa Nacional e à aquisição de equipamentos destinados à modernização e operação das Forças Armadas, sem prejuízo do disposto na Lei Orgânica n.º 3/2008, de 8 de Setembro, e ainda à redução do passivo dos estabelecimentos fabris das Forças Armadas;


[Orçamento do Estado para 2010]http://www.dgo.pt/oe/2010/Proposta/index.htm

O orçamento, os partidos, o governo e o mexilhão ...



Como diria o nosso estimado camarada que tem especiais poderes para prever o futuro ... palpita-me que o único que se vai dar mal é o mexilhão.

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Decisão Inédita

Ler Acórdão

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1477975

"Os juízes do Tribunal da Relação do Porto (TRP) admitem que sua decisão é invulgar: duas mulheres podem concorrer à herança do homem com quem casaram, apesar de a bigamia, em Portugal, ser um crime punido com pena de prisão até dois anos.

Naquele acórdão, que contraria uma primeira decisão do Tribunal de Estarreja, pode deduzir-se que os juízes do TRP estarão a "validar" um crime da bigamia, mas eles asseguram que decidiram de acordo com o direito.

Relativamente à bigamia, a lei é clara. Não admite e pune uma pessoa que celebre dois ou mais casamentos. E nos termos do Código Civil, é obrigatória a anulação de um deles. Mas há um prazo de seis meses para o pedido.

Foi com base no pressuposto inicial (proibição da bigamia) que o Tribunal de Estarreja decidiu suspender o inventário dos bens do bígamo, falecido em 1996.

"Perante a lei portuguesa não é admissível a mesma pessoa estar validamente casada com duas pessoas", escreveu a juíza na sua decisão, exigindo a anulação de um dos dois casamentos. Inconformada, uma das mulheres recorreu da decisão.

Caducou direito à anulação

Os factos da discórdia: E. casou pela primeira vez em 1955 e ficou viúvo em 1984. Um ano depois, celebrou casamento civil na Venezuela. Regressou a Portugal e contraiu outro matrimónio (católico) em 1994. Morreu em 1996.

O casamento celebrado na Venezuela em 1985 só em Novembro de 2007 foi registado na conservatória em Portugal. A partir dessa data, em Portugal ficou a saber que aquele cidadão havia sido casado com duas mulheres em simultâneo durante 11 anos.

Agora, os juízes Teixeira Ribeiro, Pinto de Almeida e Telles de Meneses esclarecem que o inventário dos bens deve ser concluído. Não há dúvidas de que as duas mulheres têm direito a uma parte da herança do bígamo.

E porquê? Se a lei condena a bigamia também é clara quanto a pressupostos de anulação: deveria ter sido pedida num prazo de "seis meses", a partir de uma data não cabalmente esclarecida no acórdão. Todavia, certo é que, até hoje, nunca foi pedida anulação de casamentos por qualquer das mulheres nem por familiares.

"Tendo caducado o direito à anulação desse casamento, ele continuou a produzir efeitos civis, nomeadamente os de investir o cônjuge-vivo como herdeiro na herança aberta por óbito do consorte-bígamo", lê-se no acórdão.

Vocação "universalista"

"Não é com frequência que, efectivamente, se admitem dois cônjuges sobrevivos a concorrer à mesma herança. Mas a diáspora, ou vocação universalista do povo português - propensa à descoberta de noivas e viúvas pelos 'quatro cantos do Mundo'- poderá certamente explicar melhor que isto aconteça", sustentam os juízes. "Trata-se, simplesmente, de repartir (partilhar) o património, uma vez que a relação matrimonial e humana já se dissolveu por óbito dele".

domingo, 24 de Janeiro de 2010

D.G.A.I.E.D.

Alguém sabe o que significa DGAIED? É natural que não, pois é uma nova direcção-geral saída do crâneo do último MDN, que, para mostrar serviço no âmbito do PRACE, resolveu juntar duas direcções-gerais, que não tinham nada a ver uma com a outra, numa só. As antigas D.-G. de Armamento e de Infra-estruturas fundiram-se na Direcção-Geral de Armamento, Infra-estruturas e Equipamentos de Defesa (uff ). O recém empossado director-geral é o almirante Viegas Filipe que já era DG de Armamento.

Postal de Goa (XII)

O BAIRRO DAS FONTAINHAS

O mais característico e mais lusitano bairro da capital de Goa situa-se na zona oriental da cidade de Pangim, entre o morro do Altinho, o bairro de S. Tomé e a chamada ribeira de Ourém: é o bairro das Fontainhas.
Há cerca de 200 anos aquela área era um extenso palmar que começou a ser ocupado por moradores, quando a capital de Goa foi deslocada de Velha Goa para Pangim. Depois cresceu e, hoje, uma boa parte das suas casas datam do século XIX e são de arquitectura indo-portuguesa, com varandas, balcões e bonitas janelas. Não têm mais que dois pisos e a sua pintura usa cores mediterrânicas como o branco, o azul, o vermelho e o amarelo. As ruas do bairro são estreitas e sinuosas, havendo vielas, travessas, becos e escadarias.
Na promoção turística o bairro das Fontainhas é chamado o Bairro Latino e, desde 1974, beneficia de um regime de protecção municipal para evitar os efeitos da pressão urbanística e da especulação imobiliária.

Nas Fontainhas fica a capela de S. Sebastião, a típica estalagem Panjim Inn, o Hotel Venite, a delegação da Fundação Oriente e alguns restaurantes e bares, sendo a zona de Pangim onde mais se fala português. À noite é frequente ouvir-se na rua o som da RTP Internacional, que preenche os serões de muitas famílias e o atendimento na farmácia, na confeitaria ou na ourivesaria, é muitas vezes feito em português.
Desde há alguns anos que, por iniciativa do Goa Heritage Action Group, uma ONG apoiada pelo Governo de Goa, se realiza o Fontainhas Festival of the Arts, com o objectivo de animar e de suscitar o interesse dos moradores e de outros interessados pelo rico património do bairro, mas também para sensibilizar as autoridades e outros possíveis parceiros públicos e privados para a sua preservação.
A originalidade desta iniciativa está na artes que confluem nas casas antigas, através de exposições de pintura, azulejos, artefactos ou fotografia, na diversidade dos programas musicais, na animação das ruas e vielas, nos restaurantes ocasionais que apresentam as suas artes gastronómicas e nas milhares de pessoas que vêm assistir e tomar parte nesta festa.
Oficialmente, as ruas das Fontainhas mantiveram os nomes que tinham antes de 1961 e a generalidade dos seus moradores não trocaram a Rua 31 de Janeiro por uma 31st January street. Porém, há quem diga Filipe Neri Road ou St. Sebastian Road, mas a maioria dos moradores ainda continua a dizer Rua de Ourém e Rua de Natal.
Algumas ruas das Fontainhas têm uma relação especial com a Marinha, como por exemplo a Rua da Armada Portuguesa, a Rua Cruzador Rafael e a Rua Governador Teixeira da Silva.
Há alguns anos as autoridades municipais de Pangim aliaram-se à moda do azulejo e colocaram placas toponímicas nas ruas das Fontainhas, no âmbito de um processo de embelezamento do bairro.


Porém, acontece que, de vez em quando, a Goa Freedom Fighters Association (GFFA) necessita de fazer “a sua prova de vida”, que tem passado pela exibição de uma enorme animosidade para com Portugal. Habitualmente, é aproveitada uma efeméride ou uma iniciativa portuguesa para se juntarem algumas dezenas de pessoas e protestarem contra tudo o que é português. O seu campo preferencial de protesto são as Fontainhas e o resultado dos seus protestos tem sido a destruição de algumas placas toponímicas.


O Bairro das Fontainhas é uma memória arquitectónica e cultural de um outro tempo e, exceptuando muitas pessoas, nada haverá de mais português em Goa do que este bairro que, na época dos Santos Populares, até tem a sua Marcha das Fontainhas.

sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

O Inverno do nosso descontentamento

Isto pelo blog está muito quieto... quase gelado a acompanhar a meteorologia. Os jornais que por vezes nos trazem ideias para dizer qualquer coisa, também não têm ajudado. Para o Haiti o nosso pesar e solidariedade. Os partidos e o governo vão reunindo para se acordarem e arranjarem quanto ao orçamento. O quer podemos dizer sobre isto? Pelos comboios, autocarros e metros por onde tenho andado a "vox populi" é muito clara. Eles lá andam a arranjar a sua vidinha e a ver como se vão safar e nós é que vamos pagar tudo!
O Presidente da República condecorou o Dr Santana Lopes pelo facto de ter sido primeiro-ministro. Justificou a condecoração pela tradição e não pela prestação. (o facto nem é novo - na velha senhora também acontecia - mas pelo menos é clarinho para militar entender). Como diria, sobre os portugueses, um camarada cujas bocas corriam pelas câmaras dos navios quando éramos jovens. "Somos poucos, fracos e profundamente ridículos!"
Felizmente, hoje, lá caiu uma pedrada no charco. O Sá Pinto enfiou um murro nos queixos de um jogador e aí caiu o Carmo e a Trindade. E no entanto o Sá Pinto sabe muito bem interpretar os profundos sentimentos do povo português. Há uns anos atrás enfiou um murro no treinador da selecção nacional fazendo aquilo que todos os portugueses que seguem o futebol desejavam fazer há muito tempo. Desta vez vingou todas as nossas frustrações. Como é que nós, portugueses, nos sentimos quando para meter um golo a uns louros nórdicos, tivemos que ir ao Brasil importar e nacionalizar um tipo, ainda por cima magro e enfezado. Como a selecção acabou por se apurar para o mundial na África do Sul, andávamos calados, mas a roer a unhas de raiva pela humilhação. Que diabo, não haveria entre os cerca de 5 milhões de homens portugueses um que fosse capaz de marcar golos numa baliza daquele tamanho! (e para não cometer uma inconstitucionalidade incluo naturalmente todos os homens, quaisquer que sejam as suas orientações sexuais, alimentares, religiosas, etc.)
Com mais alguns Sá Pintos Portugal não estaria de certeza na cauda da Europa. Tenho esperanças de que, agora, que não mais arranjará emprego no futebol, resolva enveredar pela vida política. Pode aderir a qualquer partido. Nós votaremos nele de olhos fechados, eu pelo menos vou fazê-lo. O que interessa é que um dia vejamos na AR o seu punho, verdadeiramente português, esborrachar uma qualquer bochecha de um qualquer deputado ou ministro do seu ou de qualquer outro partido.

sábado, 16 de Janeiro de 2010

Eclipse


Ontem, no sul da India, foi possível observar um eclipse anular do Sol, que é sempre de grande beleza.

Postal de Goa (XI)

O CAJU QUE OS PORTUGUESES LEVARAM PARA A ÍNDIA

Na história da expansão portuguesa, o fenómeno das trocas de plantas entre continentes ou “a viagem das plantas”, é um dos assuntos menos estudados, embora seja um dos mais importantes contributos dados pelos portugueses ao progresso da humanidade. O caso do caju, de que a Índia é hoje o maior exportador mundial é, porventura, um dos melhores exemplos da importância da transferência de plantas entre diferentes continentes e justifica o nosso comentário. O cajueiro é uma árvore originária do nordeste do Brasil e os portugueses cedo aprenderam a utilizar a sua madeira na construção, mas também a conhecer a importância económica do seu fruto, como alimento, como remédio e como matéria-prima na produção de bebidas alcoólicas. Segundo o Professor Mendes Ferrão (The Adventure of Plants and the Portuguese Discoveries), os portugueses levaram o cajueiro para o Oriente entre 1563 e 1574, provavelmente para Goa ou para Cochim e a primeira descrição que se conhece do caju aparece no Tractado de las drogas y medicinas de las Indias Orientales do físico português Cristovão da Costa, publicado em Burgos em 1578. O cajueiro disseminou-se depois para as costas do Malabar e do Concão, mas também para a costa oriental da península industânica, para o sudoeste asiático e para a costa oriental de África. A palavra caju deriva da palavra acaju, existente na língua tupi do noroeste brasileiro. Nas costas do Malabar o caju é conhecido por parankimava, que significa mango português; em urdu, hindi e gujarati o fruto é conhecido por kaju, em konkani é designado por kajjubee e em sinhala chama-se kadju. Significa, portanto, que os portugueses não só levaram uma planta de grande valor económico do Brasil para a Índia, com promoveram também o enriquecimento das línguas locais. A Índia é hoje o terceiro maior produtor mundial de caju, depois do Vietnam e do Brasil. Porém, porque desenvolveu e modernizou as técnicas do seu processamento industrial, passou a ter necessidades adicionais de caju bruto que passou a comprar no estrangeiro. Com este incremento produtivo, a Índia tornou-se o primeiro exportador mundial de caju processado, com mais de 100 mil toneladas anuais. A sua produção e processamento geram um volume de emprego da ordem das 500 mil pessoas, sobretudo mulheres, sendo esta actividade agro-industrial particularmente importante nos estados de Kerala, Karnataka e Goa.

O caju estimula uma actividade comercial muito significativa em Goa, havendo muitas dezenas de pequenas lojas, sobretudo em Pangim, que se dedicam quase exclusivamente à sua venda.
O produto é apresentado em diversos tipos de embalagens com diferentes quantidades e preços, sendo muito procurado pelos turistas.