segunda-feira, 18 de abril de 2016

Língua Portuguesa

Como o nosso blogue anda um tanto sem ondas, calmo e quase estanhado não fosse (principalmente) a louvável colaboração do nosso novel historiador, contador de histórias a assinalador de aniversários Speedy, aqui vão umas reflexões pós almoço tipo pedrada no charco.

Nós, portugueses, já não somos, nem pouco mais ou menos, donos disto tudo (do que existe no país).

Somos donos de muito pouco disto tudo.

Tenho vindo a ver vender ao desbarato muito disto tudo, desde indústrias consideradas estratégicas para a nossa economia, que é como quem diz para nós todos, até ao mundo financeiro, que com a sua reconhecida força comanda isto quase tudo – pessoas e bens.

Não sou filólogo, mas gosto da língua portuguesa, porque é a minha, porque é a dos meus antepassados, porque foi o grande veículo de contacto, de cultura, para os quatro cantos do mundo na primeira grande globalização em que fomos actores de primeiro plano.

Procuro, com as minhas limitadas (íssimas) capacidades neste campo, defendê-la, cultivá-la. Outros com maiores responsabilidades e saberes o deveriam fazer. Uns fazem-no, outros nem tanto.

Não, não vou entrar pelo Novo (?) Acordo (?) Ortográfico, estejam descansados os dele simpatizantes.

Vejo diariamente alguns dos nossos locutores e apresentadores, quer da rádio quer da TV, atropelarem miseravelmente aquela a que Fernando Pessoa chamava a sua pátria.

Uma forma desses atropelos é a de substituírem sem qualquer benefício ou utilidade termos portugueses por estrangeiros, principalmente anglo-saxónicos. Será manifestação (saloia, claro está, no meu entender) de cultura? De falar línguas estrangeiras? Será ignorância? Será inconsciência? Será desprezo por um dos valores culturais que nos deveria ser muito caro?

Tenho consciência do que seja uma língua viva, mas pretensamente vivaça é que não!

Vem este arrazoado a propósito dos relatos nos nossos noticiaristas do que se está a passar neste momento no Brasil.

Que os brasileiros, não serão todos justiça lhes seja feita, desconheçam o termo “impedimento” e tenham necessidade de importar o “impeachment”, já não acho muito bem, porque afinal a língua portuguesa também é deles, porque para lá a levámos, e por tal a deveriam também cultivar, defender e até impôr dada a sua dimensão, agora nós, os nossos locutores, brada aos céus que embarquem nisso!

Começo a ver a nossa língua a engrossar o cabaz não de compras mas de vendas referido no início destas linhas. Mas agora nem sequer ao preço da chuva, mas de mão beijada.

É triste não é, ou andarei (já) de passo trocado?

4 comentários:

O Jorge Goncalves disse...

Eles sabem lá traduzir "impeachment"...

O speedy disse...

Mas nós já nem da língua portuguêsa somos donos; já a vendemos aos editores.
Antigamente para se ser locutor era preciso fazer um exame de Português, agora para se ser jornalista de microfone (papagaio) já não é preciso saber Portguês.

O A.R.Costa disse...

É muito oportuna esta chamada de atenção, a que me associo. No entanto, temos que ser flexíveis porque a criatividade brasileira sempre criará algumas palavras e "abrasileirará" muitas outras. Quanto ao que se passa por cá, a história é outra. Aqui não é a criatividade, mas é tão só a ignorância e o novo-riquismo de uma parte da classe jornalística (e da classe política) a fazerem um mau uso da nossa língua e a "estrangeirar" demasiado.

O Pires Neves disse...

Para animar o blogg este, sem dúvida, não um bom POST mas sim uma belíssima local à qual me associo vivamente contra a pequenez de alguns dos nossos locutores e comentaristas de meai tijela. Como dizia o outro "poucos, maus e profundamente ridículos". Máxima que mais uma vez vem a propósito.