sexta-feira, 30 de maio de 2014

As leis que eles fazem

Foram ontem discutidas na Assembleia da República, na generalidade, a nova lei de Defesa Nacional e LOBOFA, dentro daquela onda de reorganização permanente das Forças Armadas, que lhes serve (aos políticos) para apresentar serviço e para, nunca sabendo a quantas andam, continuar a desinvestir. Do que vem a público, parece que o CEMGFA passa a super-homem, que, ao mesmo tempo que tem que gerir ainda mais a Saúde e o Ensino Superior Militar, ainda vai ter que destacar para o Afeganistão ou embarcar numa força naval como comandante táctico. O quê? Sim , comandante táctico. OTC. Vem na lei.
As enormidades que se escrevem podem ser perfeitamente naturais nos boys e gabinetes de ministros, mas o que é que estão a fazer os militares nos gabinetes ministeriais e os próprios estados-maiores militares? Não viram? Ou não sabiam? Foram ignorados? Pior, quem meteu isto na cabeça do ministro? Um militar?
Em Portugal sabe-se muito pouco de modalidades de comando e que tudo isto é uma grande confusão para quem nunca andou em operações; mas isto de se dizer que um homem tem o comando estratégico, operacional e táctico é o grau zero de conhecimento militar e a consagração da burrice em diploma legal. Se alguém no estrangeiro descobrir isto vai ser um gozo pegado.

4 comentários:

O speedy disse...

O último parágrafo acerta no alvo. Influência dos verdes que pensam ter um chefe máximo para sempre?

O Jorge Goncalves disse...

Eles nâo sabem...nem sonham! :-)

O Manel disse...

Um dos militares que lá está devia era estar em casa de pantufas, que já tem mais que idade para isso. Se não as tiver que fique de meias...

O Pires Neves disse...

Concordando em absoluto com o comentário do João Nuno acrescentaria que para alem das modalidades de comando, que não são conhecidas, estão também as "relações de autoridade", outro dos aspectos que não são igualmente conhecidos. Uma coisa é certa para muitos qualqer Comandante só o é de facto se tiver o Comando Completo e isso para esses mais não é do que a asneira de assumir numa mesma pessoa o Comando operacional e Comando táctico para já não falar no Comando estratégico e muito menos no funcional e, ou no adminstrativo ou logístico. Delegar qualquer dos comandos, nem pensar, pois isso mais não é do que, num entendimento desviante como aquele, perder autoridade a favor de outrém e lá está, aspecto que o chefe máximno -o verdadeiro - não pode permitir. A Marinha percebe isto muito bem pois desde sempre se habituou a estar afastada da sede do poder, em Lisboa, fosse no mar, nos navios,fosse, em Terra, nos Açores na Madeira, em África, no Oriente, "all over the world" e só essa delegação de responsabilidades lhe permitia actuar em tempo e espaço, com oportunidade sempre e quando necessário. Nem de outro modo podia ser! As regras de empenhamento, mais tarde adoptadas, e bem, só acescentaram mais eficiêncioa e eficácia a toda uma metodoligia que ao longo dos séculos se foi oleando e testando como muito válida.