segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Histórias de guerra e mar III - É importante ser educado

No fim dos anos sessenta existiam junto ao rio Messalo, no norte de Moçambique diversas "machambas" (para os não iniciados leia-se plantações) abandonadas onde as bases inimigas mais no interior se abasteciam sobretudo de mandioca, a sua grande alimentação tradicional. Para isso faziam deslocar regularmente a essa zona elementos civis sob o seu controlo, escoltados ou não por elementos armados, que faziam o cultivo e a colheita necessárias.
Em virtude disto eram frequentemente alvo de forças de fuzileiros que os capturavam com o fim de desorganizar e impedir este fluxo de abastecimento.
E foi assim que  certo dia ao anoitecer um grupo de combate de fuzileiros desembarcou de um navio patrulha, percorreu alguns quilómetros em bote pelos canais do delta e, após algumas horas de caminhada se emboscou nos diversos trilhos de acesso às machambas. Aos primeiros alvores surgiu o primeiro elemento inimigo que vinha "pegar ao trabalho". Sòzinho, desarmado, trazia consigo as ferramentas do trabalho, uma enxada e uma catana. Ao passar por ele, um marinheiro Fz saltou para a picada, apontou-lhe a G3 e, com um ar feroz, gritou: "Pára já aí!". O "perigoso inimigo" parou, virou-se e calmamente proferiu: "Olhe, para começar bom dia, não acha?"
Realmente não há nada como fazer uma guerra bem educada.

3 comentários:

O Nunes da Cruz disse...

Espero que o FZ, para não nos deixar mal vistos, lhe tenha respondido da mesma forma.

O Jorge Goncalves disse...

Não haja dúvidas!

O A.R.Costa disse...

E vão três! Esta passou-se junto do rio Messalo que me foi tão familiar.