domingo, 25 de novembro de 2007

A partida da família real

Dentro das comemorações da partida da família real para o Brasil, foi anunciada uma recriação do embarque em Belém para ontem às 1500. Compareci e, como eu, muita gente, entre os quais brasileiros, à espera de um espectáculo interessante e cultural. Havia uma zona vedada em frenta à Torre de Belém onde de vez em quando passeavam uns figurantes vestidos à época, uns militares bem fardados e também frades calçando ténis de marca, freiras com as saias pelo tornozelo e saloias vestidas como nos filmes da Beatriz Costa. Entretanto não se passava nada. Havia uma instalação sonora que passava música roufenha e onde alguém de vez em quando falava mas não se ouvia. Dentro da cerca e junto à entrada do forte do Bom Sucesso havia uma zona VIP onde os ditos e os jornalistas tinham a tendência para tapar a visão à populaça que já se começava a impacientar com a espera e com o frio. Nisto aparece um senhor de fato cinzento que resolve mover o gradeamento e reduzir o espaço cénico a metade, deixando metade das pessoas que estavam na primeira fila atrás da turba que entretanto correu a ocupar o novo espaço. Continuavam umas movimentações confusas noutra ponta do terreiro e o tempo a passar. No meio desta confusão chegam dois carros de cavalos com a família real que abriu caminho pelo meio daquilo tudo. Aqui chateei-me e fui-me embora, eram 1600, ciente de que pelo menos em termos de confusão e incompetência, a representação se deve ter aproximado do que foi a realidade. Para a próxima contratem o La Féria em vez de entregarem isto a amadores.

3 comentários:

O LSN disse...

Parece, de facto, que o granel do original foi bem pior que a confusão de ontem. Ainda por cima foi à chuva e havia lama por todos os lados. Parte substancial do que devia seguir ficou em terra ... se não fossem os ingleses, ainda hoje andava a embarcar pessoal. E, li eu, que alguém classificou o embarque como a maior operação logística jamais realizada em Portugal.

O 403 d'62 disse...

Corrijo, se me permites: "a maior operação logistica jamais realizada pela Marinha em Portugal" ( noticiario das 2000 duma generalista )

O Fernão disse...

Segundo alguns autores não foi muito atabalhoada a partida. Pelo contrário. Levar 15000 mais os "tarecos" com o Junot à perna foi obra.O granel parece que foi motivado por excesso de bagagem, haveres e humanos que queriam dar às de Vila Diogo e que ficaram pelos cais por falta de "camarote".Segundo consta, até parte da biblioteca da Academia de Ciências ficou à chuva durante dias.Mas as "baixelas" seguiram.Salvaram-se os dedos e alguns anéis.Pelo menos os "francius" ficaram com menos para levar, quando acobertados (aí sim pelos ingleses)após a Convenção de Sintra levaram todo o produto do saque. Gostava de ver se fosse hoje!O que vale é que também já ninguém nos quer saquear!