
Os Jerónimos ,hoje , encheram para receber quem se quiz despedir do Almirante Andrade e Silva.
Senti , naquela hora , novamente , o botão de âncora a roçar-me a camisa e o cheiro a maresia a envolver-me a memória , e apeteceu-me fechar os olhos de comoção e orgulho.
Comoção por ver tanta gente a dar um último adeus a um camarada , marinheiro bom e amigo , e orgulho porque senti , novamente , os valores e a ética que nos foi ensinada na Escola Naval a virem á tona.
Estava o Almirantado , em uniforme , a mostrar que se apresentava ali a Armada a prestar homenagem a quem a conduziu por um tempo , e a despedir-se de um dos seus.
Estava oficialidade , do activo , reserva e reforma , a mostrar que a amizade , o respeito e a camaradagem vão para além da extrema da vida.
Estava a sociedade civil , a curvar , também ela , a cabeça perante aquele velho marinheiro que serviu a Pátria , no serviço que esta lhe pediu.
Estava a familia , discreta , triste mas orgulhosa de ter aquele nome , incluindo o sacerdote que presidiu à celebração da missa e que o fez de uma forma de não esquecimento.
E , como foi lido na última carta de S,Paulo , creio que o Senhor Almirante partiu , no fim da sua carreira e da sua hora , mas agarrando a fé.
Senti orgulho por ter estado com, e na Marinha, a essa hora.