domingo, 10 de fevereiro de 2013

O sinistro plano

Notícias vindas a lume este fim de semana revelam existir um plano sinistro para degradar e tornar ineficazes as Forças Armadas. Em nome das poupanças, que sairão bem caras se isto for para a frente. Claro que o plano deve ter saído das cabecinhas esclarecidas dessa gente que povoa os gabinetes ministeriais ou dos amigos convocados para grupos de trabalho, que tratam de assuntos que ignoram. O caso da saúde militar é exemplar, mas o que está para vir será pior.
A fusão dos Institutos geográfico do Exército e o Instituto Hidrográfico é uma medida inteligentíssima. De facto, em comum têm a palavra Instituto e acabam os dois em gráfico. Talvez tenham os dois uma impressora que possam partilhar. A destruição de um valor e de uma instituição não interessará nada a quem só pensa em moedas. O prejuizo operacional não interessará nada. A posse do Director-Geral do IH foi esquisita, com a presença ministerial. O discurso foi, vê-se agora, enganador. Vale a pena ouvir.
A fusão das escolas militares é outra que andava a ser subrepticiamente congeminada. Não interessa o que a escola produz. São números, são novos encargos para o Estado sem grande interesse. Novas Oportunidades, portanto.
No fim querem pendurar cada vez mais organismos no CEMGFA e no MDN, o que é brilhante em termos de organização e de competências.
Ainda a procissão vai no adro. Esperem pela pancada.

4 comentários:

O Jorge Gonçalves disse...

Eu não expero, já estou a apanhar...mas a reagir!

O Orlando Temes de Oliveira disse...

Realmente o plano tornado público não é recomendável e confuso.
Mas o certo é que, ao longo destes 38 anos, os "militares" não se entenderanm entre Ramos e não apresentaram nenhum plano. As sua ideias só aparecem como reacção negativa a qualquer coisa que apareça. Será sinal que consideram que tudo deve permanecer na mesma pois a actual organização é a melhor possível e mais correcta?
Porque será que não oiço exigir à classe política para definirem para que querem as FA's (não me digam que os Conceitos Estratégicos de DN que têm existido são definidores e exclacedores!
Isto de ser militar em Portugal não é nada fácil!

O Ramiro Soares Rodrigues disse...

Os cortes nas FA's a qualquer preço e de qualquer maneira vem dos mais variados quadrantes políticos e financeiros, p.ex.: Silva Lopes em 16 de Outubro de 2012 ao Jornal Sol: para cortar despesa é preciso 'ir à carne':
http://sol.sapo.ao/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=61162
..."O ex-ministro das Finanças explica que quando se toma uma decisão de cortar na despesa num sítio concreto, «os interesses ligados àquele sítio concreto protestam», como a situação na CP em que há «greves para toda a vida» ou nas Forças Armadas.
Neste último caso, Silva Lopes explica que, segundo uma organização internacional com sede na Suécia, que não identificou, mostra que Portugal é o terceiro país da Europa com maiores despesas militares, representando 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o que compara com 1% de Espanha.
«Vou apanhar tareia por todo o lado se isto sair desta sala», disse Silva Lopes em tom de brincadeira quando defendeu que, em matéria de redução de despesa do Estado, as Forças Armadas deveriam ser contempladas."...

O Jorge Gonçalves disse...

Salvo erro, o Gen. Loureiro dos Santos, na entrevista que deu a semana passada, dizia que as despesas militares equivaliam a 1,2% do PIB e que estavam abaixo da média da U.E. e muito abaixo da média da Nato.
Alguém anda a ler os números errados...