Ainda e mais uma vez as Pensões
Apesar de ser sábado, acordei cedo, liguei o rádio e como
reformado senti-me logo alvo de novo ataque da parte de uns senhores que não
devem gostar nada de nós a avaliar pelo que nos andam a fazer. Já andava mal
disposto depois de ter ido ver a minha
folha de pagamentos deste mês à CGA e de a Marinha, por despacho de um daqueles
senhores (com letra pequena, atente-se), o que tutela as FFAA, me ter tirado o
Complemento de Pensão que vinha recebendo, pelo que ainda fiquei pior.
Rezava a notícia de que esses senhores andam a pensar em
tornar definitivo, como trabalho de casa a apresentar à troica, o corte que a
título de solidariedade estão a fazer este ano às pensões de reforma milionárias (superiores a 1 350 €).
Não vou acrescentar nada de novo, pois já todos sabem
sobejamente o que se está a passar. Apenas umas curtas constatações e
reflexões:
- Eu julgava que ser solidário (não no sentido jurídico) era
um acto pessoal e voluntário em prol de alguém e não uma obrigação tipo imposto
que esses senhores nos estão a impor e que para inglês ver a apelidam de
solidariedade;
- Depois, essa solidariedade é para com quem? Para os mais
necessitados, para os que têm fome, para os desempregados, não deve ser, pois
continuo a ser solicitado por várias organizações particulares com fins
caritativos para as ajudar. É sim para tapar os buracos dos que ao longo das
últimas décadas nos (ao país) endividaram perante o exterior e para as
escandaleiras financeiras nacionais, perante o que neste momento todos temos de
ser solidários (no sentido jurídico, agora);
- Apregoam esses senhores que o país não aguenta as pensões
dos seus reformados. Acredito que não, mas então é lícito perguntar o que
fizeram eles ao produto dos nossos descontos para tal durante a vida activa. Estarei
errado se disser que os esbanjaram abusivamente?
- Claro que estou a referir-me aos que descontaram para a
reforma e durante toda a sua vida activa os montantes que lhes foram pedidos e
não aos, esses sim privilegiados, que com apenas alguns anos de descontos
tiveram direito a reformas completas e chorudas;
- Quando é que esses senhores têm vontade política (ou
capacidade) para fazer reverter para a contabilidade do apregoado deficit, e assim aliviar os sufocados
contribuintes, os montantes imensos escoados através dos escândalos financeiros
nacionais recentes?
- A cadeia dos direitos adquiridos tem elos fortes e fracos?
Perante tudo isto e mais o que não sei, só me apetece dizer:
RUA COM ESSES SENHORES![1]
pois acredito que ainda haja alguém com espírito de missão e de servir que
consiga trazer para a governação ética, moral e sentido humano. Só assim se pode
conquistar o respeito dos governados, conquistar uma verdadeira coesão nacional
e fazer sair de uma vez o país desta maldita crise que, pouco a pouco, vai
acabrunhando a grande maioria de todos nós.
[1]
Ainda estive para dizer CAMBADA, porventura mais apropriado, mas como me tenho
por bem educado contive-me.


6 comentários:
Boa, Cruz!
Apoiadíssimo!
É de facto muito triste ser obrigado a viver num país onde os dirigentes máximos nos sujeitam, todos os dias, a malfeitorias sem nome, tornando esta fase da nossa vida (onde a saúde, as alternativas e a capacidade de reacção estão bem diminuídas) um permanente sobressalto. É, pura e simplesmente, revoltante!!!
José Alberto concordo contigo e acrescento que é imperativo, necessário e imprescindível correr com estes colaboracionistas ao serviço de interesses que não os dos portugueses e das portuguesas. Já agora, aproveito para relembrar que andámos distraídos e conseguimos dar-lhes o que desde sempre reclamavam e ansiavam: "um governo; uma maioria; um presidente". E ainda, se está para saber se também um tribunal constitucional.
Há que utilizar os meios legais e constitucionais à nossa disposição para lutarmos pelos nossos legítimos direitos e correr com este lote de colaboracionistas com interesses contrários aos da esmagadora maioria dos cidadãos e das cidadãs. Um abraço amigo e solidário
Grande texto do NC. Assino por baixo.
Meu caro Nunes da Cruz, tens carradas de lucidez e outra tantas de razão. Quem nos impõe sacrifícios não os faz nem os exige aos seus mentores e colaboradores mais directos. Quem assim nos destrata não tem direito à menor das considerações. Quem nos quer fazer passar por privilegiados goza (e faz gozar os seus patrões e apaniguados) da mais despudorada montanha de privilégios que há no catálogo. É preciso e urgente que declaremos bem alto: não temos nada que ver com esta gente e não podemos confiar-lhes o futuro dos nossos filhos e netos. Se o fizermos, seremos apenas um bando de cobardes e como tal figuraremos nas suas memórias.
Apoio totalmente o que aqui tem sido escrito. Mas estes tipos instalaram-se e criaram os mecanismos para continuarem instalados. Basta olhar para o que se passou na AR durante a discussão dos mandatos para as autarquias. A única solução é arranjar maneira de os correr, de arranjarmos quem seja capaz de nos representar e, ao mesmo tempo, de os pudermos correr quando eles não nos representem.
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