Goa é uma terra de música e de músicos, onde se fundem harmonicamente as tradições musicais da Índia e do ocidente. Assim sucede com o
mando [mandó], por vezes considerado como a canção de Goa.
O
mando é uma forma musical que nasceu e se desenvolveu em Goa durante o século XIX, incorporando elementos musicais indianos e ocidentais e que é cantado em
Konkani, a língua nacional de Goa, embora inclua muitas palavras de origem portuguesa.
É muito popular entre a comunidade católica de todo o território de Goa, sobretudo no sul de Goa e especialmente em Loutolim, Curtorim e Raia, sendo cantado por pequenos grupos em ocasiões festivas e, especialmente, nas festas de casamento.
Os
mandos são, sobretudo, canções de amor, de afecto e de saudade, embora também incluam o lamento, a crítica social, o anúncio de novidades e a descrição de acontecimentos.
Associado à música, o
mando desenvolveu-se também como uma dança de salão de elevado requinte estético. Os homens e as mulheres dispõem-se em filas separadas. Os homens vestem calças de fantasia e casaca, segurando uma cartola na mão e um lenço branco no outro, ou apenas fato escuro, o que mostra a influência portuguesa;

as mulheres vestem o
bazu torop ou
pano baju, uma elegante saia comprida bordada a ouro, uma blusa de mangas compridas e usam um lenço dobrado sobre os ombros, como se fosse um xaile. Fazem-se sempre acompanhar por um leque, com que cobrem uma parte da face e, com os olhos, exibem uma sofisticada mímica de sedução.
Se o
mando é uma expressão romântica da cultura goesa, o
dulpod é um hino de alegria que o completa, com um andamento muito rápido, que evoca o riso e o humor despreocupado e que tem a função de amenizar a tristeza do
mando.
O
mando e o
dulpod são complementares e não são cantados em separado. São acompanhados pelo
gumot, que é um instrumento de percussão tradicional de Goa, enquanto o violino, a viola e o violão foram incorporados mais tarde, por influência portuguesa.
Porém, apesar de haver muitos estudos sobre a música tradicional goesa e sobre o
mando, que procuram compreender a sua origem e as suas formas, não há unanimidade sobre esta matéria, embora todos reconheçam uma forte influência ocidental e, sobretudo, portuguesa.
Em 1965 o Clube Nacional organizou o primeiro Festival do
Mando em Pangim, mas a partir de 1974 o festival passou a ser organizado pelo Goa Cultural and Social Centre, em colaboração com a Kala Academy que, neste ano de 2009, realizaram o 43rd
Mando Festival com a participação de 42 grupos.
O interesse das novas gerações pela moderna música ocidental tem sido uma ameaça para a sobrevivência do
mando, enquanto expressão popular da música tradicional goesa, mas o Festival tem respondido com sucesso a essa ameaça e tem contribuído para o renascimento do interesse pelo
mando.
Para os não especialistas e para aqueles que não sabem
Konkani, o
mando é um espectáculo de grande riqueza estética e, em Portugal, pode ser apreciado através de algumas ocasionais apresentações públicas do Ekvat, um grupo de música e danças tradicionais de Goa, constituído em Lisboa em 1989, no âmbito das actividades culturais da Casa de Goa (http://www.ekvat.org/).