sábado, 23 de maio de 2020
Embora já aparecido no "Navio... desarmado" julgo adequado publicar aqui este postal do Ultramar da autoria do saudoso OCeano MPM e que o João Freire usou (muitíssimo bem) para uma das suas crónicas.
"Além da acção no controlo da margem esquerda do rio Zaire desde 1961, os Fuzileiros foram enviados mais tarde para o Leste e Sueste de Angola, onde actuaram ao longo daquelas pouco conhecidas vias fluviais. Desenvolveram acções de combate contra os guerrilheiros independentistas e reagruparam populações, prestando-lhe algumas ajudas, sobretudo sanitárias. Foi mais divulgada a povoação a que atribuíram o nome de Vila Nova da Armada, sobre o rio Cuito. Mas o texto que segue dá conta de uma outra dessas intervenções. JF
«[…] Falo-te destas terras do fim do mundo, deste rio com um nome tétrico e esquisito, desta unidade que tem fardas, armas, galinhas, vacas, couves, e corações a transbordar de amor e nostalgia.
Este postal não é ilustrado, com as cores tropicais dum Mussulo ou duma baía de Luanda, mas sim um vulgar postal de correio de 5 tostões, já velho e sujo de suor e que talvez nem devesse já circular.
O Lungué-Bungo, que nasce próximo do rio Cuito, na região entre Munhango e Cuemba, tem uma extensão verdadeiramente assustadora, para cima dos mil quilómetros, todo em meandros exóticos, percorrendo regiões isoladas e distantes, com as suas enormes chanas alagadiças e as frondosas matas vigilantes.
Desagua no Zambeze, em território zambiano, alheio a guerras e diplomacias, correndo sempre, sempre, com os seus 7 nós, infestado de peixes e aves maravilhosas, num colorido fabuloso, brincando nos seus rápidos e nos seus bancos de areia, desafiando o homem e a máquina da civilização.
É um rio de calma latente, um monstro sereno que se deixa explorar com reservas, mantendo troços invioláveis, guardando avidamente os seus filhos, aqueles muitos afluentes misteriosos que esconde do homem com o capim alto das suas margens.
A caça vem nele beber e ver-se ao espelho nas maravilhosas noites de luar africanas. Os hipopótamos espojam-se na lama e deslizam felizes a violar uma fronteira.
É um rio de Fuzileiros e Jacarés.
É com ele que eu sonho todas as noites e quero que tu sonhes também. É dele que eu vivo e nele me alimento, esgotando as raízes do esforço e da paz. Fiz dele a estrada que sulco para me atirar à aventura e à missão que aqui cumpro, sentindo o perigo que se esconde, aproveitado no campo da traição e da morte.
É a mulher que violo e exploro sem piedade, que me despreza e repudia, mas que eu não posso largar nem esquecer. E quando a largar lá virão outros e outros e outros, coitados, continuar a sua grande luta com este inesgotável colosso.
Odeio-o por me fazer seu vigilante, mas amo-o por me fazer seu confidente.
Quando, de princípio, os Fuzileiros aqui se instalaram, os “turras” de um grupo e partido inimigo ainda fraco, tentaram convencer as populações da área a beberem toda a água do Lungué, para os Fuzos não poderem circular. E afinal foi através dessa magnífica estrada individual que os pequenos botes em patrulhas constantes e repentinas, recolheram essas tribos nómadas, por essas margens fora e as abrigaram no seu seio, constituindo um agregado populacional de mais de mil indivíduos. Essas populações, vulgo “dos Fuzos”, vivem deles e para eles, e mesmo que apareça algum mulato será bem-vindo porque, afinal, é um Fuzo também. Até os cães e mesmo os filhos dos indígenas nascidos já nos “quimbos do Lungué” se chamam Fuzo 1, Fuzo 2, etc.
Fuzo, uma palavra fácil de aprender e bem amada.
Num próximo postal, poder-te-ei contar o que faz e como vive esta gente, mas por agora só te digo que chegam a fugir de suas aldeias para virem para o Lungué-Bungo onde os “tropa” são bons. […]»
(Manuel Pinto Machado, “Postais do Ultramar – Angola – Postal Nº 3 – Lungué-Bungo – Fins de Outubro de 68”, Anais do Clube Militar Naval, A. 98, Out.-Dez. 1968: 694-696)"
PORTUGAL
A 23 de Maio de 1179, o Papa Alexandre II pública a Bula Manifestis Protabum, em que reconhece Afonso Henriques como Rei de Portugal. Oficialmente Portugal torna-se um reino independente.
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speedy
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10:25 –
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quinta-feira, 21 de maio de 2020
DESCOBERTAS
A 21 de Maio de 1502 João da Nóvoa descobre a ilha que recebeu o nome de Santa Helena. Esta ilha nunca foi colonizada pelos Portuguêses.
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speedy
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10:29 –
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quarta-feira, 20 de maio de 2020
AVIAÇÃO NAVAL
A 20 de Maio de 1925 é criada a “Escola de Aviação Naval Gago Coutinho” no Centro aero-naval de Aveiro, S. Jacinto.
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speedy
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09:46 –
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VASCO DA GAMA
A 20 de Maio de 1498, Vasco da Gama chega a Calecute, terminando a tarefa do “Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia “.
Razão pela qual se comemora o Dia da Marinha nesta data.
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09:43 –
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terça-feira, 19 de maio de 2020
domingo, 17 de maio de 2020
OCEANOS
A 17 de Maio de 1965, as fragatas Corte Real e Diogo Cão, com os OCeanos embarcados atracam no Porto de Leixões. Quase a terminar a nossa viagem de instrução.
Onda do
speedy
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10:29 –
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sexta-feira, 15 de maio de 2020
OCEANOS
A 15 de Maio de 1965, os OCeanos embarcados na Corte Real e Diogo Cão, durante a sua viagem de instrução, escalam Ponta Delgada, atracando de manhã e saindo ao fim do dia.
Onda do
speedy
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10:50 –
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quinta-feira, 14 de maio de 2020
Façam à língua o mesmo que ao euro: igual na face, mas reversos diferentes
A quem se interessa pela língua portuguesa, particularmente na sua
defesa e com o carinho que ela merece, sugiro a leitura dos artigos que nesse
sentido vêm sendo publicados no “Público” (passe a publicidade ao jornal, ao
qual não me liga qualquer interesse), às quintas feiras, por Nuno Pacheco.
O de hoje, com o título em título nesta postagem, vem a lume na
página 31.
Onda do
José Cruz
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12:40 –
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quarta-feira, 13 de maio de 2020
MARINHA
A 13 de Maio de 1938, são extintos o Arsenal de Marinha de Lisboa e a Direcção de Construções Navais.
Nota: O DL 28408, de 31 de DEZ de 1937, que criou o Arsenal do Alfeite e que entrou em vigor em 1 de JAN de 1938, pode ser lido carregando aqui.
Onda do
speedy
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09:57 –
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terça-feira, 12 de maio de 2020
O fim do uniforme de cadete
A Revista da Armada agora recebida traz um artigo sobre o novo Regulamento de Uniformes dos Militares da Marinha. Fazer alterações ao RUMM sempre foi um bico de obra, por mínimas que fossem. Esta parece ser uma grande revisão, e um detalhe que saltou à vista foi: Os cadetes da Escola Naval passam a usar os uniformes "3A" e "3B" com o mesmo corte e da mesma forma que a categoria de Oficial. Parece claro, acabou o uniforme de cadete! Porquê? Qual era o inconveniente? Incomodava quem? Neste desgraçado país as tradições acabam sempre por causa de alguns iluminados que pretendem ser modernos. O uniforme de cadete é bonito , tradicional e característico de uma Escola. Por isso se acaba.
P.S. Face a isto faz algum sentido ter um contingente de Fuzileiros com uniformes do século XVIII ?
Onda do
J.N.Barbosa
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11:55 –
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OCEANOS
A 12 de Maio de 1944 nasceu mais um OCeano, o João Pires Neves. De Carcavelos, tinha muito êxito entre-as meninas do seu burgo.
Carreira naval polifacetada, mesmo depôs da sua retirada continuou ligado aos estudos navais. Membro da Academia de Marinha com todo o mérito.
Relembro um facto curioso que lhe aconteceu, ainda nós dormíamos na Santo André: uma segunda-feira ao acordar não conseguia abrir os olhos, foi um momento de susto, felizmente curto e sem consequências.
Que tenhas um feliz dia de aniversário apesar desta pandemia e que o célebres muitas vezes com saúde e boa disposição.
Um Abraço.
Onda do
speedy
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09:53 –
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domingo, 10 de maio de 2020
CORPO DE MARINHEIROS
A 10 de Maio de 1934 é criado o “Corpo de Marinheiros “ extinguindo-se as Brigadas de Artilheiros, Marinheiros e Mecânicos.
Onda do
speedy
@
10:42 –
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