sábado, 8 de maio de 2021
DIA DA VITÓRIA
Comemora-se hoje, 8 de Maio, na Europa, o “Dia da Vitória “. Dia em que o Exército Alemão se rendeu formalmente aos Aliados, dando por fim à WW II.
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10:42 –
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sexta-feira, 7 de maio de 2021
OCEANOS
7 de Maio de 1944, nasce mais um OCeano, o Ferreira da Silva. Faz hoje uns lindos 77, este jovem que nos tempos de rapazote foi um rival do Américo aquele fenomenal guarda-redes do F. C. P. Depois de um acidente desportivo teve uma enorme força de vontade a recuperar num ano tudo aquilo que aprendera em vários anos. São, Camarada e Amigo grangeou o apreço de quem trabalhou consigo, e em especial os camaradas de curso. Durante o seu comando do DFE 8, notabilizou-se não só pelo seu empenho operacional como também pelo seu humor. Já narrou alguns episódios da sua campanha, falta ainda referir os seus diálogos com o Major Mariz.
Que tenhas um óptimo dia de aniversário junto com os teus e que o possas repetir muitas vezes com saúde e boa disposição.
Um grande Abraço.
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quinta-feira, 6 de maio de 2021
COMUNICAÇÕES RÁDIO
A 6 de Maio de 1916 foi efectuado o primeiro teste bem sucedido de comunicação rádio-telefone navio terra. O teste foi realizado pelo Comandante do USS New Hampolme ao largo de Virgínia com o Comando em Washington.
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10:57 –
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quarta-feira, 5 de maio de 2021
OCEANOS
A 5 de Maio de 1965 os OCeanos, embarcados na Corte Real e na Diogo Cão, escalam pela primeira vez o Porto do Mindelo.
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09:42 –
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terça-feira, 4 de maio de 2021
OCEANOS
4 de Maio de 1964, os OCeanos embarcados na Sagres largam do Tejo pela primeira vez na sua fantástica viagem de instrução. Houve de tudo, participação num filme em que alguns OCeanos foram actores, a Sagres passou a “Gazella” com bandeira da monarquia, desfile na Broadway. Enfim partimos jovens meninos e regressamos 4 mêses depois transformados em verdadeiros “lobos do mar”.
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10:04 –
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segunda-feira, 3 de maio de 2021
ARSENAL DO ALFEITE
A 3 de Maio de 1939 é inaugurado o “Arsenal do Alfeite” que substitui o “Arsenal de Marinha” situado em Lisboa.
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11:48 –
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ARMAS SUBMARINAS
A 3 de Maio de 1838:é criada a “ Escola de Torpedos” que mais tarde foi reformada dando origem à “Escola de Armas Submarinas”.
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11:36 –
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OCEANOS
3 de Maio de 1942, nasce o João Vasco, o Camilo Alves. Homem de grande humor, sempre pronto a ajudar e colaborar com quem precisasse de si. Fica na história da E. Naval aquela advertência que o Chefe do Serviço de Abastecimentos lhe fez: Sr. Cadete, modere-se a comer que ainda me encarece o rancho. Camarada por excelência, não há quem que não tenha ganho a sua amizade.
Que tenhas um óptimo dia de aniversário junto com os teus e que o possas repetir muitas vezes com saúde e a tua boa disposição.
Um grande Abraço.
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09:33 –
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sábado, 1 de maio de 2021
COMANDANTE MARTINS E SILVA
Li agora que o Comandante Martins e Silva nos deixou de vez. Não esqueço, nosso instrutor de Educação Física na Escola Naval, oficial navegador da Sagres na nossa viagem de instrução em 1964. Alguns de nós ainda tivemos oportunidade de o ver Imediato na Sagres. Oficial distinto, Líder, Camarada e Amigo proferiu a aula majestática aquando os nossos 50 anos de entrada na Marinha.
À família as sentidas condolências. Que descanse em paz.
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20:00 –
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quinta-feira, 29 de abril de 2021
Samine. Balanta, guia e ladrão de vacas
Para os Balantas da Guiné roubar gado, especialmente vacas, não é um acto vergonhoso, mas sim um acto de coragem, ainda mais valorizado, se não se for apanhado e não matar ninguém. Samine era um Balanta-Bravo, alto, magro, musculoso, orgulhoso, indisciplinado e corajoso. Para além de guia ao serviço do COP3, com uma G3 distribuída que mantinha sempre impecavelmente limpa, era um exímio e conhecido ladrão de gado.
Acompanhou
o destacamento em várias operações. Era um guia conhecedor do terreno, eficiente
e aguerrido, mas ficava sempre mais excitado e distraído da tarefa que estava a
desempenhar quando sabia ou sentia que andavam vacas por perto. Nessas ocasiões
parecia esquecer-se da direcção do objectivo para onde o Destacamento se devia
dirigir e, instintivamente, seguia em direcção às vacas. Era preciso estar
sempre muito atento ao comportamento do Samine quando o levávamos como guia. Se
ele começava a mostrar muito entusiasmo ao abrir o caminho, a alargar o passo e
a fazer desvios, tínhamos de olhar com muita atenção para a bussola e a carta
sob o risco de irmos parar a um local onde se encontrava uma manada de vacas.
Exprimia-se num crioulo muito particular em que a palavra que melhor conseguia
fazer compreender era vaca. Mas era senhor de uma linguagem gestual muito
expressiva.
Com
o beneplácito ou o fechar de olhos do Comandante do COP 3, ia algumas vezes com
um grupo de Balantas ao Senegal roubar vacas. O que fazia por lá nunca o
cheguei a saber, mas quando chegava a Bigene com uma ou duas dezenas de vacas,
vendia uma parte à companhia do Exército e descia depois a Ganturé para nos
vender as que sobravam. Era um bom negócio para ele, para os seus balantas e
também para nós.
Um
dia convenceu o major a deixá-lo ir com o seu grupo à margem Sul apanhar umas vacas
que andavam por perto das margens do rio Cacheu. O major pediu-nos ajuda para
realizar a operação. Uma LDM e alguns botes com fuzileiros foram designados
para essa missão. Lá os fomos largar a meio da noite e combinamos um ponto de
recolha para a manhã do dia seguinte. E no local e hora combinada lá estavam o
Samine, os seus balantas e umas duas dezenas de vacas junto à margem, à espera
do embarque. Foi uma carga de trabalhos obrigar as vacas a entrar na água e
subir a porta da LDM, onde só entraram à força, puxadas e empurradas. Como não
couberam todas na LDM algumas tiveram de vir nos botes e aqui as coisas foram
mais complicadas. As vacas tiveram de ser obrigadas a entrar na água e depois
puxadas para dentro dos botes. Não gostaram, escoicearam e alguns fuzileiros
foram parar à água. Uns botes acabaram por optar trazê-las a reboque, mas
algumas vacas acabaram por morrer afogadas. Para as que escaparam, a explicação
que os veteranos me deram e eu vou vendê-la exactamente pelo mesmo preço, é que
as transportaram ao lado do bote, puxando-lhes o rabo para cima e mantendo o orifício
traseiro fora de água. Segundo esta explicação as vacas não se afogam por lhes
entrar água pela boca, mas sim pelo outro lado.
Achava
piada ao Samine, ao seu jeito desenrascado e à forma ligeira, despreocupada e
alegre como parecia encarar a vida. Numa das primeiras operações em que me
serviu de guia, as indicações que deu até atingirmos o objectivo foram
correctas. Depois de assaltarmos o objectivo, quando nos dirigíamos para o
ponto de reembarque, comecei a aperceber-me que a direcção que seguíamos se
desviava do ponto de reembarque que tinha definido. Chamei várias vezes a
atenção do oficial que ia na frente da coluna para corrigir o rumo, mas o
destacamento acabava sempre por se desviar do caminho que queria seguir. Por
fim, já irritado com os desvios, mandei parar o destacamento e fui à frente ver
o que se estava a passar. Acabei por perceber que, apesar das indicações constantes
do oficial, o Samine se desviava sempre com a desculpa de que o caminho era
melhor por ali. Falei com o Samine que, depois de algumas desculpas mais ou
menos esfarrapadas, acabou por confessar, com um ar matreiro e sorridente, que
ali, á frente, um pouco para a direita e perto do rio havia vacas. Como não havia
grandes diferenças entre um percurso e o outro e não previa também reacções hostis
por parte dos guerrilheiros que deviam andar por outros lados e com outros
problemas para resolver, dei autorização ao Samine para passar pelo lugar onde
estavam as vacas e comuniquei à LDM a mudança do ponto de reembarque.
Chegamos
facilmente ao local onde se encontravam as vacas. O Samine e os seus balantas
separaram rapidamente algumas para levarem. A situação acabou por se
descontrolar um pouco porque também alguns fuzileiros resolveram mostrar a sua
costela camponesa e não resistiram também capturar e encaminhar mais algumas
vacas que agora engrossavam a nossa coluna.
O
resto do percurso até ao reembarque na LDM, embora curto e sem percalços é
dificilmente descritível tal a dificuldade em fazer com que as vacas avançassem
de forma ordenada pela bolanha alagada e lodosa até ao local onde nos esperava
a LDM. Aumentado com um considerável número de vacas indisciplinadas e
barulhentas, retiradas à força do seu meio, pressentindo o que lhes viria a
acontecer e que resistiam como podiam a cada passo que eram obrigadas a dar, o
Destacamento desorganizou-se e aquilo que deveria ser uma coluna acabou por se
transformar num conjunto de vários grupos a puxarem e empurrarem vacas para a
margem do rio. Ainda hoje recordo as expressões de espanto do patrão e do
pessoal da LDM, quando, finalmente, entrei a bordo com o pequeno grupo que
tinha ficado para trás a montar segurança. Quanto a mim, pelo menos por uma
horas, senti-me Balanta.
A
divisão do espólio da operação não foi fácil. O Samine considerava que todas as
vacas eram presas dele, mas o pessoal do Destacamento, eu incluído, também nos
sentíamos com direito a uma parte do saque. Alguns fuzileiros tinham logo
encaminhado uma vaquinha para junto do respectivo abrigo e lá a amarraram com
toda a segurança. O cabo do rancho, que aparecera imediatamente na ponte-cais, reclamava
também os seus direitos. O Samine protestava e queria receber a paga por todas
a vacas recolhidas. Assumindo-me como parceiro no roubo das vacas, discuti
longamente com o Samine o direito que nos assistia e acabamos por acordar numa
divisão mais justa e equitativa do saque. Levou com ele para Bigene as vacas que
lhe couberam e negociou-as com a companhia do Exército. Uma das nossas vacas oferecemo-la
à guarnição da lancha para a compensar do trabalho e do estado em que tínhamos
deixado o porão.
O Samine não teve um fim feliz. Um dia apareceu a caminhar em direcção à base vindo pela bolanha que nos servia de carreira de tiro, terreno que estava absolutamente interdito a qualquer passagem por ser provável lá se encontravam granadas e projécteis que não explodiam quando se experimentavam as armas. Apesar dos avisos, dos berros e gestos do pessoal que se encontrava por perto, para sair do local e mudar de direcção, continuou a caminhar para o aquartelamento agitando numa das mãos um objecto que tinha encontrado. De repente o objecto explodiu e o Samine desapareceu. Era, simplesmente, uma granada de bazuca que ele tinha encontrado meio enterrada no lodo.
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domingo, 25 de abril de 2021
OCEANOS
Nascido a 25 de Abril de 1944, comemora hoje os seus 77 anos o Vasco, Vasquinho, Leitão Rodrigues. OCeano que é bastante considerado pelos seus pares devido às suas qualidades. Óptimo Camarada e Amigo. Talvez o Oficial com mais tempo e experiência nas fragatas João Belo. Já retirado das lides navais teve que enfrentar uma grande borrasca que conseguiu vencer.
Um óptimo dia para ti com todos os teus e que o repitas muitas vezes com saúde e a tua boa disposição.
Um grande Abraço.
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sábado, 24 de abril de 2021
BRASIL
A 24 de Abril de 1500, Álvares Cabral desembarca, pisando pela primeira vez a “ Terra de Vera Cruz”, num local a que chamou de “Porto Seguro”.
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quinta-feira, 22 de abril de 2021
Os leitões de Barro
Na margem esquerda do rio Cacheu, na área próxima da base de Ganturé, ficavam três povoações que eram bem conhecidas dos fuzileiros. Bigene, que se ligava a Ganturé por uma estrada e era a sede do Comando Operacional, Binta, a montante, que ficava junto ao rio, com uma companhia do Exército visitada frequentemente pelos fuzileiros nas suas patrulhas e Barro, a jusante, situada uns quilómetros afastada do rio, mas a que se podia aceder através de um desembarcadouro e de uma picada.
Em
Barro, numa das comissões da companhia do Exército lá sedeada, um dos soldados
que tinha sido cozinheiro num restaurante da Bairrada, ao aperceber-se que na
povoação havia muitos leitões que corriam livremente pelas ruas limpando tudo o
que pudesse servir de alimento, lembrou-se de propor ao Capitão da Companhia
construir um forno para assar leitões. A experiência correu tão tostada e
saborosa que o Capitão começou a convidar os Comandantes de Companhia próximos
para um repasto de leitão e ao fim de pouco tempo a fama do leitão de Barro
começou a ser conhecida em toda a região e por todos os que para lá se
deslocavam. Rapidamente se operacionalizou um sistema de encomendas de leitões,
tratando o Capitão de Barro da compra, assadura dos ditos e transporte até ao
embarcadouro e os fuzileiros do seu transporte pelo rio até ao seu destino.
Tornou-se
assim prática corrente, organizarmos com as LFG que vinham fazer a sua comissão
de patrulha em Ganturé uma ou duas vindas de leitão de Barro que era degustado
em franca e amena camaradagem. Era uma operação conjunta que não exigia grande
planeamento, tantas vezes era realizada. Muitas vezes no regresso a Bissau os
navios faziam uma paragem em frente do embarcadouro de Barro para também
embarcarem encomendas que traziam de Bissau, tal a fama que os leitões
alcançaram.
Quando
o DFE 8 foi colocado em Vila Cacheu recebemos, um dia, uma mensagem de que uma
LFG, cujo comandante, para além de grande amigo, era um apreciador especializado
e muito conceituado nos leitões de Barro, iria pernoitar na ponte-cais, esperando
pela maré favorável para subir o rio Cacheu até Ganturé. Quis fazer-lhe uma
surpresa e encomendei para Barro um leitão. Aproveitamos uma patrulha de botes
no Cacheu para a deslocar um pouco para fora da nossa zona de acção e recolher
a encomenda. Tivemos assim um jantar e uma noite de boa e franca camaradagem
naval. No regresso do navio a Bissau, o Comandante fez questão de atracar em
Vila Cacheu e partilharmos o leitão que, desta vez, tinha ele recolhido quando
passara frente ao embarcadouro de Barro. A experiência foi um sucesso, com o
senão de termos constatado que um único leitão acabava por deixar alguns
espaços vazios nos nossos estômagos.
Ficou
combinado que na próxima vinda da LFG para o Norte da Guiné se repetiria o
convívio. E isso aconteceu algum tempo depois quando recebemos, com a devida
antecedência, a informação da próxima paragem do navio em Vila Cacheu. Montamos
a "Operação Reco", desta vez contemplando dois exemplares do dito.
Tudo
estava a correr de acordo com o planeado. Os dois botes de patrulha tinham
chegado ao embarcadouro de Barro, embarcaram a encomenda e já se encontravam de
regresso a Vila Cacheu, quando o Coronel comandante do CAOP aterrou num
helicóptero no quartel do Exército, mandou chamar-me e deu-me instruções para
montar uma operação para essa mesma noite, com o objectivo de interceptar uma
coluna do PAIGC na qual, de acordo com informações recebidas e consideradas
seguras, se incorporaria um conhecido dirigente do PAIGC.
Por
isso, quando o navio atracava estávamos nós a prepararmo-nos para partir numa
LDM para a operação. Ainda tive oportunidade de me despedir do Comandante da
LFG, que largaria na manhã do dia seguinte e de combinar que deixasse o que
sobrasse dos leitões na nossa sala para o almoço.
O
Destacamento, desembarcou, fez um percurso de alguns quilómetros, fustigado por
chuvadas e trovoadas frequentes e montou, cerca das 10 horas da noite,
emboscadas em dois locais onde seria previsível a passagem da coluna do PAIGC,
enquanto alguns botes ficaram a patrulhar o rio.
Por
essa ocasião, o Comandante do navio entrava em contacto rádio perguntando se
tudo estava a correr bem e como estava o tempo, porque por Vila Cacheu tinha
acabado de passar um tornado com muita chuva e trovoada. Também nós tínhamos
apanhado com um violento tornado, mas agora o tempo estava relativamente calmo.
Desejou-me boa-sorte, dando-me conta de que ele e o Imediato se iam debatendo
com sucesso e boa disposição com o primeiro dos leitões, embora com pena de não
poderem partilhar da nossa companhia. Por volta das duas da manhã, voltou a
entrar em contacto para se informar como nos estávamos a desenrascar com os
sucessivos tornados que iam passando. Também eles se mantinham solidariamente acordados
aproveitado para ir debicando nos leitões, que tinham acabado deo de enxertar
um pouco o segundo, mas que ficasse descansado que sobraria ainda para o nosso
almoço quando chegássemos.
Aos
primeiros alvores levantamos as emboscadas, reunimos o destacamento e começamos
a caminhar para o ponto de reembarque, uma caminhada muito dificultada por
sucessivos aguaceiros e trovoadas que nos iam atrasando a marcha. Já a manhã ia
adiantada quando conseguimos chegar ao ponto de reembarque.
Por
essa altura, o Comandante da LFG volta a entrar em contacto, lamentando não
poder atrasar a largada e esperar pela nossa chegada porque tinham de aproveitar
a maré favorável para subir o rio até Ganturé. Agradecia os leitões e
penitenciava-se por não ter sobrado muito, mas prometia que na viagem de volta
nos retribuiria convenientemente.
Quando
a LDM navegava tentado esforçadamente vencer a corrente que na altura corria
forte, cruzamo-nos com a LFG que seguia ligeira rio acima. As duas guarnições
trocaram alegres saudações e tive ainda oportunidade de desejar boa viagem ao
camarada que me acenava sorridente da ponte do navio e me retorquiu com um
sonoro "bom apetite".
Quando
chegamos ao nosso aquartelamento e nos dirigimos à varanda que nos servia messe,
encontramos a mesa posta e no meio uma enorme travessa, tendo no centro,
orgulhosamente implantado, um pequeno rabo de leitão assado rodeado por algumas
folhas de alface.
No
regresso da missão em Ganturé, a LFG atracou em Vila Cacheu, devidamente
abastecida com uma dose dupla de leitões. Esta boa prática repetiu-se …
religiosamente, enquanto nos mantivemos por Vila Cacheu. O que ainda hoje me
custa a compreender é como foi possível fazer entrar um leitão assado inteiro
num estômago humano em tão pouco tempo! (embora, conhecidas, que são, as
proezas gastronómicas de um dos comensais, me assaltem sérias dúvidas se a
distribuição dos dois leitões teria sido equitativa).
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