Sinais de Muita Preocupação - A Reforma do Estado
("clicar" para ampliar a imagem)A Propósito das ondas do JNBarbosa, a Marinha de Duplo Uso, de 15 de Março e O SISI, de hoje, não resisti a reproduzir (espero que a imagem permita a sua leitura), com a devida vénia, um artigo de opinião, de Francisco Sarsfield Cabral, intitulado "Reforma do Estado", publicado na revista Visão, de 8 de Março.
Considero que os assuntos discutidos são suficientemente importantes - considero que quer uma Marinha de Duplo Uso, quer a criação do SISI constituem aspectos fundamentais da tal reforma do Estado - para deixarem de ser tratados, às escondidas, na quietude dos gabinetes ministeriais, por adjuntos que não sabem, nem querem saber e por entidades interessadas, não no bem da Pátria Livre e Soberana, mas na defesa do seu interesse, particular ou corporativo.
Assuntos da Reforma do Estado deveriam ser objecto dos tais pactos de regime, pela Assembleia da República, com audição de todos os que se interessam pela Res Publica e, eventualmente por decisão popular, através de referendo de votação obrigatória, pelas consequências sérias, graves e, quase diria, permanentes para a Nação Portuguesa e para os cidadãos que sofrerão tais consequências das nossas decisões e onde se incluem, naturalmente, os nossos filhos e netos.
Temos a obrigação de discutir estes assuntos entre nós (apenas porque somos especialistas das matérias em causa - considero que um dos assuntos mais pertinentes da tal reforma do Estado deveria ser a existência ou não de Forças Armadas) para posterior divulgação por quem de direito. Mesmo correndo o risco de não ligarem àquilo que os "velhos" venham a dizer ou, mais grave, de sermos acusados de estar, tal como os outros, a defender os nossos "tachos" (e que tachos!). Eu correrei de bom grado tal risco lembrando, se tal me for permitido, um dito bem antigo: "os cães ladram, mas a caravana passa".
Tenham um bom fim de semana!


3 comentários:
Acho que, aqui, a bota bate com a perdigota. É óbvio que se torna necessário definir, com clareza, as grandes prioridades do Estado para o poder reformar ... acho que nisso todos estão de acordo. E também julgo que uma dessas prioridades será a instituição militar. Acho, no entanto, que a discussão se deveria centrar em definir que Forças Armadas precisamos (e queremos) e não na sua existência. As actuais FA estão definidas (ver o notável conjunto de artigos do JPN sobre esta matéria) embora, recentemente, tenha surgido uma zona cinzenta (Justiça). É destas FA que o País precisa? São estas FA que o País quer (eu diria, para os nossos bisnetos)?
Comentário ao comentário: Antes de definir que Forças Armadas queremos, podemos perguntar (se nós, Portugueses o entendermos convenuiente) se as queremos de todo! Últimamente, tenho tido a impressão que alguns dos bem pensantes portugueses preferiam não as ter. Mas não têm coragem para o afirmar claramente, preferindo "roer a corda", insinuando:
1. Não estamos a ser eficientes (sugiro que tomemos conhecimento de uma notícia ontem publicada na antena 1, sobre o resultado das investigações da Imspecção-Geral do Ministério da Defesa e consequente decisão do MDN, a propósito do naufrágio da embarcação de pesca "Luz do Sameiro");
2. O investimento na modernização das Forças Armadas (e, particularmente, na modernização dos meios navais - submarinos e fragatas)constitui puro desperdício. É óbvio que se trata apenas de uma mera insinuação, pois dizê-lo claramente poderia exigir a respectiva demonstração.
E por aqui me fico.
Bom fim de semana!
Têm precedência sobre as prioridades de Estado as suas funções.
E sobre essas não vale a pena inventar muito: O nosso velho e muito conhecido Adam Smith, numa visão tipicamente liberal (de que é tido senão fundador pelo menos precursor e teorizador do sistema capitalista) defendia que o Estado (o seu Estado polícia) deveria ter limitadas ao mínimo as suas actividades, enumerando-as: polícia, justiça, forças armadas e diplomacia.
Quererão estes senhores (esses mesmos) ser mais papistas que o papa na reforma do Estado?
Sei que tudo isto decorre de concorrência de competências entre a Marinha e a GNR, mas como também veio à baila a reforma do Estado, é a esse assunto que este comentário se refere.
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