terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O "Ti ALFREDO" deve estar furioso

No passado dia 25 de Novembro, o Ministério da Defesa Nacional anunciou a extinção do Arsenal do Alfeite, a mais importante empresa pública do Concelho de Almada, fundamental do ponto de vista económico e social, com forte impacto a nível local e regional, como no plano estratégico da defesa e soberania nacionais, garantindo a operacionalidade da Marinha Portuguesa.
Anuncia assim a intenção de criar a Arsenal do Alfeite, Sociedade Anónima, empresa tutelada pela EMPORDEF, na lógica da desresponsabilização do Estado face à economia e ao aparelho produtivo nacional, caminhando para a entrega aos privados de mais uma importante empresa de construção e reparação naval, empresa estratégica para a defesa e soberania nacionais e para o desenvolvimento do País.
O ataque que desde há muito tem vindo a ser realizado pelos sucessivos governos contra o Arsenal do Alfeite, integra-se na ofensiva que tem vindo a ser feita contra a indústria naval, com a entrega ao grande capital de empresas nacionalizadas de prestígio internacional, produzindo a destruição de milhares de postos de trabalho, precarizando outros tantos e destruindo uma grande potencialidade nacional. O concelho de Almada já assistiu às consequências desta política com o encerramento da Lisnave na Margueira.
Este ataque conduziu, propositadamente e particularmente desde a década de 90, ao desaproveitamento e não modernização dos meios tecnológicos e humanos, à sua não adaptação às exigências que se colocam ao exercício da actividade de sempre do Arsenal, desde o século XIV, e enquadra-se no objectivo de privatizar tudo aquilo que, segundo a sua concepção e opção, o Estado não esteja vocacionado para fazer, mas os privados sim.
O Governo do PS, agindo em conformidade com a essa concepção, pretende, sob o argumento do desajustamento estrutural do Arsenal de que é responsável e da necessidade de modernização e requalificação, entregar ao sector privado um estabelecimento industrial público, com enormes potencialidades técnicas e humanas, cuja credenciação e qualidade dos trabalhos executados é reconhecida internacionalmente, e que desde sempre esteve e está vocacionado para servir a Marinha Portuguesa e Portugal e contribuir para a defesa da soberania do País.
O Ministério da Defesa Nacional diz garantir a ligação da nova empresa à Marinha Portuguesa mas, de facto, nada pressupõe que assim seja, ficando a nova empresa submetida aos ditames do mercado nacional e internacional e à lógica do lucro, colocando em segundo plano a Marinha, os trabalhadores e a defesa e soberania nacionais.
O Governo diz que a Arsenal do Alfeite, S.A., terá 100% capitais públicos mas não diz que também a OGMA era tutelada pela EMPORDEF e agora 65% do seu capital pertence a EMBRAER, empresa multinacional brasileira. Tendo sido semeado todo um investimento pelo Estado, os lucros são depois colhidos pelos privados.
Esta decisão do governo, que repudiamos com toda a energia, é feita sem consulta e à margem da opinião dos trabalhadores e dos seus órgãos representativos, merecendo forte contestação por parte dos trabalhadores do Arsenal e da população de Almada, que saudamos calorosamente.
São graves as afirmações do Ministério da Defesa Nacional que, dizendo que todos os direitos e garantias dos trabalhadores estão assegurados, clarifica que o quadro de pessoal definitivo só será definido pela administração da Arsenal do Alfeite S.A., e que estudos recentes apontam para um quadro de pessoal com menos 400 trabalhadores.
Afirma que “só com a colaboração dos trabalhadores será possível levar o Arsenal do Alfeite a novos patamares de desenvolvimento”, quando apenas recebeu a Comissão de Trabalhadores minutos antes de anunciar a decisão, ignorando por completo a Comissão Sindical e as reivindicações apresentadas.
Anuncia também que os trabalhadores poderão celebrar contratos individuais de trabalho com a nova empresa, ocupar vagas disponíveis noutros organismos da Administração Pública ou integrar o regime de mobilidade especial. Tal retrocesso social e laboral, só pode merecer o mais firme repúdio por parte dos trabalhadores, que vêem assim os seus direitos conquistados ao longo de décadas completamente destruídos.
O PCP rejeita a criação da Arsenal do Alfeite, S.A. e defende o reforço do investimento do Estado no actual Arsenal do Alfeite, garantindo a estabilidade, a modernização e o futuro do estaleiro. Combatemos a intenção da privatização do Arsenal do Alfeite e exigimos que se mantenha a sua natureza pública e a ligação à Marinha, garantindo a operacionalidade e funcionamento da Armada Portuguesa, protegendo a economia e soberania nacionais, o emprego e os direitos dos trabalhadores.
Assim, exigimos:
- A manutenção do papel público do Arsenal, como estaleiro integrado na Marinha;
- A responsabilização do Estado no que toca à recuperação das infra-estruturas e equipamento do estaleiro;
- O investimento na modernização tecnológica e material necessário para o cumprimento de todos os trabalhos executados;
- Melhor formação profissional e valorização dos trabalhadores, nomeadamente através da vertente salarial;
- Uma aposta em novos projectos e construções (lanchas rápidas, patrulhas e navio de combate à poluição) e não só na manutenção e reparação da frota existente;
- A contratação de mais trabalhadores efectivos de maneira a dar resposta ao trabalho existente e a formar novas gerações;
- A confirmação do vínculo público de todos os trabalhadores.
Apelamos para que os trabalhadores e a população de Almada, elevem a luta desenvolvida até aqui a um patamar mais elevado. A unidade e luta dos trabalhadores do Arsenal do Alfeite, em conformidade com a sua heróica história de resistência, poderá denunciar o ataque de que são alvo, para que a culpa não morra solteira, e criar as condições para a defesa dos postos de trabalho, dos direitos e de um Arsenal do Alfeite público, ao serviço da Marinha, dos trabalhadores e do país.

Fonte: A Concelhia de Almada do Partido Comunista Português

E eu digo porque aqui pus o "Ti Alfredo" . é que ele trabalhou no Arsenal , como marceneiro, e agora deve estar a dar voltas na tumba.


6 comentários:

O Gago disse...

Agora é no blog, mas qualquer dia vamos ver o Manel a colar cartazes do PCP.
Tenho visto tanta coisa...
Mas, para que fiquem dúvidas, como antigo arsenalista concordo inteiramente com o folheto.

O Manel disse...

É o destino de um democrata(já fui mais convicto...)comer sapos vivos , quando necessário e , sobretudo , quando está em cena o Severiano , esse cometa que nos calhou em cima, acompanhado do diplomata complexado que nos lixa.

è que nestes casos o PCP sabe do que fala...

Um abraço ao gago Amigo

O Fernão disse...

Eu é que tinha a fama mas afinal!!!
Mas esqueceste o Bento Gonçalves, secretário geral, barbaramente "assassinado" no Tarrafal, o Jaime Serra (julgo que ainda vivo) fundador da ARA e muitos outros arsenalistas, alguns independentes, que lutaram contra a Ditadura.
Apropósito de Bento Gonçalves; que farão com o torno onde ele trabalhava e que julgo que ainda é conservado? Se calhar vai para a oficina do Severiano!

O LSN disse...

Recebido o seguinte comentário:
"Dirijo-me ao Administrador do "OCeano" para corrigir afirmação contida na "onda" do camarada "Manel", quando refere a ligação profissional de Alfredo Marceneiro ao Arsenal.
Na verdade, "Ti Alfredo" não trabalhou no Arsenal mas sim no grupo Cuf (daí o fado CUF), nomeadamente no estaleiro da Rocha onde, mais tarde, haveriam de ser construídas as FF`s "Pereira da Silva" e "Gago Coutinho".
Dos fadistas mais conhecidos quem trabalhou no AA foi o Camané.
De qualquer modo acompanho em grande parte o teor do artigo transcrito
Um abraço do v/camarada
Brito Afonso"

O Manel disse...

Estás enganado , Brito Afonso , e desculpa a correcção de camarada mais moderno.

O Ti Alfredo começou no AA. Depois é que passou para a CUF.
Se queres saber tudo sobre o Homem convida para jantar o Zé Pracana, e ainda ouves umas guitarradas do melhor.
De qualquer maneira , e é o que interessa , um abraço para ti

O LSN disse...

Mais um comentário do Brito Afonso sobre o "Ti Alfredo" e o AA:
"Que me perdoem pela ocupação do vosso tempo e espaço, mas impunha-se um pedido de desculpas ao Pinto Machado.
A minha forte convicção de que o Marceneiro nunca tinha trabalhado no Arsenal, resultou dos seguintes factos:
- Quando, em meados da década de sessenta, fazendo parte de uma tertúlia que conviveu frequentemente com o artista, este nunca nos ter dito, a nós que sabia pertencermos à Briosa, da sua passagem pelas instalações da Marinha e, não obstante, nos ter relatado extenso curriculum não fadista, incluindo a sua passagem como marceneiro ("carpinteiro de branco") pelos navios, quando operário da CUF
- por outro lado, ter lido uma sua biografia em que se dizia que "no princípio dos anos trinta Alfredo Duarte trabalhou no Arsenal do Alfeite" o que é uma impossibilidade, porquanto o AA ainda não existia nesse tempo.
Entretanto a fonte invocada pelo MPM (Pargana, a pessoa que mais sabe sobre a vida do Fadista), leva-me a admitir a possibilidade do "Ti Alfredo" ter, realmente, passado algum tempo (em fins dos anos vinte, princípios dos anos trinta) não pelo AA, como já vimos, mas pelo antigo Arsenal da Marinha.
Só nunca saberei porque omitiu tal facto aos seus jovens amigos marinheiros.
Manel, as minhas desculpas.
Um abraço aos OCeanos
Brito Afonso"

Nota: Os OCeanos agradecem a contribuição do LC Brito Afonso e retribuem os abraços.