sexta-feira, 16 de abril de 2010

Postal de Goa (XXII)

AS RUÍNAS DOS AGOSTINHOS

O que resta da fachada da Igreja dos Agostinhos (2010)

Na parte ocidental de Velha Goa destacam-se, no alto do Monte Santo, as ruínas da Igreja e do Convento de Nossa Senhora da Graça, que pertenceu à Ordem dos Agostinhos. É um local nobre e muito conspícuo, sobranceiro à velha cidade e perto da igreja de Nossa Senhora do Rosário, que foi o local escolhido por Afonso de Albuquerque para colocar a sua artilharia aquando da tomada de Goa em 1510.
Os Agostinhos foram a última ordem religiosa que se estabeleceu em Goa, depois dos Franciscanos, dos Dominicanos e dos Jesuítas.
Em 1572 partiu de Lisboa um grupo de 12 frades, dos quais 2 ficaram em Ormuz e 10 seguiram para Goa, onde se fixaram.
D. Frei Aleixo de Menezes, um dos frades agostinhos, tornou-se Arcebispo de Goa em 1595 e, naturalmente, decidiu apoiar a sua ordem. Assim, em 9 de Setembro de 1597, o Arcebispo e o vice-rei D. Estêvão da Gama, assistiram à colocação da primeira pedra da nova igreja e convento dos Agostinhos, que foram sagrados a Nossa Senhora da Graça. A obra foi concluída em 1605 e a monumental fachada da igreja com 46 metros de altura dominava o centro da cidade.
Cerca de dois séculos depois, com a decadência e o abandono de Velha Goa que foi trocada por Pangim (ou Nova Goa) e com o triunfo do Liberalismo em Portugal, foram extintas as ordens religiosas masculinas e nacionalizados os seus bens e, em 1835, o convento e a igreja de Nossa Senhora da Graça foram abandonados.
O convento passou para a posse da Misericórdia, mas por falta de capacidade financeira foi abandonado em 1841. Depois passou para a tutela do Arsenal da Marinha, que também não teve fundos para o manter.
Em 8 de Setembro de 1842 a abóbada da igreja desabou. O Governo do Estado da Índia tomou conta das ruínas e vendeu os destroços como materiais de construção, numa época em que se erguia a cidade de Pangim como a nova capital.


Reconstituição conjectural da fachada e antes da derrocada (c. 1900)

A imponente fachada resistiu mais umas dezenas de anos, mas em 8 de Agosto de 1931 ruiu, ficando apenas de pé um fragmento da torre norte que, na actualidade, continua a impressionar o visitante e a desafiar as leis da Estática.
A generalidade da informação turística referente a Velha Goa, cujas igrejas e conventos foram declarados pela UNESCO como Património da Humanidade em 1986, destaca aquela majestosa torre que quase é tida como um ex-libris daquela riquíssima área arqueológica.
Desde 1998 que o Archaeological Survey of India vem conduzindo um processo de intervenção e uma criteriosa pesquisa arqueológica que, lentamente, tem permitido o reconhecimento dos espaços da igreja e do convento, a sustentação do que ainda resta da torre norte, a identificação de capelas laterais e das muitas lápides tumulares existentes, o que vem revelando a história daquele monumento.
As ruínas dos Agostinhos, para além de serem uma relíquia arquitectónica e um ponto de visita obrigatório no contexto do turismo cultural goês, têm sido também um objecto de estudo para vários arquitectos, arqueólogos e historiadores portugueses.

2 comentários:

O Jorge Lourenço Goncalves disse...

Mais um postal com muito interesse do, sempre inefável, Adelino (filho das minhas várias escolas!.

Vamos ou não à Índia no próximo ano, comemorar o falecimento do nosso patrono? Se, afirmativo, voto já no Adelino para dinamizar essa iniciativa!

Um abraço

O José Aguilar disse...

Obrigado pelo excelente contributo para o aumento da nossa cultura em relação àquela parte da Índia!