sábado, 16 de outubro de 2010

Democracia.Opinião

Camarada e amigo Jorge o meu muito obrigado pela oportunidade que me deste de ler dois artigos de opinião no semanário de que pelos vistos és assíduo e regular leitor, o que não acontece comigo.

Os artigos estão bem estruturados, redigidos e apresentados. Porém, ‘todavia, contudo’,na minha modesta opinião de cidadão que tenta compreender e perceber o País e a sociedade a que por nascimento, identidade e cultura pertence, não aduzem, infelizmente, qualquer valor acrescentado à situação política, económica e social, progressivamente degradada e corrosiva da sociedade.

CFA refugia-se na enumeração de factos e obras literárias históricas para, de mistura com a enunciação de alguns lugares comuns, iludir a necessidade das ideologias e doutrinas para a análise e compreensão da complexidade da vida política, social e económica nos nossos dias e baralhar ainda mais a situação e as mentes. Como se não houvesse responsáveis e a culpa maior fosse, em exclusivo, da responsabilidade dos cidadãos. Não, não é assim, já que o Estado, enquanto tal, tem responsabilidades políticas, económicas e sociais para com o País. Os políticos que tiveram e têm o exercício do poder de Estado têm de assumir as suas responsabilidades perante a Nação e perante os cidadãos que neles acreditaram e, por isso, lhes outorgaram a sua confiança e endossaram o seu poder para a gestão da cousa pública.

O Comendador, também, em minha opinião, tem a mesma preocupação de CFA, se bem com outro tipo de retórica menos erudita e elaborada. Utiliza um estilo discursivo popular apelativo e ligeiro na apreciação da complexidade do actual momento nacional, escamoteando a importância das práticas governativas, deste e de outros governos, na apreciação prévia e, admito, politicamente especulativa, do ‘plano de viagem’ - OE2011 - em paralelo com o pouco que se vai conhecendo pelas declarações de membros do Governo, e do partido que o apoia, em público e na Assembleia da República.

No início da grande depressão dos anos trinta do século passado Keynes terá afirmado: "temos um problema no alternador". O sistema financeiro, componente importante para o funcionamento da economia, não funcionava. Keynes, também, terá afirmado “mergulhámos numa desordem colossal e cometemos erros crassos no controlo de uma máquina delicada cujo funcionamento não compreendemos”. As afirmações de Keynes não continuarão hoje válidas?

O livro de Paul Krugmam (Prémio Nobel da Economia 2008) – ‘O Regresso da Economia da Depressão e a Crise Actual’ – termina, e cito com a devida vénia: “... A verdadeira escassez no mundo de Keynes – e no nosso - não foi de recursos, nem sequer de virtude, mas sim de compreensão. No entanto, só alcançaremos a compreensão necessária se estivermos dispostos a reflectir lucidamente sobre os nossos problemas e seguir esses pensamentos aonde quer que nos conduzam. Algumas pessoas dizem que os nossos problemas económicos são estruturais, sem qualquer cura rápida disponível. Mas acredito pessoalmente que os principais obstáculos estruturais que impedem a prosperidade do mundo são doutrinas obsoletas que atravancam a mente da humanidade.”

PS: Estou seriamente quase convencido a contribuir para criar valor para os accionistas da Impresa, seguindo o teu exemplo de assíduo e regular consumidor do semanário em questão.

Óptimo fim de semana. Bem hajas. Até sempre

Um Abraço

2 comentários:

O J.N.Barbosa disse...

O humor inteligente é necessário e saudável. Dão-se muitas lições usando parábolas.
A crítica faz parte do jogo democrático, mesmo mordaz e azeda. Não me parece que toda a escrita deva ser um tratado filosófico com soluções para as dores do mundo. Cada coisa no seu lugar,senão este mundo seria uma chatice.

O Orlando Temes de Oliveira disse...

Concordo com a tua afirmação de que "o Estado, enquanto tal, tem responsabilidades políticas, económicas e sociais para com o País. Os políticos que tiveram e têm o exercício do poder de Estado têm de assumir as suas responsabilidades perante a Nação e perante os cidadãos que neles acreditaram e, por isso, lhes outorgaram a sua confiança e endossaram o seu poder para a gestão da cousa pública". Nada mais certo. Mas o problema é que a Organização que o Estado montou, com a concordância dos ditos cidadãos, permite que nunca nenhuma das figuras políticas seja responsabilizado por alguma coisa.E portanto voltamos ao problema do "cidadão acomodado". E por isso me faz muita confusão de que tm ainda legitimidade para apontar erros não o façam.