domingo, 13 de março de 2011

Demagogia


Esta figura do PS e do governo, que se torna cada vez mais caricatural para não dizer outra coisa, afirmou que não é com demagogia que se vai resolver o problema dos jovens. Eu acrescento, dos menos e dos mais jovens já que os mortos os têm todos resolvidos de vez, porque mesmo que inventem para eles impostos e taxas serão os seus herdeiros a arcar com as responsabilidades.

Claro que a demagogia não resolve os problemas, mas o que é que os partidos e os políticos nos deram até agora e nos podem oferecer no futuro senão demagogia e mentira?

Estive ontem na manifestação do "país à rasca"  em Lisboa. Não gosto muito de participar em manifestações e por isso só participei em algumas antes do 25 de Abril por dever cívico. Depois, participei em algumas datas comemorativas. Por isso, durante o desfile não me entusiasmei com o ambiente e fui tentando observar o que via e interpretar o que estava em causa.

A primeira constatação foi a de que as pessoas gostam da política, querem ter opiniões políticas e sobre as políticas, querem ouvir e ser ouvidas, querem participar.

A segunda constatação foi a de que o asco pelos partidos e pelos políticos era um sentimento transversal em todas as pessoas, em todos os cartazes, palavras ordem ou conversas entre as pessoas.

È claro que, se quisermos ser racionais, não somos capazes actualmente de perspectivar alternativas para a democracia sem partidos, no sentido de organizações capazes de exprimir as opiniões, sentimentos e necessidades das pessoas relativamente à forma como a polis deve ser dirigida. Mas temos de admitir que é possível encontrar outras formas de atingir os mesmos objectivos, quer mudando as características que, no presente, definem a estrutura, organização e modos de actuar dos partidos, quer encontrando outras formas de organização das vontades e aspirações dos povos.

Já no que se refere aos políticos, o sentimento geral  é de nojo, raiva, desprezo  e complementado pela ideia de que podemos bem prescindir deles enquanto profissão e corporação.

Fala-se muito nos funcionários públicos, nos professores, nos militares como corporações só interessadas no seu umbigo e vivendo às custas do orçamento, quando a corporação que mais suga nas veias do país é precisamente as dos políticos profissionais organizados em partidos.

Para fazer política não são precisos políticos, mas cidadãos que se disponibilizem a trabalhar para a polis, sem se tornarem políticos profissionais. Para isso o trabalho político terá de ser remunerado, mas sempre temporário, por períodos limitados e do qual, embora resultam satisfação e benefícios pessoais estes  não ultrapassem os limites determinados pela lei e pela ética.

À margem. Encontrei alguns camaradas o que me confortou e me confirmou que os valores que nos levaram, em 1974, a romper com o regime político então vigente, não adormeceram à sombra das carreiras e vidas instaladas.

5 comentários:

O José Cruz disse...

Selva
Excelente reflexão. Estou contogo.
Um abraço.

O Fernão disse...

Politico, como profissão não existe.
Existem individuos que , por razões, as mais diversas, gostam de estar em lugares que supoem lhes permitem conduzir o processo socio-económico das sociedades onde se inserem. Num limite até existem os que estão bem intencionados e no outro os que só sabem fazer isso ou optaram por uma forma, por vezes, mais lucrativa, de ganhar a "bucha". Mas esta corja ou grupo de idealistas bem intencionados, coforme a prespectiva ou a realidade, em DEMOCRACIA, estão nos tais lugares porque o cidadão comum o permite. Num exército, se o general for incompetente as tropas só não o poem na rua porque já morreram em consequência dos erros dele ou da superiodidade do inimigo. Em Democracia pode correr-se com a incompetencia ou a corruptabilidade antes do desastre ou lutar contra o inimigo antes da rendição incondicional.Actualmente o General, pese embora a sua genialidade enquanto manipulador de massas, genalidade que afirmo sem ironias,ainda não matou as tropas mas, claramente, já se rendeu ao inimigo. Não somos obrigados a segui-lo nessa RENDIÇÃO.
As manifestações, em DEMOCRACIA, são fundamentais mas se não acompanhadas pelo VOTO levam-nos ao desastre. Ainda é tempo!

O Ferreira da Silva disse...

Nesta perspectiva, ladrão como profissão também não existe, mas que os há, há.

O Manel disse...

Não é tempo mais.
O VOTO nada vale, enquanto não fôr obrigatório.
O PR , agora empossado,vale 20% dos Portugueses.
Façam as contas

O Ferreira da Silva disse...

O voto tem de ser expresso numa coisa que tenha um significado concreto e que signifique uma opção clara e realista para o indivíduo. Tal como as coisas estão, e os discursos dos responsáveis pelos partidos mostram à saciedade (basta ver o que disse ontem PM, o voto vai ser necessário pois não temos outras soluções que preservem o essencial da democracia. Mas não vai servir para mais nada.

Temos de esperar que as representações e os representantes em que votamos adquiram alguma seriedade e credibilidade para que esta democracia representativa em que julgamos viver se possa tornar uma realidade.