domingo, 22 de setembro de 2013

ESTORIAS OCEANICAS – 9


Estávamos atracados em Brooklin, acabadinhos de chegar.
Já depois de jantar, começámos a ouvir uns sons estranhos lá para os lados da tolda. Denunciavam vozes em alvoroço, misto de algazarra e de ordens e contraordens.
 
Estando de serviço, fui com o cabo de quarto ver o que se passava.

O que tinha acontecido? Um negro, de quem se comprovou depois a bebedeira, tinha caído à água e esbracejava ao mesmo tempo que emitia aflito uns sons imperceptíveis mas bem fornecidos de decibéis.

Já se tinham juntado uns tantos outros no cais, porventura compinchas no mesmo estado do actor principal, que davam as sugestões salvadoras mais desencontradas e igualmente bem audíveis.

Mas já tinham atirado à água um cabo, tinham conseguido laçar o candidato a náufrago a dois metros do cais e preparavam-se para começar a içá-lo, estranhamente sob os protestos do mesmo.

O que tinha acontecido é que tinham apanhado o homem pelo pescoço a assim o tentavam trazer a salvo.

Se bem me lembro, alguém da Sagres atirou-se à água e mudou o ponto de esforço do salvamento do homem do pescoço para o tronco e ele salvou-se.

Foi provavelmente este o primeiro acto humanitário da Sagres em terras do Tio Sam, lamentavelmente escapado a qualquer caixa jornalística.

3 comentários:

O speedy disse...

Creio que foi o "Fragata", 1º Grumete M.
Curioso é saber que Oceano pertencia ao teu Grupo.

O José Cruz disse...

Já só tenho uma ideia vaga dos OCeanos que pertenciam ao meu gropu, o do Gurupés. Mas podemos tirar isso a limpo.
Quem era, pode-se ir acusando.

O speedy disse...

Um deles fez anos no dia da nossa desistência