terça-feira, 6 de maio de 2014

Torre e Espada

Estou a acabar de ler o magnífico livro do João Moreira Freire "Do controlo do mar ao controlo da terra" e encontrei aí a confirmação de uma coisa de que já desconfiava. Refiro-me à atribuição da medalha da Ordem da Torre e Espada no século XIX, que me parecia ser dada em profusão. Diz ele:
"A Torre e Espada, então como hoje, considerada a ordem honorífica mais significativa do estado português, teve contudo nesta época uma difusão pouco criteriosa e decerto justificada por razões políticas, tendo sido atribuída tanto a feitos militares de inegável bravura como a acções, sem dúvida valorosas, mas que não mereciam ser louvadas com esse máximo reconhecimento da pátria. (...) Com efeito, numa exaustiva pesquisa de arquivo, encontrámos nada menos do que 5.664 agraciados com esta condecoração, o que dá uma média anual de cerca de 73 (embora com picos nos anos de 1834,1838,1847-48,1862, 1864, 1892 e 1896-94, parcialmente compreensíveis à luz dos conflitos armados que ensanguentaram a vida do país). Mas não deixa de ser surpreendente, sobretudo quando comparado com a segunda metade do século XX." Em nota: Durante as últimas guerras do império, entre 1961 e 1974, apenas houve 39 militares agraciados com diversos graus, o que dá uma média de três por ano.
Podemos também pensar que não havia alternativas. Só em 1863 é criada a Medalha Militar para premiar os "Bons Serviços" e "Comportamento Exemplar".
Este exagero de Torre e Espada faz-me reflectir no actual exagero de "Serviços Distintos" que é distribuído a torto e a direito, quando agora há alternativas (de menor prestígio, é certo) à disposição dos chefes.

3 comentários:

O Manel disse...

Confirmo o transcrito e a veracidade dos factos (mas quem so???) e concordo com a conclusão do João nuno

O Anónimo disse...

O autor demonstra vastos conhecimentos da matéria e deve, também, reflectir bastante sobre o assunto. Ele foi militar?

O J.N.Barbosa disse...

É o Freire do LC.