segunda-feira, 31 de agosto de 2015

NÁUFRAGOS

(João Mano, o capitão do Gamo)

Já quase no fim da 1ª Guerra Mundial, a 31 de Agosto de 1918, o lugre bacalhoeiro Gamo, do porto de Aveiro, foi interceptado por um submarino alemão na posição  46 02N  032 32W. A tripulação (42 homens) a embarcar nos 13 doris do bacalhoeiro sem tempo para recolherem mantimentos, e afastarem-se enquanto o submarino afundava o lugre a tiro. O Capitão português reuniu todos os doris e decidiu rumar a Sul em direcção aos Açores, tentando ser recolhido por algum navio que passasse perto. Entretanto a partir do dia 1 de Setembro o mau tempo apareceu em força. Cruzaram-se com vários navios entre os quais um canadiano, mas nenhum deles prestou auxílio.
Os pescadores só queriam saber se estavam perto de terra. O capitão ajudado pelo piloto, que trouxera um sextante, mentia aos pescadores dizendo que pelas contas da navegação deveriam avistar as ilhas açoreanas no dia seguinte. O piloto para dar mais veracidade fingia que lia as alturas do Sol com o sextante e fazia uma contas para determinar a posição. Entretanto o pessoal de um dori  resolveu seguir caminho por sua iniciativa e perdeu-se. Só a 9 de Setembro exaustos e no limiar das suas forças é que ao fim do dia avistam a ilha do Faial, e chegam a terra auxiliados por pescadores locais. Recolhidos e tratados pelos faialenses conseguiram sobreviver. Esta aventura de cerca de 470 milhas  foi comandada pelo capitão do lugre, saldou-se apenas com a perda de 5 pescadores do dori que tinha desistido de navegar em grupo..
Resta dizer quem era o Comandante do lugre: João Fernandes Mano (o Agualuza), que mais tarde comandou a barca Foz do Douro na viagem de Santos para Leixões em que embarcou o Alm. Gago Coutinho para os seus estudos de navegação quinhentista.

6 comentários:

O Anónimo disse...

Mano? Esse nome soa a algo familiar, não é Carlos Alberto Mano Simões Lopes?

O speedy disse...

Tio avô pelo lado materno.

O J.N.Barbosa disse...

Lembro-me da barca Foz do Douro a apodrecer na doca de Pedrouços nos anos 50.

O speedy disse...

Não teve seguimento a proposta do Cap- Mano em transformar a Foz do Douro num navio escola para todo o tipo de marinhagem civil à semelhança do que foi mais tarde feito pelos alemães com o Paasat e o Pamir-

O Fernão disse...

Grande Marinheiro. Nos States, nesta altura, já iam no terceiro filme!

O Pires Neves disse...

Grande epopeia esta que o Mano Simões Lopes nos relata. Herói sem dúvida que a História não nos lembra. Como diz o outro toda a história tem passado ... e esta é das tais que nos orgulha. Parabéns à família que tão bons filhos deu a este país de "marinheiros" (!!!) (alguns, como estes e bons). Parabéns ao nosso oceano. Abraço amigo