terça-feira, 22 de setembro de 2015

O Vouga dos submarinos

O falecimento do meu tio Cmg. Pimentel Saraiva fez-me recordar os tempos da Escola Naval e um facto de que poucos talvez se lembrem. Os cadetes faziam vela nos Vougas do CNOCA, havendo alguns, poucos, credenciados como patrões da embarcação e que estavam autorizados a sair. Eu, nos primeiros anos não estava credenciado nem conseguia estar, porque o processo era um bocado aleatório e obscuro. Havendo no CNOCA um Vouga diferente, pintado de branco e que ninguém usava, pertencente à Esquadrilha de Submersíveis, lembrei-me de falar ao Cte. Pimentel Saraiva, ao tempo submarinista antiquíssimo, para ver se conseguia uma embarcação para mim, contornando o sistema em vigor. Consegui imediatamente. Dadas as necessárias ordens ao marinheiro Peralta, que me passou a considerar por ser sobrinho de quem era, passei a ter uma embarcação à disposição onde fui aprendendo e fazendo asneiras, com outros camaradas, claro, sem ter nunca que ir a exame.
Era assim nesse tempo. Os submarinistas tinham uma vedeta própria, um Vouga exclusivo, uma mesa separada na messe, enfim, uma classe à parte.

6 comentários:

O Jorge Lourenço Goncalves disse...

"Submen are super"!

O Anónimo disse...

Por isso eram conhecidos pela "(es)quadrilha dos submarinos

O Pires Neves disse...

Em suplemento da história aqui deixada pelo João Nuno e toda a história, como alguém dizia, tem passado, eu diria ter conhecido, igualmente, e bem, o Comandante Pimentel Saraiva, não na qualidade de familiar, que não era, mas sim como Chefe de Gabinete do ALM CEMA, do Almirante Ferreira de Almeida, aquando do 25ABR74, onde eu também prestava serviço como seu Ajudante de Ordens, que fui, curiosamente, por "indicação ...!!!" ou melhor, por obra e graça de alguém "OC" que, sendo meu amigo, é um amigo todos nós muito prezamos. Mas isso é história para uma outra sede e oportunidade. Tenho do Comandante Pimentel Saraiva as melhores recordações, por se tratar de pessoa íntegra, serena e cordata, mesmo na situação difícil que nesse dia viveu, quando, em diálogo com o Comandante Victor Crespo, que o visitou no Gabinete, soube sempre manter uma postura de alta dignidade e envergadura, contribuindo com ela, seguramente, para a serenidade com que o ALM CEMA, ele próprio, veio a comunicar, por mensagem, a toda a Marinha, que a Marinha não obstaculizaria o Movimento das Forças Armadas e o novo regime de que ele próprio era instrumento e realização. Aqui lhe deixo o meu abraço de estima e consideração, onde quer que esteja.

O J.N.Barbosa disse...

Obrigado, João, Por este testemunho.

O Fernão disse...

Comungo com os anteriores oradores só que o tal Vouga devia ser só para iniciados que eu enquanto submarinista nunca lhe pus nem o olho nem a mão!

O Jorge Lourenço Goncalves disse...

Não é do nosso tempo, Fernão. era dos tempos da 3ª Esquadrilha!