HFAR
Após 4
meses de tratamento na Oncologia do Hospital das Forças Armadas (HFAR) verifiquei
que, na especialidade de Oncologia a situação é próxima duma possível ruptura:
Médicos
efectivos - 1
Médicos
pró-bono com horário residual - 1
Enfermeiros -
sempre com destacamentos e sem reposições
Auxiliares - com visível redução em número sessão após
sessão
Não sei o
que a tutela pensa sobre o futuro do HFAR. Sei o que pensou quanto à existência
simultânea do Hospital da Marinha, do Hospital da Estrela e de Belém e Hospital
da Força Aérea.
Esse pensamento
deu como consequência o HFAR!
Supor-se-ia
que seria uma melhoria qualitativa, já que quantitativa era impossível.
Os
tratamentos oncológicos são críticos, altamente especializados, e muito caros.
Tem o HFAR
capacidades materiais próprias e protocolos de cooperação com instituições
muito avançadas em conhecimento e tecnologia (Fundação Champalimaud, IPATIMUP -Instituto de
Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto)
com benefício direto e importante para os doentes, coisa que muitos hospitais
civis não têm.
Mas com a
situação actual a ideia com que se fica é que a especialidade de oncologia está
a caminho da extinção em ritmo acelerado por carência de meios humanos.
Verdade
seja dita que os acordos na área da saúde entre as Instituições militares e as Seguradoras
minimizam o problema.
Mas há que
ter em conta que, quando o teto financeiro do seguro é atingido, o doente é
“descartado” sendo deixado à sua sorte.
É de
lamentar que existindo os meios materiais técnicos (equipamentos e acordos com
entidades de excelência) a oncologia do HFAR esteja com tal carência de meios humanos!



4 comentários:
Revoltante e assustador!
A cotação dos militares na "Bolsa" desceu mais do que as piores Acções após a crise financeira de 2008.
Roeram-nos a carne enquanto foi preciso (a que os militares se prestaram e muito bem no cumprimento das missões que lhes eram atribuídas) e agora abandonam-nos os ossos aos abutres da saúde, com as privatizações progressivas dos cuidados da mesma.
Paralelamente a industria dos seguros de saúde, que impõe limites de apoio a quem tem possibilidades de os ter, vai beneficiando também com o processo.
Não esquecer que nós reformados somos considerados como indivíduos que já cá não deviam estar. Creio que o HFAR foi pensado para os do activo.
Recebido o seguinte comentário do Alm João Rodrigues Cancela:
"Li, muito atentamente, o comentário sobre o HFAR, objetivamente sobre o seu Serviço de Oncologia, publicado no vosso Blog e, muito sinceramente, tenho que dizer, com tristeza, que só peca por defeito.
Com efeito, também fui “sócio” do mesmo “clube” e não tivesse dado o “salto”, não estaria agora a escrever este pequeno texto. Nele, por via do tratamento, cheguei a um estado de debilidade extrema, aos 72 Kg, e a uma profunda desidratação e ainda hoje aguardo ser chamado de novo uma consulta marcada numa semana de Março de 2016! Ao que julgo saber porque a médica mudou de serviço... e não terá passado o serviço.
No que respeita ao pessoal de enfermagem e auxiliar da Oncologia, só vi dedicação aos doentes e frustração por não poderem fazer melhor.
Mas, há mais. Um camarada do meu curso, hoje em dia bastante mal, foi posto a andar (vulgos, teve alta) do serviço onde estava internado, com 6 Gramas de hemoglobina!!!! Está internado num outro hospital e prepara uma queixa contra o HFAR.
Um outro camarada do meu curso por lá passou e, depois de vários meses em coma induzido, mas noutro hospital, lá se safou.
E julgo saber que há mais ...
Efetivamente, algo está mal para os lados do Lumiar …
Pormenores adicionais dá-los-ei a quem estiver interessado, por telefone (918765751) ou pessoalmente.
Cuidem-se
A Direcção do HFAR saberá deste estado de coisas? Custa a acreditar que não, mas não deve ter as mãos muito livres para as combater.
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