segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Histórias de guerra e mar - 1: Até tinha razão

Nos últimos anos da década de sessenta do século passado foi decidido pelos comandos militares em Moçambique integrar nas forças especiais portuguesas antigos caçadores europeus, tendo como principal motivo a convicção que eles teriam grande experiência do mato bem como conhecimento das línguas locais. E se um ou dois foram realmente elementos de grande valia, a maior parte nada acrescentou de valor operacional.
E foi assim que certo dia se apresentou em Metangula, província do Niassa, o senhor Pistakini a fim de integrar o DFE que aí actuava.
O senhor Pistakini parecia um elemento saído de um filme tipo "The Great White Hunter". Era de estatura média, atarracado, barba cerrada, grande chapéu de abas largas e com fama de grande apreciador de bebidas alcoólicas.
E chegou o dia em que seguiram para uma operação. A meio do percurso descobriu-se que o sr. Pistakini tinha os cantis cheios de, em vez de água,  ...... vinho tinto! Perante isto, o Comandante do DFE, pessoa de feitio afável e conciliador, dirigiu-se a ele e disse: "Sabe, sr. Pistakini, nós não deixamos o pessoal trazer álcool para o mato... O sr. Pistakini virou-se para o Comandante e, candidamente, respondeu: "Tem muita razão, sr. Comandante, mas sabe, eu custa-me tanto comer o chouriço da ração de combate com água"
Realmente era desagradável.

2 comentários:

O Jorge Goncalves disse...

He...he...he...

O A.R.Costa disse...

Muito interessante. Gostei desta primeira história de guerra e mar e fico à espera que o Guilherme nos traga muitas mais.