A mulher do comandante
Encontrei um velho livro de contos navais da autoria do Cte, E. Emílio da Silva um conto com o título em epígrafe, que aqui resumo.
Depois de passarem os meses de verão em Sintra, os reis costumavam instalar-se em Cascais, no outono, a gozar as delícias da estação. Durante a permanência de D. Luís em Cascais era costume conservar-se fundeada na baía um navio de guerra às ordens de sua majestade, que servia para passeios e deslocações mais rápidas para Lisboa.
Certo ano coube a vez a uma canhoneira comandada por um oficial que tinha um fraco pelo belo sexo. Não resistiu às tentações de Cúpido e transportou às escondidas uma dama das suas íntimas relações para adoçar a monotonia da comissão, já que o rei pouco ou nenhum uso dava ao navio.
Um dia porém e com aviso de poucos minutos, D. Luís com a Rainha decidem visitar a canhoneira. Quando os reis já embarcavam na Cidadela ocorreu ao comandante que a situação da senhora a bordo era irregular. Escondê-la não era opção. Com a audácia que lhe era própria disse-lhe que vestisse o melhor vestido e com ela aguardou a chegada de suas Majestades.
O navio levanta ferro para o passeio e a mulher do comandante, ilustrada e falando mais do que uma língua, agrada ao rei e entretém a raínha com o seu espírito, ainda qeu esta lhe achasse excesso de desenvoltura.
Fundeia novamente o navio: o comandante e a companheira riem da partida. Só que chegou aos ouvidos de D. Luís de que a mulher do comandante não era a sua mulher legal, que estava em casa a cuidar dos filhos.
A canhoneira, substituída por outra, deixou a baía sem que o rei recebesse o comandante para cumprimentos de despedida. Foi exonerado do cargo e aconselhado a pedir a reforma.


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