terça-feira, 23 de março de 2010

A propósito dos prémios dos gestores

Os prémios são um instrumento de gestão poderoso quer para a motivação do pessoal de qualquer organização, quer para promover a sua competitividade. É evidente que há algumas correntes políticas ou económicas qoe colocam objecções de natureza filosófica, moral ou política em relação a esta prática , mas também a prática nos dá muitos exemplos da sua utilização e dos resultados positivos obtidos.
O homem é o que é e, ao longo da história, os movimentos sociais e políticos, os estados e as empresas têm utilizado sistematicamente a sua natureza para atingirem os objectivos a que se propõem.
Nas empresas em que o objectivo é económico é natural que o prémio motivador seja também de ordem económica. O prémio pecuniário é assim um meio legítimo e poderoso para que as empresas possam atingir os seus objectivos.
Nos últimos dias tem sido muito discutida a questão dos prémios atribuídos aos gestores das empresas públicas.
Para além da perplexidade que me tem assaltado ao ver a performance de alguns desses premiados quando botam palavra (como é possível que um alienado mental ,não o digo por ser adepto do dragão, que há dias foi ouvido numa comissão da Assembleia da República, seja gestor de uma das maiores empresas nacionais e aufira os vencimentos e os prémios que foram referidos), há muitas perguntas que me tenho feito a propósito deste assunto. Aqui deixo algumas.
Porque razão os gestores e de uma maneira geral os quadros superiores de qualquer organização necessitam de prémios pecuniários para se motivarem? Não está implícito na qualidade de gestor ou quadro superior uma motivação elevada? Não são, de uma maneira geral, as remunerações normais dos quadros superiores das empresas em causa motivadores só por si?
Numa empresa em que os prémios dos gestores atingem os valores de que se fala em virtude, suponho, dessa empresa ter atingido ou superado os seus objectivos qual os valor do prémio dos quadros intermédios, dos trabalhadores especializados e dos trabalhadores indiferenciados? Qual o bolo anual de prémios distribuídos nessas empresas e qual a sua repartição?
E nas empresas que não atingem os seus objectivos e até têm prejuizo também há castigos para os gestores nas mesmas proporções que os prémios? Com frequência ouvimos dizer que as empresas públicas estão a dar prejuízos. O que tem acontecido aos gestores responsáveis por esses prejuízos. Será que só são responsáveis quando as coisas correm bem? E quando correm mal, são os trabalhadores os responsáveis?
Se um gestor tem um prémio do 6 ou 12 vezes o seu ordenado mensal, passa-se o mesmo com o pessoal a todos os níveis? Se isso acontecer, embora tenha algumas dúvidas quanto à sua equidade, há pelo menos uma regra assente num conceito de igualdade.
O que acontecerá numa empresa em que se fica a saber que o prémio de um gestor é superior à soma de todos os ordenados que um quadro intermédio ganhará em toda a sua vida activa? Que motivação terão os trabalhadores (que precisariam de três ou quatro vidas para atingirem esse valor) para produzirem e lutarem pela qualidade dessa produção? Será que estes gestores consideram os seus trabalhadores dessas empresas como indivíduos e não como escravos acéfalos, domesticados e meros robôs?
Muito francamente, não percebo como um trabalhador numa dessas empresas todos os dias ao levantar-se não pense para si mesmo: " Os tipos que o ganham, que trabalhem se quiserem" e sintam a sua motivação a zero ou mesmo negativa.

domingo, 21 de março de 2010

Club da Dívida Externa


Recortei esta pequena tabela do semanário Expresso, Caderno de Economia, página 05. Já há algum tempo que andava à procura dets tipo de informação.
Estes 20 países devem a módica quantia de (espero não me ter enganado nas contas) 48599 mil milhões de dólares - dívida pública e privada.
E pergunto: Devem a quem? E que juros pagam dessa dívida? E porque se endividaram tanto?

No caso de Portugal, sabemos que a dívida do Estado atinge 110% do PIB nacional. De acordo com a tabela a dívida total de Portugal atinge 230 % do PIB. Não sendo dívida do Estado os remanescentes 120% do PIB quem se endividou desta maneira? E porquê? E quem garante o pagamento desta dívida? Espero sinceramente que não seja o "bom povo", no qual eu me considero incluido. Ou será que, para além de pagar as dívidas do BPN e do BPP (as quais não contraí), também terei de pagar outras que nem sem quais são ou quem se endividou?

Começo a ficar profundamente preocupado!

Tenham uma boa semana de trabalho! Se puderem ...

quinta-feira, 18 de março de 2010

Exposição


A partir de amanhã e até 28 de Março, estará patente no restaurante do Centro Cultural de Cascais uma exposição colectiva onde este vosso criado participa. Quem quiser aparecer amanhã às 1900 na inauguração terá direito a um copo e croquetes.Todos serão bem-vindos.

segunda-feira, 15 de março de 2010

A Soberania dos Estados e o Mar - A realidade portuguesa

Foi com o título acima que o OCeano JPN efectuou uma comunicação na Academia de Marinha em 23 de Fevereiro passado, evento já referenciado no nosso blogue pelo NC (ver aqui). Ontem foi publicado no "Jornal Defesa e Relações Internacionais" um texto (com o mesmo título) que tem por base essa mesma comunicação e que está acessível a todos os interessados seguindo esta ligação.

Mágoa dos Militares

Acabei de ler uma notícia que dá conta de que "militares de Abril confessam mágoa face ao esquecimento da revolução nas comemorações do centenário da républica"!
Realmente é imperdoável! Assim como é imperdoável que os militares de Abril se esqueçam de afirmar que não deram o "corpo ao manifesto" para levar o País ao estado actual!
Ou será que o que é importante é ouvir louvores e agora estar confortavelmente sentados?

quinta-feira, 11 de março de 2010

Sessão de Encerramento do Ano Internacional da Astronomia

Tomo a liberdade, como já vai sendo habitual, de retransmitir um pedido de divulgação deste acontecimento:
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PORTUGAL DESPEDE-SE DO MAIOR EVENTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DE SEMPRE
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Envolveu milhões de pessoas em 148 países e foi coordenado por um português: o Ano Internacional da Astronomia vai despedir-se de Portugal com um dia de celebrações na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
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Foi o maior evento de divulgação científica de sempre, envolvendo a participação de milhões de pessoas em centena e meia de países. O Ano Internacional da Astronomia vai terminar em Portugal com um dia de comemorações na Fundação Calouste Gulbenkian. A sessão de encerramento terá lugar no dia 17 de Março, a partir das 17h30.

Postal de Goa (XX)

A LÍNGUA PORTUGUESA EM GOA

A língua é um dos traços mais fortes da herança cultural portuguesa em Goa, mas continua em acentuada regressão desde 1961, embora haja alguns esforços isolados e meritórios de uns tantos teimosos, mas que são insuficientes perante a real indiferença dos nossos dirigentes.
Apesar de uma presença que perdurou durante 451 anos, a língua portuguesa nunca se impôs verdadeiramente em Goa. Sendo a língua oficial do Estado da Índia, era utilizada apenas nos meios urbanos, nas escolas, nas repartições públicas e no convívio social, pelos poucos portugueses que viviam em Goa, pelos luso-descendentes e pelas camadas superiores da sociedade goesa, tanto católica como hindu. Segundo as estatísticas oficiais, em 1961 só cerca de 8.000 pessoas (cerca de 1.5% da população) tinham o português como língua-mãe e, segundo um inquérito realizado em 1973, esse número baixara para 2.800 pessoas. De facto, depois de 1961, com a saída dos funcionários portugueses, de muitos luso-descendentes e de uma parte da população goesa mais letrada, em conjugação com os novos factores políticos e alguma hostilização à língua portuguesa, esta tendeu a cair em desuso. Esse facto não resultou de uma política oficial explícita, mas também do desejo de aprender o inglês como forma de integração no novo espaço nacional e como língua para o futuro, quer na Índia quer no mundo.
O Boletim Oficial e as instituições educativas de Goa ainda continuaram a utilizar o português até 1967 mas, progressivamente, o inglês, o konkani, o marathi ou o hindi substituíram definitivamente o português como língua de uso corrente. Dos 5 jornais diários que em 1961 se publicavam em português, O Heraldo foi o mais resistente, mas em 1983 deixou cair os “o”, passou simplesmente a ser Herald e adoptou em definitivo o inglês.
Em 1961 o português era obrigatório para 29.940 estudantes do ensino secundário, mas em 1980 havia apenas 100 estudantes de português no ensino secundário, por iniciativa e até corajosa opção dos seus tutores, que não abdicaram dessa escolha para que os seus filhos pudessem falar em casa com os pais e com os avós em português.
Alguns anos depois, o ambiente político-social estava mais normalizado e, no ano escolar de 1984-85, já havia 422 estudantes em 15 escolas secundárias de Goa que tinham optado pela aprendizagem do português, enquanto no ano lectivo de 2008-2009 esse número já se elevara para 667 estudantes.
Significa que o número de jovens goeses que escolhem o português como língua de opção tem vindo a aumentar, apesar de haver uma evidente falta de professores qualificados para responder à procura, situação que se irá agravar muito rapidamente.
Apesar destes animadores sinais, a língua portuguesa continua em regressão e não deixa de ser curioso que muitas vozes goesas se levantem em sua defesa por motivos sentimentais, culturais, familiares, práticos ou, ainda, pela crescente convicção de que a língua portuguesa não é apenas a língua dos portugueses, mas o idioma de um espaço muito mais vasto que é hoje a Lusofonia.
Talvez por isso, é visível alguma retoma do interesse pela língua portuguesa por parte das gerações mais jovens, inclusive pelo estatuto social elevado que confere, devendo ser salientado o envolvimento que para esse resultado têm tido as acções e os incentivos da Fundação Oriente e do Instituto Camões, mas também de algumas instituições locais como a Indo-Portuguese Friendship Society. Actualmente, nas escolas secundárias de Goa, há 727 estudantes que escolheram o português como língua optativa, sendo os seus professores remunerados pela Fundação Oriente.
Para esta atitude de renovado interesse pela língua portuguesa também tem contribuído a oferta turística goesa, que aposta numa diferenciação em relação ao resto da Índia, visível na ainda forte influência portuguesa e no seu colorido mediterrânico, pelo que muita da toponímia portuguesa foi mantida ou tem sido recuperada, quase se tornando uma moda.




Estima-se que entre 10 a 20 mil goeses falem português em Goa, muitos deles regressados de Moçambique depois de 1975. Este número confirma uma evidência para qualquer pessoa que tenha estado em Goa e em Macau nos anos mais recentes: em finais do século XX havia muito mais gente a falar português em Goa do que no território de Macau, quando nele ainda flutuava a bandeira portuguesa.
Porém, é necessário fazer algo mais para que a língua portuguesa não desapareça em Goa.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Almoço do OC em 9.3.2010 (continuação)

Da autoria do (quase) fotógrafo oficial do curso Trigo Allen, aqui vão mais umas fotos do evento, desta vez através de grandes planos.

Cortes e recortes


Então, de acordo com o plano, as Forças Armadas (ou o País?) vão ver um corte de 40% na Lei de Programação Militar até 2013! Grande novidade. Todos os anos a LPM sofre uma cativação de 40% e não vem no jornal. Não há memória de uma LPM ser cumprida, apesar da ficção bianual, que é a discussão da LPM no Parlamento. Podemos assim ficar descansados, pois não haverá mais patrulhões nem navio polivalente logístico. A bem da Nação.

terça-feira, 9 de março de 2010

Almoço OC (09Mar10)

BRAVO

O nosso Patrono será a recordação principal das comemorações do próximo dia 10 de Junho, como Heroi em combate.
Penso que sua Viúva fará uma intervenção de fundo , certamente também em homenagem a quantas Mães e Mulheres e Filhas que perderam quem amavam.
A presidência das comemorações , este ano , caberá ao nosso camarada e amigo Francisco Vidal Abreu , facto que garante logo uma grande dignidade ás cerimónias.

Mais uma aquisição

Conseguimos obter a colaboração de mais um OCeano ... é o FBV. Que seja bem-vindo a estas lides. Estejam atentos porque ele assina como Grill.

Cuidado, Muito Cuidado

Recomendo a leitura de um artigo, da autoria do Prof. Pedro Adão e Silva, publicado no Diário Económico de hoje, na 2ª página, intitulado "As virgens ofendidas", sendo o tema "a judicialização da actividade política".
Tomo a liberdade de transcrever, com a devida vénia, o seu último período: "É um sintoma de que está a germinar uma visão em que o poder judicial já não quer ser independente do poder político, mas sim este subjugado ao seu poder."

segunda-feira, 8 de março de 2010

Colóquio no CMN

Organizado pelo consócio Cunha Lauret, realizar-se-à no CMN, no próximo dia 18 de Março pelas 17 00h, um colóquio subordinado ao tema “A Marinha do fim da 2ª Guerra Mundial ao 25 de Abril de 1974”..

Serão oradores, o organizador e o Prof. Dr. António Reis que se debruçará sobre temáticas associadas à luta da oposição ao Estado Novo.

Estão convidados a assistir a este evento de inegável interesse os sócios do CMN, seus familiares e amigos, conforme segue:

domingo, 7 de março de 2010

Existem políticos bons?

A minha neta, de cinco anos, estava há pouco sentada ao meu lado enquanto via o noticiário na televisão. De repente dispara: Oh avô! existem políticos bons?
Francamente, foi uma pergunta bem embaraçosa! Lá lhe respondi que podia haver alguns. Pensei que seria criminoso dar a uma criança desta idade uma imagem do mundo tão decepcionante.
Tenham um bom domingo.