terça-feira, 5 de junho de 2007

Bom dia OC!…

… e um BOM DIA de aniversário da largada para as Bermudas.
Aproveitem o dia para vasculhar devidamente os vossos baús e ponham cá para fora as recordações desses dias que vivemos na “Sagres” há 43 anos. A propósito, ainda estou à espera que passe o ataque de asma ao 403 d’62 ou que o Nunes da Cruz vá ao Algarve para encontrem, finalmente, a fotografia da “Sagres” que foi publicada nas páginas centrais da “Life”…
Tal como fiz no ano passado, transcrevo o que o Simões Teles escreveu no “Tridente” e que foi depois publicado no jornal dos 25 anos do nosso curso. Para além de ser uma boa descrição desse dia 5 de Junho de 1964, julgo que poderá também contribuir para reduzir as queixas relativas ao nível blogue. Não é que seja uma tese de doutoramento, mas julgo que lhe podem conceder um grau simpático na EBR…
Às 10:00 do dia 5 de Junho de 1964, 6ª feira, a SAGRES, levantou ferro do QNG. Com uma brisa crescente de SW sussurrando entre a mastreação, rumou barra fora. Ao largo de Cascais aproou-se a N e caçaram-se as primeiras velas. O vento tinha rondado para S.
A linha de largada estava colocada entre o cabo Raso e o aviso «Bartolomeu Dias», uma linha imaginária no sentido E–W. O vento era o pior que poderíamos desejar, dado que a nossa finalidade era demandar as ilhas Canárias, a S, ponto de passagem obrigatória.
As instruções da Regata obrigavam os navios a parar as máquinas 10 minutos antes das 13:30, hora exacta da largada. Atrás de nós começaram a surgir os restantes veleiros, com as velas caçadas já, navegando à popa arrasada. Caçaram-se as restantes velas, sempre com rumo N.
Os momentos que antecederam a largada foram excitantes. A «SAGRES» aproximou-se perigosamente da linha imaginária e corria o risco de largar adiantada. Carregou-se algum pano. Esperam-se uns momentos. E, com uma precisão calculista, já com todo o pano caçado e máquinas paradas há 15 minutos, cortámos a linha de largada momentos depois do tiro da 120 do «Bartolomeu Dias» e a 50 metros deste, o mais a W possível, como convinha. Atrás de nós o «DANNEMARK», a sotavento, depois o «ELCANO» a barlavento. Houvéramos sido os primeiros a largar.
 
Depois da largada, a “Sagres” vista do “Bartolomeu Dias”
(com a devida vénia ao Ferreira Júnior e ao “A Voz da Abita”)
 
Começava a grande Regata. Confiantes, a ideia da vitória sobrepunha-se de modo evidente a qualquer outra hipótese.
Encostaram-se as vergas a mais não poder; caçaram-se bem todos os latinos. Dispuseram-se as vergas em leque. Navegávamos à trinca, orçados o mais possível; o vento era SSW e o rumo 290.
Uma desilusão surge. O veleiro alemão, «GORCH FOCK», o mais temível adversário, vem na nossa esteira, mais orçado e mais veloz. Passa-nos por barlavento. Continua a orçar mais do que nós. Ao anoitecer o Alemão estava a 4 milhas, na nossa amura de BB. O «CRISTIAN RADICH» marca-se pela alheta do mesmo bordo, mantendo a distância. O «DANNEMARK» arriba e com ele es restantes veleiros. O «ELCANO» perde-se de vista pela popa no nevoeiro e na noite que caem.
O vento refresca. O «GORCH FOCK», perde terreno. O «CRISTIAN RADICH» carrega os altos e desaparece. É noite escura e estamos sozinhos.
Com um abraço para todos, aqui fica uma magnífica recordação desse dia, “subtraída” ao 403 d'62:
A “Sagres” com o “Gorch Fock” e o “Juan Sebatián de Elcano” em fundo

2 comentários:

O FdaPonte disse...

EBR 6

O 403 d'62 disse...

Não encontro a malfadada "Life"