sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Certificação e improvisação

O recente acidente de helicóptero em que faleceu o piloto durante o combate a um incêndio veio levantar a questão da certificação dos pilotos de aeronaves e da responsabilização pelas qualificações requeridas para todo o pessoal navegante, o que podemos estender também ao mar. Empresas idóneas como a TAP formam os seus pilotos e qualificam-nos segundo padrões aprovados pelo INAC, a Força Aérea e a Marinha fazem-no igualmente e certificam os seus pilotos segundo padrões cuja responsabilidade final pertence ao Estado. No caso vertente, uma empresa acabada de formar, ainda em processo de licenciamento como operador de trabalho aéreo pelo INAC e com o programa de treino dos pilotos em fase de aprovação, emprega um dos seus contratados para uma missão para a qual alegadamente não estava certificado. Vem a público também que o próprio helicóptero só tem estado a operar porque foi declarada aeronave do Estado, o que o isenta (!) de determinadas obrigações!
O cenário parece claro: É preciso dar uma resposta rápida no combate aos incêndios. Forma-se uma empresa, contrata-se pessoal e compram-se as aeronaves, tudo à pressão porque é preciso apresentar resultados. É a Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea que vem lembrar aos responsáveis dos operadores aeronauticos que "devem sempre saber resistir às pressões de natureza económica e política que sobre eles recaírem".
Desejavelmente o inquérito dirá como tudo isto se conjugou para que se desse o acidente.
O rigor que compreensivelmente se aplica na navegação aérea deveria sê-lo também na navegação marítima, no entanto não é isso que se verifica. É com espantosa facilidade que se obtém uma Carta de Navegador de Recreio, a Escola de Pesca e de Marinha de Comércio está em vias de extinção, forças de segurança navegam pelos rios e pelo mar sem que se lhes conheça uma escola! Alguém se admira que haja acidentes? Claro que depois a culpa é da Marinha que não salvou os naufragos a tempo.

2 comentários:

O 403 d'62 disse...

Parece que a tal força de segurança aquando do inicio do processo de começarem a navegar por mar adentro solicitou à Marinha que lhe formasse o pessoal...A resposta, segundo consta, não foi sequer um "talvez, aguarde melhor oportunidade"

O Jorge Beirão Reis disse...

João Nuno

Gostei muito do texto que só hoje li, porque fui ontem passear de comboio até Setubal e comer chcoco frito (Vivà fartura).

Só é pena que as "autoridades competentes" revelem tal incompetência. De certeza que, após o habitual inquérito "que será lebado até às últimas consequências", a culpa irá finalmente morrer solteira.

Um abraço!