sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O 2009 e o espanhol

Passados quase os dois primeiros dias do novo ano sem que ninguém faça "ondas", sinto-me tentado a dizer qualquer coisa para quebrar o "espelhado" que se apoderou do blogue nesta quadra.

Em miúdo, ouvia com frequência na minha terra, raiana, que “o espanhol não quer bom começo”.

Queriam as pessoas dizer com aquilo que a evolução dos acontecimentos geralmente caminhava em sentido inverso à qualidade do seu começo.

Sem querer explicar a razão de ser do dito, é fácil ler nele a forte componente da relação entre um resultado e a sua expectativa à priori.

Mas a que vem isto a propósito? Eu explico.

Estou, estamos, quem não estará, farto de ouvir falar nesta entidade que tomou conta da cabeça dos analistas sociais, políticos e económicos e por tabela da nossa, que é a malvada CRISE.

Ora não tendo passado ainda 48 horas desde a passagem para o 2009, já encheram o neófito de perspectivas negras e o desejaram a passar depressa para ver se o 2010, qual D. Sebastião, nasce com melhor cara e nos venha oferecer de bandeja a resolução de todos os nossos problemas.

O parto do 2009 não poderia ter corrido da pior maneira: como obstetra calhou-lhe a crise e como parteiras ajudantes a chuva, o frio, o nevoeiro, pelo menos neste canto à beira mar plantado.

É aqui que eu lembro e desejo muito que se cumpra o tal dito do espanhol, que os meus conterrâneos antigos, com invejável optimismo, invocavam quando alguma coisa começava por lhes correr mal.

Um dos primeiros remédios para esta crise, intensa, técnica e sobejamente explicada por quem diz que sabe e mal entendida pelos outros, não será a confiança em nós mesmos e no nosso semelhante de boa fé? Talvez seja, já que os diagnósticos têm sido mais que muitos e as mais das vezes consensuais, sentimento não reunido à volta dos eventuais remédios.

E se o 2009 fosse da opinião do espanhol? Não era bem feito?
Oxalá!

Um bom ano para todos, colaboradores e leitores deste blog OCeano.

5 comentários:

O Jorge Beirão Reis disse...

Lindo!
Aqui deixo o meu comentário:
"Ask, not what your Country can do for you, but what you can do for your Country", JFK, antes da nossa chegada aos EUA na Sagres, em 1964.
Parece-me que os Portugueses têm, ultimamente (nos últimos 34 anos, pelo menos), clamado sobre o que é que Portugal pode fazer por eles.
Que neste princípio de 2009 comecemos a interrogarmo-nos sobre o que é que podemos fazer por Portugal, pois está exclusivamente nas nossas mãos fazermos com que Portugal vença a CRISE.
Tenham um Bom Ano de 2009.
Abraços!

O Manel disse...

Caramba, que honra para o blog, começar o ano logo com 2 "Penicos".

E como acredito mais neles do que no cavaco , comecei já a sorrir , a ouvir o Medina Carreira refastelado no sofá , e a comer cerejas em janeiro.

E força , minha gente , lixando o Espanhol

O LSN disse...

Boa tirada a do NC. Mas o comentário do JBR leva-me a pensar que o 25 de Abril continua de costas largas. Parece então que os portugueses passaram a clamar para Portugal fazer alguma coisa por eles há 34 anos… e antes? Clamavam por quem? Não seguiram certamente o exemplo da maioria dos capitães de Abril que tudo arriscaram (e não foi pouco) e nada guardaram/beneficiaram para si mesmos. Aprenderam talvez com os portugueses que hoje dão o triste espectáculo a que assistimos, com burlas e trafulhices por todo o lado, exercendo e beneficiando de um descarado tráfico de influências ao mais alto nível. E as “nossas” mãos, “exclusivamente”, é que vão vencer a crise? É que há mãos e há mãos!!!
Só espero que 2009, já que teve maus princípios, tenha bons “meios” e melhores “fins”.

O Jorge Beirão Reis disse...

Comentário ao comentário do "Barreiras": Eu explico-me melhor, pois nada tema ver com a largura das costas do 25 de Abril.
De há 34 anos a esta parte, a responsabilidade é nossa, da nossa geração (a que fez o 25 de Abril, do qual nunca me hei-de arrepender). O que se passou antes, no tempo do Medíocre Ditador, Senhor Professor Doutor António de Oliveira Salazar, foi da responsabilidade da geração dos nossos Pais. Tenho a convicção que conseguimos fazer trabalho de melhor qualidade do que Eles (e tenho a enorme esperança que os nossos Filhos produzam trabalho de melhor qualidade do que o nosso).
Mas será que já nada temos de ou podemos fazer? Estou convencido que ainda temos a responsabilidade de fazer mais e melhor.
Tenho dito!

O Fernão disse...

O meu pai morreu inocente, nem me deixou, com grande desgosto meu, comprar a farda da Mocidade Portuguesa!
Mas falando a sério. Estamos melhor, apesar das aparências. Viagaristas, gatunos, D. Brancas sempre ouve. Acontace que actualmente, e bem, a informação e o mais severo escrutinio popular fazem com que lhes seja mais dificil viver em paz.Quanto à crise ela há-de passar até à próxima, ou elas não são organicamente necessárias para o funcionamento do capitalismo?
Os que prevêm catastrofes agora não são os mesmos que previam o barril de petróleo a 250 USD para este inicio de ano? Viva o espanhol do Nunes da Cruz! E Bom Ano para todos.