O balde da Beira

Os navios ingleses que participaram no bloqueio ao porto da Beira, em aborrecidas patrulhas de três semanas de cada vez, ocupavam o tempo em competições desportivas, como hoquei no convés, e criaram um troféu, que era um balde de ferro velho pintado com os nomes dos vencedores, que ia passando de navio em navio. Esse balde está no museu naval de Portsmouth, onde eu o vi e já em 1979/80 escrevi na Revista da Armada sobre isso.
Navegando agora na net, descobri um forum de marinheiros ingleses que fala sobre o assunto e colhi mais alguma informação. Descobri que recebiam correio por via aérea que era lançado ao mar de paraquedas pelos velhos aviões Shakleton, talvez baseados em Aden, que na altura ainda era britânico. No meu tempo nunca detectámos estas manobras; deviam fazê-las bem longe do nosso olhar, mas aqui fica uma fotografia que lhes bifei e mais uma do balde.
O bloquei durou onze anos, envolveu 76 navios que interceptaram 47 navios tanque, sem qualquer resultado prático, visto que o combustível para a Rodésia continuava a entrar por outras vias.



6 comentários:
É o que se chama fazer um bloqueio... debalde
Boa malha!
Bem gira esta tua onda...bem como o mordaz comentário do T.Aguilar
Bons tempos, João Nuno, em que andávamos por lá em "guerra" contra os beefs!!!
Em 1966, a bordo da Alvares Cabral lá andei a vigiar os ingleses não fossem eles entrar pelo canal de acesso ao porto da Beira onde estava o petroleiro "Joana V" que tinha furado o bloqueio. E com o tempo a passar várias vezes entregámos correio de e para os navios ingleses que os pilotos da barra transportavam. E também me fartei de ver filmers que os navios ingleses emprestavam (e várias lâmpadas da máquina de projecar pois a nossa não tinha sobressalente). E também não me esqueço do almoço que "papei" a bordo da fragata inglesa em dia de confaternização (os odiciais ingleses depois vieram jantr à ACabral). Enfim uma "guerra" dura!
Já agora é bom não esquecer que ao mesmo tempo que os navios HMS faziam bloqueio as companhias petroliferas inglesas colaboravam na na entrega do dito combústível para a Rodésia via LMarques. Daí talvez seja adequada a expressão "para ingles ver"
Pois é, lembro-me perfeitamente. A "Alvares Cabral" era conhecida pelas optimas relações que tinha com o "inimigo"!
Pensar eu que, depois de a "Diogo Gomes" ter vindo a "marchas forçadas" desde Bissau (o que originou o empeno dum veio) e dum aguerrido "briefing" em no Comando Naval em L. Marques sobre a dureza e os perigos daquela guerra, chegámos à entrada da barra da Beira em 4º grau de prontidão para combate e deparámos com a "Alvares Cabral" fundeada e com a respectiva guarnição a pintar-lhe o casco!!!!! :-)))
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