sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O Inverno do nosso descontentamento

Isto pelo blog está muito quieto... quase gelado a acompanhar a meteorologia. Os jornais que por vezes nos trazem ideias para dizer qualquer coisa, também não têm ajudado. Para o Haiti o nosso pesar e solidariedade. Os partidos e o governo vão reunindo para se acordarem e arranjarem quanto ao orçamento. O quer podemos dizer sobre isto? Pelos comboios, autocarros e metros por onde tenho andado a "vox populi" é muito clara. Eles lá andam a arranjar a sua vidinha e a ver como se vão safar e nós é que vamos pagar tudo!
O Presidente da República condecorou o Dr Santana Lopes pelo facto de ter sido primeiro-ministro. Justificou a condecoração pela tradição e não pela prestação. (o facto nem é novo - na velha senhora também acontecia - mas pelo menos é clarinho para militar entender). Como diria, sobre os portugueses, um camarada cujas bocas corriam pelas câmaras dos navios quando éramos jovens. "Somos poucos, fracos e profundamente ridículos!"
Felizmente, hoje, lá caiu uma pedrada no charco. O Sá Pinto enfiou um murro nos queixos de um jogador e aí caiu o Carmo e a Trindade. E no entanto o Sá Pinto sabe muito bem interpretar os profundos sentimentos do povo português. Há uns anos atrás enfiou um murro no treinador da selecção nacional fazendo aquilo que todos os portugueses que seguem o futebol desejavam fazer há muito tempo. Desta vez vingou todas as nossas frustrações. Como é que nós, portugueses, nos sentimos quando para meter um golo a uns louros nórdicos, tivemos que ir ao Brasil importar e nacionalizar um tipo, ainda por cima magro e enfezado. Como a selecção acabou por se apurar para o mundial na África do Sul, andávamos calados, mas a roer a unhas de raiva pela humilhação. Que diabo, não haveria entre os cerca de 5 milhões de homens portugueses um que fosse capaz de marcar golos numa baliza daquele tamanho! (e para não cometer uma inconstitucionalidade incluo naturalmente todos os homens, quaisquer que sejam as suas orientações sexuais, alimentares, religiosas, etc.)
Com mais alguns Sá Pintos Portugal não estaria de certeza na cauda da Europa. Tenho esperanças de que, agora, que não mais arranjará emprego no futebol, resolva enveredar pela vida política. Pode aderir a qualquer partido. Nós votaremos nele de olhos fechados, eu pelo menos vou fazê-lo. O que interessa é que um dia vejamos na AR o seu punho, verdadeiramente português, esborrachar uma qualquer bochecha de um qualquer deputado ou ministro do seu ou de qualquer outro partido.

5 comentários:

O FdaPonte disse...

Selva! Estás melhor que nunca. Adorei a tua Catilinária.
Continua. Um abraço

O Manel disse...

SELVA ao poder. Podes levar o Sá Pinto como ajudante.
Excelente texto , este , que subscrevo totalmente

O Luís Silva Nunes disse...

Para o caso do Selva não estar a fazer humor negro gostaria de registar aqui o meu repúdio por mais uma "brilhante" acção deste Pinto ordinário. Aqui há tempos cometeu a "heroicidade" de, com vinte e tal anos, bater num velhote de sessenta. Espero que esta vez seja a última e que desapareça de cena, definitivamente!!!

O Jorge Lourenço Goncalves disse...

Julgo que é mesmo Humor Negro, Luís Silva Nunes! Só pode...

O Ferreira da Silva disse...

Não sei se será humor negro. Parece-me mais humor verde ou verde amarelado (para não ofender os nossos amigos sportinguistas.

Mas imaginem só o que teria sido a célebre cena dos "corninhos" do ministro Pinho para o deputado Bernardinho se os ditos cujos, em vez de serem para este fossem para o deputado Sá Pinto. Lembram-se que o deputado Bernardinho ficou muito ofendido, fez queixinhas a toda a gente e exigiu que lhe fossem pedidas desculpas públicas. Nem sequer, à boa maneira portuguesa, deu um murro na mesa, atirou com a garrafa de água ao chão, agarrou os cabelos com as mãos e gritou "Agarrem-me, se não eu mato este tipo!".

Se fosse com o deputado Sá Pinto (lembro ... isto é só um “imaginar”), este teria atravessado a passo largo o hemiciclo, subiria à bancada do governo e o ministro Pinho engoliria os ditos, teria pelo menos um dente partido e teria de ser o deputado Sá Pinto a pedir desculpas pelo seu acto irreflectido. O ministro Pinto continuaria possivelmente a correr o país de lés a lés, a mais de 200Km/h (agora com escolta da GNR) a salvar empresas e não estaríamos agora a atravessar esta crise.
Insisto, apesar de concordar com o Silva Nunes de que bater num velhinho de 65 (não sei se eu, que já tenho mais de 65, me considere um velhinho) é uma má acção e não fica bem em parte nenhuma do mundo, que nos faz falta o Sá Pinto na política.