Maneiras de estar
Disse Voltaire dos ingleses: Neste país acha-se bem matar um almirante de vez em quando, para dar coragem aos outros.
Num livro que estou a ler, diz-se que foi incutida uma cultura de determinação agressiva nos oficiais ingleses, desde o século XVIII, cujo dever permanente era atacar o inimigo. Podia correr mal, mas pior do que isso seria não atacar. Assim, ao longo dos tempos cada vez mais os seus opositores tinham a certeza de ser atacados e, cada vez mais, a certeza de serem derrotados. Esta foi uma vantagem psicológica que permaneceu por muito tempo. No lado oposto, na marinha francesa e também na espanhola, dava-se prioridade à missão. Se pudesse ser cumprida sem combate, melhor. Quer a nível político quer militar dava-se pouca prioridade ao combate que, diziam, produz mais ruido que proveito. Assim, os comandantes franceses levavam ordens que definiam a batalha como a excepção, a ter lugar só se fosse inevitável para o cumprimento da missão.
Isto faz-me recordar as missões definidas nos inúmeros exercícios que fiz, em que o objectivo da missão era sempre " the safe and timely arrival of the HVU". Ou seja, nos tempos modernos, em que os navios e o pessoal já não eram material de consumo como antigamente, a teoria francesa prevaleceu. Actualmente, as ordens e regras de empenhamento vão todas no sentido de não incomodar o inimigo, ajudando-o mesmo a voltar a casa com água e combustível. Também... já não se matam almirantes!


1 comentário:
Boa. Li com muita atenção e francamente gostei do remate final, pelo descanso que me deu...!!!
Um abraço
Comentar esta onda