terça-feira, 21 de agosto de 2012

Agora é assim

Há alguns dias uma pessoa dedicava-se a uma actividade ilegal no rio Tejo. Para além disso não estava acompanhado pelas necessárias condições de segurança. Algo correu mal, teve azar e morreu. É sempre lamentável. Imediatamente os familiares vieram vociferar para a televisão que a culpa da morte era da Polícia Marítima que o estava a perseguir por ele se dedicar a essa actividade ilegal. O representante da Marinha apareceu logo a seguir desculpando-se com um ar envergonhado, que não senhor, que na altura não havia fiscalização, que não se perseguia ninguem. E se estivessem a fiscalizar? Não estavam a cumprir a sua obrigação, perseguindo uma actividade ilegal? Parece-me que há aqui uma flagrante inversão de valores, de certo modo característica dos tempos que correm. Se um dia destes encontrar um ladrão a entrar pela janela de minha casa tenho de ter cuidado para não o assustar, não vá ele cair e depois a culpa é minha!
Nota: Eu escrevo como o Beirão Reis.

3 comentários:

O J.N.Barbosa disse...

Parece que o falecido era advogado dos mariscadores ilegais.

O Jorge Lourenço Goncalves disse...

É como tu dizes, Allen, a inversão de valores apadrinhada pela comunicação social!
Ele era advogado e mariscador ilegal. Parece que a apanha do marisco se destinava a completar os escassos recursos da adbocacia. Sinal dos tempos!

O Orlando Temes de Oliveira disse...

Mas questão é pior. Houve uma "senhora" que ao falar para a reportagem da televisão disse que tinha sido a Polícia Marítima que tinha morto o advogado-pescador. Concerteza que terá sido da excitação de momento. Mas o certo é que a Marinha devria ter apresentado queixa por difamação. Mas até agora que se saiba...nada. Assim, é sempre a levar na touca e a tentar explicar a "Marinha de duplo uso"