Despesa Pública
Em: Observatório
sobre Crises e Alternativas - Barómetro das Crises | n.º
4
A tendência de
longo prazo da evolução da despesa pública em Portugal reflecte a extraordinária
democratização do acesso a cuidados de saúde e à educação e o alargamento de
direitos básicos de protecção no desemprego e na velhice desencadeada com a
revolução democrática de 1974. Esta democratização implicou e ficou a dever-se
ao alargamento da provisão pública nestes domínios com o correspondente aumento
da despesa pública. Os resultados positivos desta evolução podem ser ilustrados
através de indicadores como o número de médicos por habitante, a esperança de
vida, a taxa de mortalidade infantil e a escolarização nos diversos graus de
ensino (ver quadro 1).
Quadro 1
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1980
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2011
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Médicas/os por 100 000 habitantes
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197
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406
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Esperança de vida à nascença
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71,78
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79,55
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Taxa de mortalidade infantil*
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22,289
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2,957
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nº de crianças no pré-escolar
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80.373
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276.125
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nº de alunos no ensino secundário
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169.516
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440.895
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nº de alunos no ensino superior
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80.919
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396.268
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Número de
médicos por habitante, esperança de vida, taxa de mortalidade infantil e
escolarização em diversos graus de ensino. Fontes:
INE, GEPE/ME e GPEARI/MCTES.
*numero de óbitos no primeiro ano de vida por mil nascimentos.
Sublinhados meus


4 comentários:
Estes números são bons para nos recordarem os progressos sociais que teve a sociedade portuguesa e para nos inspirarem na luta para que não haja retrocessos.
Lá virão os "moralistas" do costume dizer que isto foi consequência de "vivermos acima das nossas possibilidades"...
Já lá dizia o meu amigo (já falecido) António Enes que não devemos confundir "manuel germano" com "género humano". Vem esta filosofia barata a propósito do comentário do Conde: Nós só vivemos (no passado) acima das nossas possibilidades na medida em que:
Fartámo-nos de fazer obras faraólicas, de custos proibitivos e com utilidade duvidosa;
Engordamos o "monstro público" sem qualquer retorno (em termos de eficiência nos servoços que nos são prestados);
Criamos fundações e empresas públicas ou privadas, mal geridas e que vivem "à pala do orçamento do Estado";
Permitimos o assalto à estrutura do Estado dos "boys" dos partidos do "Arco da Governação" (como eles - PS e PSD + a "muleta" do CDS - gostam de se intitular).
Haja Deus!
Jorge Beirão Reis insiste em escrever de acordo com a antiga ortografia.
Nós ... é como quem diz. De facto foi o Estado que sempre viveu acima das nossas possibilidades!!!
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