Contas...
Para amenizar um pouco o blogue e declarando desde já que qualquer semelhança com a realidade portuguesa é a mais pura das coincidências, aqui fica o registo de alguém que, sem apetência para as ditas e embora aflito por mor delas (ou melhor, por falta delas), não perdeu o sentido de humor.
O tempo de si
mesmo pede conta,
Porque chega da
conta o breve tempo.
Mas quem gastou
sem conta tanto tempo
Como dará, sem
tempo, tanta conta?
Não quer levar o
tempo tempo em conta,
Pois conta se não
faz de dar-se o tempo,
Quando só para a
conta houvera tempo
Se na conta do
tempo houvesse conta.
Que conta pode dar
quem não tem tempo?
Em que tempo dará
quem não tem conta?
Que a quem a conta
falta, falta o tempo.
Agora
sem ter tempo e sem ter conta
Sabendo
que hei-de dar conta do tempo
Vejo
chegado o tempo de dar conta.
Soneto com data de 1790 com o qual um frade administrador de uma fazenda de gado na ilha de Marajá (Estado do Pará – Brasil) respondeu ao Geral da Ordem, que o intimara a prestar contas em prazo de tempo por lhe ter constado que ele as não tinha muito regularizadas.
Copiado de um
livro velho sem capa nem rosto, ignorando-se portanto o autor.


3 comentários:
Excelente!
Coincidência, sem dúvida ... mas olha que este frade deve ser tido em conta!
Recebido (correio electrónico) o seguinte comentário:
"Vai para uns anos encontrei um poema muito semelhante que, tanto quanto recordo, começava assim:
Deus nos dá do tempo conta
É preciso dar a Deus conta do tempo
.......
A autoria era atribuída a um frade arrábido
Abraço do E. Gomes"
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