quarta-feira, 18 de março de 2020

Ernestina

A quarentena permite-nos descobrir coisas por vezes curiosas. A escuna aqui representada foi construída em 1894 no Massachussets, destinada à pesca nos bancos da Terra Nova. Chamava-se então Effie M. Morrissey, nome da filha do dono. Este vendeu-a em 1925 ao Capt. Bob Bartlett, explorador do Ártico, que a usou durante vinte anos nesta actividade. Chegou, em 1940, à latitude 80º 22' N (578 milhas do Polo) o que foi um record na época. O dono morreu em 1946 e vendeu-a para navegar no Pacífico, onde nunca chegou por se ter declarado um incêndio a bordo que obrigou ao seu regresso a Nova Iorque. Depois de reparado o navio foi vendido a Luísa Mendes de Egypt, Mass. que o utilizou no tráfego mercante transatlântico entre os EUA e Cabo Verde, transportando carga e passageiros. Em Cabo Verde mudou de nome para Ernestina, nome da filha da dona (outra vez). Navegou até quase ao fim dos anos 60. O navio ganhara certa fama na Nova Inglaterra e as populações interessaram-se pelo navio. Em 1977 o governo de Cabo Verde ofereceu o navio aos EUA. Foi reconstruido e, em 1982, uma tripulação mista levou o navio para os Estados Unidos, sendo hoje propriedade da comunidade do Massachussets, que o utiliza em cruzeiros de treino de vela.

2 comentários:

O Jorge Lourenço Goncalves disse...

Que longevidade!
A "Ernestina" tornou-se uma venerável escuna!

O A.R.Costa disse...

Parabéns pela interessante história que aqui trouxeste, a revelar um investigador que estava encoberto por um pintor.