quinta-feira, 11 de junho de 2020

Novamente e sempre a Língua Portuguesa.

Pela tristeza que me causa o tratamento que à nossa língua dão algumas figuras com responsabilidades culturais - jornalistas, publicistas, técnicos vários, e até escritores e professores -, com a devida vénia, transcrevo um excerto, parte final, do artigo de Nuno Pacheco, no "Público" de hoje, pág. 29:

"… Não será por acharem que em inglês soa, digamos, mais moderno? Pedro Correia não resiste a comentar: “Caso para alguém o interpelar nestes termos, quando o vir: ‘Mr. Lamb, I presume.’”
Esse “Azores” já tinha sido referido, e criticado, no espaço de Opinião do PÚBLICO em 2014 e 2015, em artigos assinados pelo jornalista e escritor Octávio dos Santos. Criticava ele também o recurso excessivo ao inglês em títulos de programas televisivos: Chef ’s Academy, Off-Side, I Love It, RTP Running, Shark Tank, Cinebox ou The Money Drop, entre muitos.
E aqui, nestas crónicas, também já por mais de uma vez se falou do mesmo assunto, referindo, além das muito ridículas campanhas turísticas Allgarve e Allto Douro, o excesso de denominações inglesas em universidades nacionais, concursos televisivos como The Big Picture, Got Talent Portugal, Cook off, The Voice Portugal, Fama Show, Love on Top, etc., ou a escolha de NewsMuseum para baptizar um museu dos media, do jornalismo e da comunicação sediado em Sintra. Mas há mais, muito mais. Em campanhas promocionais de lojas e empresas portuguesas, lá temos os “packs”, com os seus “promo code”, um “lunch card” para animar as hostes, o “backstage” em lugar dos (muito provincianos?) bastidores, as “power week”, as “eco life style” ou as secções de “gaming” e de “gifts e merchandising”, já para não falar da inevitável invasão de “apps” e “cookies”.
Quem assim age, duplicando consoantes e abusando do inglês, é geralmente quem as corta a eito no português, em nome da aberração a que gostam de chamar “acordo ortográfico”. O que ganha o português com isso? Só se for um barrete, a ilustrar quão saloia é a sua anglicização.

(Jornalista. Escreve à quinta feira
nuno.pacheco@publico.pt)"

Nota: sublinhados meus no último parágrafo.

2 comentários:

O Anónimo disse...

A propósito, constantemente éusado pelos nossos jornalistas TV, nos relatos de criminalidades, o termo "shot gun", dito com um ar de técnicos conhecedores, que, muito simplesmente, se traduz por "caçadeira".

O José Cruz disse...

Essa, entre muitas mais...