Novamente e sempre a Língua Portuguesa.
Pela
tristeza que me causa o tratamento que à nossa língua dão algumas figuras com
responsabilidades culturais - jornalistas, publicistas, técnicos vários, e até
escritores e professores -, com a devida vénia, transcrevo um excerto, parte
final, do artigo de Nuno Pacheco, no "Público" de hoje, pág. 29:
"… Não será por acharem que em inglês soa, digamos, mais moderno?
Pedro Correia não resiste a comentar: “Caso para alguém o interpelar nestes termos, quando
o vir: ‘Mr. Lamb,
I presume.’”
Esse “Azores” já tinha sido referido,
e criticado, no espaço de Opinião do PÚBLICO em 2014 e 2015, em artigos assinados pelo jornalista e escritor Octávio dos Santos.
Criticava ele também o recurso
excessivo ao inglês em títulos de programas televisivos: Chef ’s Academy,
Off-Side, I Love It, RTP Running, Shark Tank, Cinebox ou The Money Drop, entre muitos.
E aqui, nestas crónicas, também já por mais de uma vez se falou do mesmo assunto, referindo, além das muito ridículas campanhas turísticas Allgarve e Allto Douro, o excesso
de denominações inglesas
em universidades nacionais, concursos televisivos como The Big Picture, Got Talent Portugal, Cook off, The Voice Portugal,
Fama Show, Love on Top, etc., ou a escolha de NewsMuseum para baptizar um museu
dos
media, do jornalismo e da comunicação sediado em Sintra. Mas há mais, muito mais. Em campanhas
promocionais de lojas e empresas portuguesas, lá temos os “packs”, com os seus “promo code”, um “lunch card” para animar as hostes, o “backstage” em lugar dos (muito provincianos?) bastidores, as “power week”, as “eco life style” ou as secções de “gaming” e de “gifts e merchandising”, já para não falar da inevitável invasão de “apps” e “cookies”.
Quem assim age, duplicando consoantes e abusando
do inglês, é geralmente
quem as corta a eito no português,
em nome da aberração a que gostam de chamar “acordo ortográfico”. O que ganha o português
com isso? Só se for um barrete, a ilustrar
quão saloia é a sua anglicização.
(Jornalista.
Escreve à quinta feira
nuno.pacheco@publico.pt)"
Nota: sublinhados meus no último parágrafo.


2 comentários:
A propósito, constantemente éusado pelos nossos jornalistas TV, nos relatos de criminalidades, o termo "shot gun", dito com um ar de técnicos conhecedores, que, muito simplesmente, se traduz por "caçadeira".
Essa, entre muitas mais...
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