domingo, 18 de abril de 2010

Ainda os Submarinos


Aconselho os OCeanos e leitores OCeanicos a lerem no Bogue NRP Cacine do nosso amigo Manel a explêndida carta do nosso camarada do NT António Salvador Neves de Carvalho.
Solicito ao Manel que a passe para este espaço a citada carta, se tal lhe aprouver e achar conviniente.
Daqui vai um abraço ao "mê " amigo Salvador!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Cinzas vulcânicas


Eis uma imagem da núvem vulcânica com origem no vulcão Eyjafjallajokull, que transtorna o tráfego aéreo na Europa.

Postal de Goa (XXII)

AS RUÍNAS DOS AGOSTINHOS

O que resta da fachada da Igreja dos Agostinhos (2010)

Na parte ocidental de Velha Goa destacam-se, no alto do Monte Santo, as ruínas da Igreja e do Convento de Nossa Senhora da Graça, que pertenceu à Ordem dos Agostinhos. É um local nobre e muito conspícuo, sobranceiro à velha cidade e perto da igreja de Nossa Senhora do Rosário, que foi o local escolhido por Afonso de Albuquerque para colocar a sua artilharia aquando da tomada de Goa em 1510.
Os Agostinhos foram a última ordem religiosa que se estabeleceu em Goa, depois dos Franciscanos, dos Dominicanos e dos Jesuítas.
Em 1572 partiu de Lisboa um grupo de 12 frades, dos quais 2 ficaram em Ormuz e 10 seguiram para Goa, onde se fixaram.
D. Frei Aleixo de Menezes, um dos frades agostinhos, tornou-se Arcebispo de Goa em 1595 e, naturalmente, decidiu apoiar a sua ordem. Assim, em 9 de Setembro de 1597, o Arcebispo e o vice-rei D. Estêvão da Gama, assistiram à colocação da primeira pedra da nova igreja e convento dos Agostinhos, que foram sagrados a Nossa Senhora da Graça. A obra foi concluída em 1605 e a monumental fachada da igreja com 46 metros de altura dominava o centro da cidade.
Cerca de dois séculos depois, com a decadência e o abandono de Velha Goa que foi trocada por Pangim (ou Nova Goa) e com o triunfo do Liberalismo em Portugal, foram extintas as ordens religiosas masculinas e nacionalizados os seus bens e, em 1835, o convento e a igreja de Nossa Senhora da Graça foram abandonados.
O convento passou para a posse da Misericórdia, mas por falta de capacidade financeira foi abandonado em 1841. Depois passou para a tutela do Arsenal da Marinha, que também não teve fundos para o manter.
Em 8 de Setembro de 1842 a abóbada da igreja desabou. O Governo do Estado da Índia tomou conta das ruínas e vendeu os destroços como materiais de construção, numa época em que se erguia a cidade de Pangim como a nova capital.


Reconstituição conjectural da fachada e antes da derrocada (c. 1900)

A imponente fachada resistiu mais umas dezenas de anos, mas em 8 de Agosto de 1931 ruiu, ficando apenas de pé um fragmento da torre norte que, na actualidade, continua a impressionar o visitante e a desafiar as leis da Estática.
A generalidade da informação turística referente a Velha Goa, cujas igrejas e conventos foram declarados pela UNESCO como Património da Humanidade em 1986, destaca aquela majestosa torre que quase é tida como um ex-libris daquela riquíssima área arqueológica.
Desde 1998 que o Archaeological Survey of India vem conduzindo um processo de intervenção e uma criteriosa pesquisa arqueológica que, lentamente, tem permitido o reconhecimento dos espaços da igreja e do convento, a sustentação do que ainda resta da torre norte, a identificação de capelas laterais e das muitas lápides tumulares existentes, o que vem revelando a história daquele monumento.
As ruínas dos Agostinhos, para além de serem uma relíquia arquitectónica e um ponto de visita obrigatório no contexto do turismo cultural goês, têm sido também um objecto de estudo para vários arquitectos, arqueólogos e historiadores portugueses.

A Matemática e os seus Encantos

Em consequência de um hábito adquirido e de acordo com o pedido dos organizadores, ajudo na divulgação de iniciativas do Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian.
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Aposto que estas conferências vão encantar os que se dignarem assistir.
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Tenham um bom fim de semana!
"Tenho o gosto de informar V. Exa. que o Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian realiza de Abril a Junho de 2010 um ciclo de conferências subordinado ao tema A MATEMÁTICA E OS SEUS ENCANTOS, no qual participarão reconhecidos cientistas portugueses.
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A primeira conferência – A Beleza Matemática das Conchas Marítimas - terá lugar no auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian no próximo dia 21 de Abril, pelas 18h00, e será proferida pelo Prof. Doutor Jorge Picado, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra."

quinta-feira, 15 de abril de 2010







Quantos anos?


Foi uma pena que o fotógrafo da imagem mais recente não apanhasse completamente o OCeano que está mais à direita ... mas o da imagem mais antiga (alguém se acusa?) não falhou. Os OCeanos, no convés da "Gazela" e no almoço de terça-feira são os mesmos, só falta a Amália ...
Quantos anos separam estas imagens? E se os anos fossem contados em "saudades"?
Um grande abraço ao Jaime e ao Adelino.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

MAIS UMA ACHA

IDL – Instituto Amaro da Costa


O Presidente do Conselho Directivo do IDL, conta com a sua presença na conferência
“ Para que servem os submarinos?”.


Dia 15 de Abril de 2010, das 18.00H ás 20.00H.


Calçada do Galvão nº 35 R/c Esq. - 1400-163 Lisboa

Telef.: 213 461 449

Almoço de 13.4.2010 - A concorrência

Não querendo deixar os seus créditos por mãos alheias, a concorrência, ou seja o Allen, associa-se à reportagem fotográfica do LSN, fazendo inveja aos que se vão esquecendo da data das segundas terças feiras de cada mês.

Almoço OC (13Abr10)

País Marítimo

O Governo estará disposto a conceder aos transportadores rodoviários de mercadorias o desejado “gasóleo profissional” e descontos nas portagens. Falta saber como isso será feito.
Notícia de hoje (ou melhor de ontem) e que demonstra perfeitamente a opção pelo transporte marítimo, o tal menos poluente!!!!!!

terça-feira, 13 de abril de 2010

STANAVFORLANT

A Stanavforlant já não existe, mas ainda é assim que se referem as novas forças navais permanentes da NATO suas sucessoras. Portugal participou sempre, desde 1969, nesta força que foi um dos motores da modernidade da Marinha e uma escola prática para gerações de marinheiros. Pois bem, este ano, pela primeira vez em quarenta anos, não participaremos por decisão de quem tem agora o poder de mandar nas Forças Armadas. Ameaças houve no passado para torpedear a nossa ida à SNFL, inclusivé em ano em que comandávamos a força, já com todos os compromissos assumidos. Este ano,certamente mercê de uma apreciação conjunta das prioridades nacionais, a Marinha vai sendo posta de lado quando tem que actuar. Tal como não sabem que missão dar aos submarinos, não souberam para que servia uma fragata na emergência da Madeira, não sabem o que representa a participação nacional numa força operacional desta natureza. É assim...

sábado, 10 de abril de 2010

COMME le TEMPS PASSE

Dizem-me que o único Oficial ainda no activo do nosso tempo de Escola Naval é o Fernando Melo Gomes, Excelentíssimo CEMA.

Vejam só.....

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Postal de Goa (XXI)

O MINÉRIO DE GOA

O movimento das barcaças carregadas de minério de ferro e manganés a descer o rio Mandovi (mas também o rio Zuari) e o movimento inverso das barcaças descarregadas a subir os mesmos rios, fazem parte da paisagem goesa contemporânea.
Para alguns, aquelas barcaças são a imagem de uma enorme riqueza económica, mas para outros são a imagem da delapidação dos recursos naturais e da destruição da paisagem.

Carregadas de minério, as barcaças descem o rio Mandovi e navegam até aos grandes navios mineraleiros fundeados ao largo da barra de Goa.

Depois de descarregadas, as barcaças regressam à sua base para voltar a carregar minério, subindo o rio Mandovi.


O território de Goa possui grandes concentrações de minério em qualidade e quantidade, com possibilidade de extracção a céu aberto e de escoamento por via fluvial, mas a sua exploração só começou a ter uma escala industrial e um valor significativo nas exportações goesas depois da 2ª Guerra Mundial.
Após a independência da Índia e com o bloqueio económico que, alguns anos depois, foi imposto ao Estado Português da Índia, as autoridades portuguesas decidiram iniciar a exploração mineira através do licenciamento de muitas concessões a grupos privados. Em 1953 já foram extraídas cerca de 1 milhão de toneladas de minério e, este resultado, mostrava como fôra eficaz a resposta portuguesa ao bloqueio indiano. Em 1959 havia 213 explorações mineiras e tinham sido extraídas cerca de 3 milhões de toneladas de minério.
Depois de 1961, a exploração mineira foi incrementada. Antes, os principais importadores eram o Japão, a Suécia e a Itália, mas nos últimos anos a procura mundial aumentou, estimulada sobretudo pela procura crescente da indústria chinesa.
Hoje são exportadas anualmente mais de 40 milhões de toneladas de minério, enquanto a actividade assegura cerca de 11.000 empregos directos e cerca de 10.000 indirectos, o que faz dela a segunda actividade económica mais importante do Estado de Goa, logo a seguir ao turismo.
Como consequência desta actividade, a paisagem marítima de Goa alterou-se substancialmente nos últimos anos e, ao longo da avenida marginal de Pangim, pode observar-se o movimento fluvial quase contínuo das barcaças do minério que descem ou sobem o rio Mandovi.
No promontório da Aguada e sobre o mar Arábico, o nosso olhar detecta várias dezenas de navios mineraleiros fundeados ao largo, a aguardar a chegada das barcaças com o minério que seguirá para a China, para o Japão e para a Europa.
Durante o período mais intenso da monção (Junho a Agosto), todo este movimento cessa, porque as condições marítimas se deterioram substancialmente. No entanto, por vezes são desafiados os limites de segurança e o que aconteceu ao N/M River Princess é um exemplo: encalhado no dia 6 de Junho de 2000 na praia de Candolim, lá continua no mesmo local a lembrar alguns dos riscos adicionais da actividade mineira.

O N/M River Princess encalhou na praia de Candolim na noite de 6 de Junho de 2000 e, dez anos depois, ainda continua a simbolizar uma das consequências nocivas da actividade mineira.

Os ambientalistas queixam-se da delapidação que a exploração mineira está a provocar em cerca de 14% do território de Goa, ameaçando aldeias, poluindo a água e inviabilizando a cultura do arroz, mas ainda se queixam mais porque todo o minério de ferro de Goa é exportado para o estrangeiro, pelo que reclamam pelo encerramento das minas.
Segundo os ambientalistas e outros activistas a exploração mineira está a destruir o território de Goa e apenas está a contribuir para o desenvolvimento da economia da China, para o financiamento do governo federal de Nova Delhi e para os elevados lucros das companhias mineiras privadas, dando apenas um escasso contributo de menos de 1 por cento para as receitas totais do Estado de Goa.
Sobre a riqueza mineira de Goa é muito curiosa a observação expressa pelo Capitão de Fragata Augusto Eduardo Neuparth, engenheiro hidrógrafo e comandante da canhoneira Sado, num “Estudo sobre o rio Mandovy” que apresentou em Janeiro de 1909:
Se algum dia se conseguir o aproveitamento da laterite que constitui a quase totalidade do solo da nossa Índia pode afoitamente dizer-se que a India portuguesa em relação à sua área, será o paiz mais rico do mundo.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Goa e os meus postais


Durante cerca de 5 meses estive em Goa ao serviço da Fundação Oriente, a exercer as mesmas funções que tinha desempenhado entre 1998 e 2000. O trabalho que agora me foi solicitado por alguns meses consistiu, sobretudo, na gestão de um projecto que está em vias de conclusão. Encontro-me em Lisboa desde meados de Março, a monção aproxima-se e, consequentemente, o meu regresso a Goa já não se justifica.
Com a indispensável ajuda técnica do Luís Silva Nunes, durante a minha permanência em Goa, editei regularmente no Água Aberta alguns POSTAIS DE GOA, mas tendo regressado a Lisboa, interrompi a sua publicação.
Não me parece impróprio que, mesmo ausente de Goa retome a publicação de alguns dos textos que ainda lá preparei, sob o mesmo título genérico, embora os eventuais leitores fiquem a saber que o autor já não está em Goa e que, portanto, os postais apenas estão a ser recebidos com atraso.