quinta-feira, 25 de junho de 2009

Os vivos e os mortos


Sucedem-se os casos obscuros em que são feitas acusações ou levantadas suspeitas a toda a sorte de responsáveis, aos mais variados níveis.
É penoso viver neste clima, no qual tudo nos tenta a deixarmos de confiar em quem quer que seja: a frase mais ouvida é «eu não ponho as mãos no fogo por ninguém.»
Depois, nada se demonstra que substitua a suspeição generalizada pela responsabilização específica.
E todos continuam alegremente a acusar todos.
Já não me atrevo a invocar a ética, pois é sabido que a recente «crise» instilou no comum dos mortais a noção de que já não são possíveis sucessos de monta sem hipoteca de princípios éticos.
Houvesse, ao menos, rigor. Mas parece que estamos no «bom» caminho para perdê-lo também de vez. Oxalá haja um sobressalto cívico e ainda possamos recuperá-lo, enquanto somos vivos.
Caso contrário, só o reencontraremos quando já for tarde de mais. Esse, que já de pouco serve, dá pelo nome de rigor mortis.

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