"Pró C... " não ofende ninguém … é só uma muleta oratória e uma virilidade verbal
Da primeira vez li de passagem. Mas ficou-me um bichinho o moer-me a cabeleira (que me falta).
Em casa fui consultar a edição online do Diário de Notícias - http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1713684&seccao=Sul -
Vejam só! Transcrevo com a devida vénia:
"Foi no dia 4 de Agosto de 2009 que, no gabinete do sargento da GNR que liderava um subdestacamento, o cabo solicitou uma troca de serviço com outro militar. Perante a recusa do seu superior hierárquico, tal como vem descrito no acórdão do Tribunal da Relação, o militar disse: "Não dá para trocar, então pró c..." E de seguida: "Se participar de mim, depois logo falamos como homens.""
Os senhores juízes, um dos quais parece que é major general, escrevem: ( e volto a transcrever)
"Para uns a palavra 'c...' vem do latim caraculu que significava pequena estaca, enquanto que, para outros, este termo surge utilizado pelos portugueses nos tempos das grandes navegações para, nas artes de marinhagem, designar o topo do mastro principal das naus, ou seja, um pau grande. Certo é que, independentemente da etimologia da palavra, o povo começou a associar a palavra ao órgão sexual masculino, o pénis." … "é público e notório, pois tal resulta da experiência comum, que 'c...' é palavra usada por alguns (muitos) para expressar, definir, explicar ou enfatizar toda uma gama de sentimentos humanos e diversos estados de ânimo. Por exemplo 'prò c...' é usado para representar algo excessivo. Seja grande ou pequeno de mais. Serve para referenciar realidades numéricas indefinidas ('chove pra c...'; 'o Cristiano Ronaldo joga pra c...'; 'moras longe pra c...'; 'o ácaro é um animal pequeno pra c...'; 'esse filme é velho pra c...')" … "Para alguns, tal como no Norte de Portugal com a expressão popular de espanto, impaciência ou irritação 'carago', não há nada a que não se possa juntar um 'c...', funcionando este como verdadeira muleta oratória."
Para além destas linhas acrescenta-se ainda que o cabo e o sargento, apesar das diferenças hierárquica, mantinham uma relação de proximidade e com poucas formalidades.
Depois deste douta reflexão, linguística, etimológica e sociológica, os senhores juízes decidem que, um militar da GNR que "mandou um superior pró c… e que, se ele participasse, depois falariam como homens", numa situação de serviço, em que o superior exercendo a autoridade que lhe é delegada recusa uma solicitação de um subordinado, referente a um acto de serviço, não deve ser julgado pelo crime de insubordinação.
Os juízes tem vindo a queixar-se das leis que os políticos fazem. Depois de ler esta notícia, mas especialmente depois de ler, reler e "treler" a argumentação dos juízes para a sua tomada de decisão, pergunto-me: quem é que no país em que a justiça está entregue a estes juízes se vai atrever no futuro a tomar uma decisão ou dar uma ordem.
Finalmente, uma última reflexão que julgo ser a mais profunda - "vai o país e vamos todos pró c…!"


4 comentários:
Com o c..., isto dá que pensar!
Fabuloso
C....,será possível.
Somos realmente um povo do c....!
Conta-se que o Ramada Curto,dramaturgo mas também advogado, exercendo o mandato por um cliente que fora insultado com "Filho da puta", surpreendido com as alegações do advogado do ofensor que explicava que a utilização de tal expressão era perfeitamente admissivel e não ofensiva replicou, em contra alegações, "Depois de tudo o que o filho da puta do meu colega alegou não tenha mais nada a dizer"
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