REGATA LISBOA - BERMUDAS
( O Juan Sebastián de Elcano)
"O vento acalmou muito e não conseguimos agora ultrapassar os 5 nós. Há já um dia que a situação se mantém.
Estava justamente a escrever estas palavras quando fui sobressaltado por um borborinho imenso. Fui ver. Era o Elcano com todo o seu pano latino, que surgia no horizonte, pelo través de BB.
Creio que este aparecimento teve uma repercussão profunda em todos nós. A nossa confiança e esperanças estão seriamente abaladas. Julgávamos o ELCANO a muitas milhas pela popa, e eis que ele aparece ao nosso lado. Tê-lo-emos ultrapassado? Nada se sabe.
As conversas na tolda, no castelo e na coberta reacendem-se. Há muitas probabilidades de ainda ganharmos. É porém evidente que a imaginada invencibilidade da SAGRES está em jogo. O "20" continua a apostar no Alemão".
Os dois navios estiveram no horizonte de cada um deles, várias horas. Depois afastamo-nos gradualmente, o Elcano mais para S. Este ano as "Pilot Charts" enganaram-se. Os ventos estavam em latitudes mais baixas. Os navios mercantes das outras marinhas informavam os seus compatriotas das condições "meteo" locais. A Sagres neste aspecto estava sozinha, não tinha qualquer apoio exterior.
Às 1900 locais ouvíamos as fanfarronices do repórter espanhol, que informava que o Elcano navegava galhardamente a todo o pano, sem opositores!
A nossa rota estava ligeiramente a norte do trópico, a calmaria era tal que não havia maneira de se sair para outra zona com alguma brisa.



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