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Ora aí estão as primeiras revelações dos telegramas da embaixada dos EUA relativas ao MDN e às forças armadas portuguesas. Quem fica mal na fotografia são eles, que revelam ignorância e incompetência para os lugares que aqui ocupam. Desde logo o embaixador, que, como a maioria dos embaixadores dos EUA em Lisboa, não é de carreira, mas sim um empresário que fez chorudas doações ao partido do presidente e é depois recompensado com o lugar. Assim, o que ele vai sabendo é através dos adidos militares que, no seu trabalho normal, vão contactando, formal e informalmente, com os orgãos e oficiais da estrutura nacional. Conheci vários e, àparte a simpatia pessoal, percebi que não eram grandes estrêlas e verifiquei que, do lado nacional, a todos os níveis, não lhes era dada grande abertura, o que os deixava frustrados. Isso não justifica as calinadas encontradas nos telegramas, pois deviam, pelo menos, saber o que se passa. Não deixa de ter graça a menção a uma banda da Academia Militar que não existe, ou à compra das fragatas Perry, que, a maioria dos portugueses não sabe, tinham 30 anos e estavam na naftalina.
Obviamente que o lado comercial dos negócios de armamento tem muito a ver com o tom geral dos comentários que, no caso dos F-16 não se compreende. Já as opiniões sobre os oficiais carreiristas e empatas que estão no topo das F.A. é óbvio que só podem ser adquiridas nos cocktails, entre um rissol e um croquete, pois no relacionamento directo e profissional com os oficiais não chegariam a esse grau de conhecimento. Ou seja, quanto mais mantidos à distância, pior a opinião que os adidos têm sobre nós.
Isto dos telegramas diplomáticos é um problema. Eles têm que ser feitos para apresentar serviço, mesmo e sobretudo, quando não há nada para dizer. Aí a fantasia e o carácter dos autores vem à superfície. Aguardemos os próximos episódios.






