Estive lá. Pacífica e comovedora, podia-se sentir a raiva e o desespero ... uma maioria clara de seniores "grisalhos" e classe (ainda) média, sem sinais de partidos ou centrais sindicais. Uma multidão imensa que se estendia por toda a Avenida da Liberdade a caminho do Terreiro do Paço ... eu nunca tinha visto nada igual (e estive no 15 de Setembro).
(Para ampliar, "clicar" nas imagens)
Acerca disto li o texto que segue e de que gostei muito:
"Eu nada vi na Avenida da Liberdade.
Sim, eu vi a força tranquila nos rostos de gente de bem, com quarenta, cinquenta e mais no limiar de uma vida precipitada.
Eu nada vi hoje.
Sim vi. Vi caras que sempre associei à Direita. Gente com estilo, gente de bem, gente que nunca pensou em rua, em protesto.
Eu nada vi em Lisboa, hoje à tarde.
Sim, vi o ânimo, a revolta, a paz desejada nas ciranças, nos velhotes que só amamos, na irreverência das miúdas coloridas, na teatralidade honesta dos gestos.
Eu nada vi esta tarde.
Sim, vi uma multidão que é um país, multiclassista, multicultural.
Eu vi a minha Pátria viva no maior cântico à Liberdade.
Eu nada vi do que há no fundo da alma de todos e na vontade imparável de mudar.
Esta gente é imparável.
Luiz Carvalho"