quinta-feira, 11 de março de 2010

Sessão de Encerramento do Ano Internacional da Astronomia

Tomo a liberdade, como já vai sendo habitual, de retransmitir um pedido de divulgação deste acontecimento:
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PORTUGAL DESPEDE-SE DO MAIOR EVENTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DE SEMPRE
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Envolveu milhões de pessoas em 148 países e foi coordenado por um português: o Ano Internacional da Astronomia vai despedir-se de Portugal com um dia de celebrações na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
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Foi o maior evento de divulgação científica de sempre, envolvendo a participação de milhões de pessoas em centena e meia de países. O Ano Internacional da Astronomia vai terminar em Portugal com um dia de comemorações na Fundação Calouste Gulbenkian. A sessão de encerramento terá lugar no dia 17 de Março, a partir das 17h30.

Postal de Goa (XX)

A LÍNGUA PORTUGUESA EM GOA

A língua é um dos traços mais fortes da herança cultural portuguesa em Goa, mas continua em acentuada regressão desde 1961, embora haja alguns esforços isolados e meritórios de uns tantos teimosos, mas que são insuficientes perante a real indiferença dos nossos dirigentes.
Apesar de uma presença que perdurou durante 451 anos, a língua portuguesa nunca se impôs verdadeiramente em Goa. Sendo a língua oficial do Estado da Índia, era utilizada apenas nos meios urbanos, nas escolas, nas repartições públicas e no convívio social, pelos poucos portugueses que viviam em Goa, pelos luso-descendentes e pelas camadas superiores da sociedade goesa, tanto católica como hindu. Segundo as estatísticas oficiais, em 1961 só cerca de 8.000 pessoas (cerca de 1.5% da população) tinham o português como língua-mãe e, segundo um inquérito realizado em 1973, esse número baixara para 2.800 pessoas. De facto, depois de 1961, com a saída dos funcionários portugueses, de muitos luso-descendentes e de uma parte da população goesa mais letrada, em conjugação com os novos factores políticos e alguma hostilização à língua portuguesa, esta tendeu a cair em desuso. Esse facto não resultou de uma política oficial explícita, mas também do desejo de aprender o inglês como forma de integração no novo espaço nacional e como língua para o futuro, quer na Índia quer no mundo.
O Boletim Oficial e as instituições educativas de Goa ainda continuaram a utilizar o português até 1967 mas, progressivamente, o inglês, o konkani, o marathi ou o hindi substituíram definitivamente o português como língua de uso corrente. Dos 5 jornais diários que em 1961 se publicavam em português, O Heraldo foi o mais resistente, mas em 1983 deixou cair os “o”, passou simplesmente a ser Herald e adoptou em definitivo o inglês.
Em 1961 o português era obrigatório para 29.940 estudantes do ensino secundário, mas em 1980 havia apenas 100 estudantes de português no ensino secundário, por iniciativa e até corajosa opção dos seus tutores, que não abdicaram dessa escolha para que os seus filhos pudessem falar em casa com os pais e com os avós em português.
Alguns anos depois, o ambiente político-social estava mais normalizado e, no ano escolar de 1984-85, já havia 422 estudantes em 15 escolas secundárias de Goa que tinham optado pela aprendizagem do português, enquanto no ano lectivo de 2008-2009 esse número já se elevara para 667 estudantes.
Significa que o número de jovens goeses que escolhem o português como língua de opção tem vindo a aumentar, apesar de haver uma evidente falta de professores qualificados para responder à procura, situação que se irá agravar muito rapidamente.
Apesar destes animadores sinais, a língua portuguesa continua em regressão e não deixa de ser curioso que muitas vozes goesas se levantem em sua defesa por motivos sentimentais, culturais, familiares, práticos ou, ainda, pela crescente convicção de que a língua portuguesa não é apenas a língua dos portugueses, mas o idioma de um espaço muito mais vasto que é hoje a Lusofonia.
Talvez por isso, é visível alguma retoma do interesse pela língua portuguesa por parte das gerações mais jovens, inclusive pelo estatuto social elevado que confere, devendo ser salientado o envolvimento que para esse resultado têm tido as acções e os incentivos da Fundação Oriente e do Instituto Camões, mas também de algumas instituições locais como a Indo-Portuguese Friendship Society. Actualmente, nas escolas secundárias de Goa, há 727 estudantes que escolheram o português como língua optativa, sendo os seus professores remunerados pela Fundação Oriente.
Para esta atitude de renovado interesse pela língua portuguesa também tem contribuído a oferta turística goesa, que aposta numa diferenciação em relação ao resto da Índia, visível na ainda forte influência portuguesa e no seu colorido mediterrânico, pelo que muita da toponímia portuguesa foi mantida ou tem sido recuperada, quase se tornando uma moda.




Estima-se que entre 10 a 20 mil goeses falem português em Goa, muitos deles regressados de Moçambique depois de 1975. Este número confirma uma evidência para qualquer pessoa que tenha estado em Goa e em Macau nos anos mais recentes: em finais do século XX havia muito mais gente a falar português em Goa do que no território de Macau, quando nele ainda flutuava a bandeira portuguesa.
Porém, é necessário fazer algo mais para que a língua portuguesa não desapareça em Goa.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Almoço do OC em 9.3.2010 (continuação)

Da autoria do (quase) fotógrafo oficial do curso Trigo Allen, aqui vão mais umas fotos do evento, desta vez através de grandes planos.

Cortes e recortes


Então, de acordo com o plano, as Forças Armadas (ou o País?) vão ver um corte de 40% na Lei de Programação Militar até 2013! Grande novidade. Todos os anos a LPM sofre uma cativação de 40% e não vem no jornal. Não há memória de uma LPM ser cumprida, apesar da ficção bianual, que é a discussão da LPM no Parlamento. Podemos assim ficar descansados, pois não haverá mais patrulhões nem navio polivalente logístico. A bem da Nação.

terça-feira, 9 de março de 2010

Almoço OC (09Mar10)

BRAVO

O nosso Patrono será a recordação principal das comemorações do próximo dia 10 de Junho, como Heroi em combate.
Penso que sua Viúva fará uma intervenção de fundo , certamente também em homenagem a quantas Mães e Mulheres e Filhas que perderam quem amavam.
A presidência das comemorações , este ano , caberá ao nosso camarada e amigo Francisco Vidal Abreu , facto que garante logo uma grande dignidade ás cerimónias.

Mais uma aquisição

Conseguimos obter a colaboração de mais um OCeano ... é o FBV. Que seja bem-vindo a estas lides. Estejam atentos porque ele assina como Grill.

Cuidado, Muito Cuidado

Recomendo a leitura de um artigo, da autoria do Prof. Pedro Adão e Silva, publicado no Diário Económico de hoje, na 2ª página, intitulado "As virgens ofendidas", sendo o tema "a judicialização da actividade política".
Tomo a liberdade de transcrever, com a devida vénia, o seu último período: "É um sintoma de que está a germinar uma visão em que o poder judicial já não quer ser independente do poder político, mas sim este subjugado ao seu poder."

segunda-feira, 8 de março de 2010

Colóquio no CMN

Organizado pelo consócio Cunha Lauret, realizar-se-à no CMN, no próximo dia 18 de Março pelas 17 00h, um colóquio subordinado ao tema “A Marinha do fim da 2ª Guerra Mundial ao 25 de Abril de 1974”..

Serão oradores, o organizador e o Prof. Dr. António Reis que se debruçará sobre temáticas associadas à luta da oposição ao Estado Novo.

Estão convidados a assistir a este evento de inegável interesse os sócios do CMN, seus familiares e amigos, conforme segue:

domingo, 7 de março de 2010

Existem políticos bons?

A minha neta, de cinco anos, estava há pouco sentada ao meu lado enquanto via o noticiário na televisão. De repente dispara: Oh avô! existem políticos bons?
Francamente, foi uma pergunta bem embaraçosa! Lá lhe respondi que podia haver alguns. Pensei que seria criminoso dar a uma criança desta idade uma imagem do mundo tão decepcionante.
Tenham um bom domingo.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Pescadores e segurança


Diz o jornal que pescadores e embarcações vão ter novos meios de segurança e salvamento este ano. Serão 4500 fatos flutuantes e outros equipamentos comprados por ajuste directo por cerca de 40 milhões de euros. Não farei comentários ao negócio que já se desenha, mas limito-me a esperar com curiosidade para ver, na próxima época do robalo, quantos barcos se estampam na praia e quantos naufragos traziam o fato vestido. O problema não é material. É da falta de instrução e de habilitações dos pescadores e mestres, e da completa irresponsabilidade destes.
Curiosamente, os jornais nunca dizem que os barcos andavam a pescar junto à rebentação.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Gampará

Recebido (correio electrónico) o seguinte comentário:

"Caros Camaradas,

Como é habitual, acompanho este vosso blog com muito interesse.
Hoje fui agradavelmente surpreendido pela excelente descrição dos acontecimentos ocorridos em Gampará, na Guiné.
Sou da Força Aérea e nunca estive em comissão naquele território, mas, nas minhas investigações para a História, tenho tido oportunidade de tomar conhecimento com o “inferno operacional” que lá se viveu.
A passagem dos anos e a honestidade dos intervenientes leva-me a não duvidar do relato que, com grande isenção, está feito no vosso blog. Mais, não duvido do sistema “punitivo” que então se usava, por ter conhecimento de outros semelhantes noutros teatros de operações. Era a mentalidade criada pelo Estado Novo — actuar pela calada, sem ter a frontalidade de arrostar com as consequências — em oposição à que havia sido cultivada durante a 1.ª República.
Nunca tive — se calhar, felizmente — oportunidade de conhecer de perto o general Spínola, mas não me espanta a sua decisão quanto à Marinha, dado que havia, por certo, moldado o seu carácter segundo princípios usuais na instituição onde prestou serviço alguns anos e que, na época, era um dos esteios policiais do Estado Novo: a GNR. A sua atitude contrasta, em oposição, com a de um distinto general, também africanista, e adepto de um profundo rigor militar — Pereira d’Eça, o soldado que não sabia rir — combatente e comandante, em 1915, no sul de Angola que, pela muita admiração tida pelo valor fogoso das tropas da Armada em campanha, deixou, em testamento, a sua espada à Marinha de Guerra. É o rigor de carácter que marca os Homens.
Os meus parabéns por esta memória que o vosso blog e o camarada Ferreira da Silva deixa para quem quiser fazer a História das “coisas pequenas” da Guerra Colonial.
Os meus melhores cumprimentos para o vosso curso,
Luís Alves de Fraga
Coronel da Força Aérea (R)"

Ainda a Guiné

Recebido (correio electrónico) o seguinte comentário:

"Cá estou novamente a invadir o vosso espaço, mau hábito que procurarei emendar se antes não me emendarem .
Pouco ou nada do relato do Ferreira da Silva constituiu novidade. Muitos e foram mesmo muitos na Marinha que, na altura, fizeram sentir, de uma forma ou de outra, a ignomínia da situação. Acredito que, não tivesse o Comandante da Defesa Marítima sido obrigado a terminar antecipadamente a comissão, não teria escrito, mais tarde, a carta que escreveu cujo destinatário, só aparentemente era o DFE. Sem pretender entrar em polémicas discordo em absoluto da opinião do Ferreira da Silva de que a falta de oficiais superiores para o comando das forças de fuzileiros fosse da responsabilidade do Comandante Chefe, julgo que ele somente aproveitou a incapacidade e a falta de interesse da Marinha. Por essa altura recordo - me de duas ou três operações em que as forças da Marinha, de dimensão muito razoável, tiveram de ser comandadas por 1º Tenentes, que eram do mesmo curso de alguns dos intervenientes .
Não extraiam deste meu arrazoado qualquer tentativa de enaltecimento do Comandante Chefe pessoa por quem não tinha, ao tempo, como aliás ainda hoje não tenho qualquer apreço.

Um abraço do E. Gomes
"

Postal de Goa (XIX)

O International Film Festival of India
e o Palácio dos Maquinezes

O IFFI – International Film Festival of India é o mais antigo e mais prestigiado festival de cinema da Índia que, por sua vez é, provavelmente, o maior produtor mundial de filmes. Na cidade de Bombaim (Mumbai) produzem-se centenas de filmes por ano falados e cantados em hindi e em outras línguas nacionais, pelo que a indústria cinematográfica baseada na cidade é popularmente conhecida por Bollywood.
O IFFI começou a realizar-se em 1952, a partir de 1975 tornou-se anual, em 2004 transferiu-se para Goa e, em Novembro de 2009, teve a sua 40ª edição, que até apresentou uma retrospectiva de homenagem a Manoel de Oliveira.



A transferência do IFFI para Goa foi um enorme benefício cultural e turístico para a cidade de Pangim e o Governo de Goa realizou significativos investimentos para o receber: criou a Entertainment Society of Goa (ESG) com a missão de organizar o festival e promover Goa como destino turístico-cultural, recuperou o Palácio dos Maquinezes para alojar a ESG, construíu um moderno complexo de salas de cinema (INOX) e recuperou o edifício da antiga Escola Médica de Goa, para utilização com fins culturais.


O Palácio e a Capela dos Maquinezes, o novo cinema INOX e a antiga Escola Médica de Goa

A fixação do IFFI em Goa deu origem, portanto, à recuperação do Palácio dos Maquinezes e do edifício da antiga Escola Médico-Cirúrgica de Goa, o que constituiu uma importante valorização patrimonial da capital de Goa.
A história do Palácio dos Maquinezes não é bem conhecida. Gaspar da Costa de Ataíde era um fidalgo natural de Lisboa que tinha a alcunha de Maquinês, provavelmente por ter vivido na cidade marroquina de Mequinez (Meknes), tendo sido designado capitão-mor das naus da Índia por carta de 17-3-1701. Era casado com D. Catarina Rosa de Lima e Teive e tiveram um filho de nome Cristóvão da Costa de Ataíde e Teive, que manteve a alcunha do pai. Com ele nasceu o apelido Costa de Ataíde e Teive que perdurou em Goa por várias gerações de luso-descendentes.
Um dos seus filhos, Francisco da Costa de Ataíde e Teive, nascido em Lisboa em 1736, embarcou para a Índia como guarda-marinha voluntário a bordo da nau “Santíssimo Sacramento”, que saiu de Lisboa em 1751. Levou consigo a alcunha familiar de Maquinês, ter-se-á instalado em Pangim, voltado ao Reino e regressado a Goa, mais tarde. Foi capitão-de-mar-e-guerra da Marinha Real de Goa e vivia numa grande casa com capela da invocação de Nª Sª das Dores, embora fosse conhecida simplesmente por Capela dos Maquinezes. Faleceu em Goa em 1821, estando sepultado em campa brasonada na Igreja de S. Francisco de Assis em Velha Goa e, de entre a sua numerosa prole, destaca-se o facto de 6 dos seus filhos, que continuaram a ser conhecidos por Maquinezes, terem feito carreira na Marinha Real de Goa, que foi oficialmente extinta em 1812.
O seu filho Cristóvão nasceu em Lisboa em 1759 e chegou a Goa em 1789, tendo sido Chefe de Divisão da Marinha Real de Goa.
O seu filho Diogo nasceu em 1760, em 1786 foi habilitado em Goa com a Aula de Marinha e veio a ser Intendente-geral da Marinha entre 1800 e 1804 e entre 1805 e 1806.
O seu filho José Maria nasceu em 1762, em 1785 foi habilitado com a Aula de Marinha de Goa, foi Chefe de Divisão da Marinha de Goa e Lente da Aula de Marinha.
O seu filho Manuel nasceu em 1764, foi habilitado em Goa com a Aula de Marinha em 1787 e em 1819 foi promovido a capitão-de-mar-e-guerra.
O seu filho Vicente em 1798 foi habilitado com a Aula de Marinha de Goa.
O seu filho Francisco António nasceu em 1776, foi promovido a guarda-marinha em 1792 e a capitão-de-mar-e-guerra em 1819*.


Os Costa de Ataíde e Teive ou Maquinezes eram socialmente poderosos, mas em poucos anos ficaram sem descendência directa. A sua casa apalaçada e alguns dos seus anexos funcionaram depois como hospital militar e, quando em 1842 foi criada a Escola Médico-Cirúrgica de Goa, a nova escola ocupou exactamente essas instalações, que mais tarde foram ampliadas.
É a mais antiga escola de medicina de toda a Ásia. Em 1963 adoptou a designação de Goa Medical College e, em 1986, foi integrada na Universidade de Goa, tendo-se instalado em Bambolim, nos arredores de Pangim e nas proximidades do Rajiv Gandhi Hospital.
O antigo edifício da Escola Médico-Cirúrgica de Goa (vulgarmente conhecido por Old GMC) e o Palácio dos Maquinezes constituem actualmente um complexo vocacionado para o cinema e para outras actividades culturais, tendo o seu restauro permitido preservar dois importantes edifícios com história.

*Estas notas foram recolhidas de “Os Luso-descendentes da Índia Portuguesa”, Jorge Forjaz e José Francisco Noronha, Fundação Oriente, Lisboa, 2003

quarta-feira, 3 de março de 2010

Navegação... em terra firme.

Conforme difundido na semana passada para cada um dos Oceanos contactáveis pela Net, vamos realizar mais uma sessão de iniciação/aperfeiçoamento à navegação na “Água Aberta”, aproveitando a paciência e ciência do LSN.
Estão convidados a comparecer todos os camaradas doutros mares que o desejem, até ao limite da capacidade sobrante da sala onde se vai realizar o evento,
Dia e local: 9 de Março, das 10 00 às 12 00, no CNED (por cima da Academia de Marinha – Edifício da Marinha no T. do Paço).
Para maior eficácia da sessão, é importante que cada um leve identificadas as suas dúvidas e o seu endereço electrónico.
Como o tempo não é muito, convinha que fizessem um pequeno esforço para estar lá mesmo às 10 00. Às 12 00, seguiremos para o almoço mensal no local habitual.
Por motivos logísticos, agradecia que manifestassem previamente a vossa intenção em comparecer.