Gampará
Recebido (correio electrónico) o seguinte comentário:
"Caros Camaradas,
Como é habitual, acompanho este vosso blog com muito interesse.
Hoje fui agradavelmente surpreendido pela excelente descrição dos acontecimentos ocorridos em Gampará, na Guiné.
Sou da Força Aérea e nunca estive em comissão naquele território, mas, nas minhas investigações para a História, tenho tido oportunidade de tomar conhecimento com o “inferno operacional” que lá se viveu.
A passagem dos anos e a honestidade dos intervenientes leva-me a não duvidar do relato que, com grande isenção, está feito no vosso blog. Mais, não duvido do sistema “punitivo” que então se usava, por ter conhecimento de outros semelhantes noutros teatros de operações. Era a mentalidade criada pelo Estado Novo — actuar pela calada, sem ter a frontalidade de arrostar com as consequências — em oposição à que havia sido cultivada durante a 1.ª República.
Nunca tive — se calhar, felizmente — oportunidade de conhecer de perto o general Spínola, mas não me espanta a sua decisão quanto à Marinha, dado que havia, por certo, moldado o seu carácter segundo princípios usuais na instituição onde prestou serviço alguns anos e que, na época, era um dos esteios policiais do Estado Novo: a GNR. A sua atitude contrasta, em oposição, com a de um distinto general, também africanista, e adepto de um profundo rigor militar — Pereira d’Eça, o soldado que não sabia rir — combatente e comandante, em 1915, no sul de Angola que, pela muita admiração tida pelo valor fogoso das tropas da Armada em campanha, deixou, em testamento, a sua espada à Marinha de Guerra. É o rigor de carácter que marca os Homens.
Os meus parabéns por esta memória que o vosso blog e o camarada Ferreira da Silva deixa para quem quiser fazer a História das “coisas pequenas” da Guerra Colonial.
Os meus melhores cumprimentos para o vosso curso,
Luís Alves de Fraga
Coronel da Força Aérea (R)"


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