quarta-feira, 21 de março de 2007

Raça Pestilenta? - IV

Com o objectivo de permitir aos OCeanos várias perspectivas sobre a eventual “pestilência da raça”, tomo a liberdade de, com a devida vénia, transcrever um artigo de António Peres Metelo, publicado no caderno de Economia do Diário de Notícias de ontem.
Tenham uma muito boa tarde!

Sobe e desce
António Perez Metelo
Redactor principal


Numa União de 500 milhões de cidadãos, em crescente integração, é incontornável tudo medir e tudo comparar entre as suas 27 parcelas nacionais. Os rankings constantes aí estão, elaborados por instituições internacionais ou empresas editoriais ou de consultadoria. Quando as coisas correm mal, as tais comparações ampliam o efeito de exposição: o período de estagnação da economia portuguesa desde 2002 não só nos diz em termos relativos que o rendimento médio de cada português representa, ano a ano, uma fracção menor do europeu como conduziu já à descida para o 20.º lugar numa União Europeia alargada a 27 Estados.
Menos conhecido é o nosso atraso nos campos do conhecimento, da tecnologia e da inovação face à Europa mais desenvolvida. O investimento concentrado nestes três campos, decisivos para uma nova arrancada da produção nacional, adquiriu uma designação unificadora, o Plano Tecnológico, do qual volta e meia se ouve dizer que desapareceu do mapa.
Organismos internacionais, que não parecem estar interessados em envolver-se em lutas políticas internas, dizem o contrário. Cinco deles concluíram o seguinte: no índice The Lisbon Review 2006 do Fórum Económico Mundial, Portugal sobe quatro lugares; no índice The Lisbon Scoreboard Centre for European Reform, sobe dois lugares; três lugares, no Ranking Europeu de Disponibilização de Serviços Públicos Online; cinco lugares na tabela Doing Business do Banco Mundial; e o País atinge o primeiro lugar na Europa, com 9,9% de crescimento do emprego no sector dos serviços de conhecimento intensivo, entre 2000 e 2005, segundo o Eurostat. E quando os valores de 2006 começarem a ser avaliados a posição do país saltará de novo para cima.
E chega? Não, longe disso! Em quase todos os indicadores é preciso crescer para o dobro. Mas é esta a sementeira de uma possível futura prosperidade!

Diário de Notícias
Caderno de Economia
20 de Março de 2007

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