Tratado de Lisboa pode esperar
Opinião de Ribeiro e Castro
Tão importante como debater as razões do “Não” irlandês, é não insistir numa linha de prosápia que deitaria tudo a perder. Já choveram declarações fortes. Mas, nesta crise institucional, os irlandeses, e os europeus, pedem mais luz do que apenas calor. A calma é boa conselheira, a maior aliada da sabedoria.
É cedo para saber o que irá acontecer com o Tratado de Lisboa e mau é que os líderes se precipitem. Há que deixar assentar todos os ecos e esperar dois elementos essenciais que a reunião de amanhã do Conselho Europeu deixará perceber. Primeiro, o que pensa o governo irlandês? O Tratado acabou? Ou tem outras ideias? Segundo, o que querem os outros oito Estados-membros que ainda não ratificaram o Tratado? Vão prosseguir? Ou não?
Se a Irlanda dissesse “Tratado de Lisboa, nunca mais”, as coisas complicar-se-iam para todos, pois, mesmo seguindo as outras ratificações, a União Europeia teria que ir pensando num destino que não incluísse pela primeira vez um dos seus. E, se algum dos outros em falta indicasse já não ir proceder à ratificação, abrir-se-ia um quadro fatal: teriam que abrir-se outras soluções, partir para outro tratado.
O destino do Tratado de Lisboa joga-se nesta reunião cimeira dos chefes de Estado e de Governo, a fechar a presidência eslovena. Havendo calma e prudência, ainda pode haver saída. Com arrogância, precipitação e mais nervos que inspiração, o futuro já terá que ser outro.
Decisivo é os líderes europeus mostrarem escutar não apenas a si mesmos, mas as preocupações reais dos cidadãos. Por muito que isso aborreça muita gente, a verdade é que ninguém na rua está preocupado com o Tratado de Lisboa. O mesmo aconteceu com a falhada Constituição Europeia: jaz morta e enterrada, sem luto popular.
Do que os europeus precisam, agora, das instituições europeias e da Cimeira desta semana é de uma resposta comum, em que possam confiar, diante da gravíssima crise do petróleo, colada à crise dos mercados financeiros e à alta dos preços alimentares. Isso é que preocupa e aí se verá se a União tem liderança e capacidade, ou é nada.
O desencanto irlandês (e doutros) também resultou da flagrante falta de liderança europeia. E, das duas, uma: ou a UE é capaz de se mostrar no que é prioritário e não pode esperar de todo – e o Tratado, a seu tempo, encontrará solução; ou falha onde deve agir – e os cidadãos perceberão cada vez menos para que serve.
O Tratado pode esperar – e o tempo até poderá ser a sua salvação. Mas o que não espera de todo é a crise que anda aí, cresce todos os dias e já exaspera quase todos.
Tão importante como debater as razões do “Não” irlandês, é não insistir numa linha de prosápia que deitaria tudo a perder. Já choveram declarações fortes. Mas, nesta crise institucional, os irlandeses, e os europeus, pedem mais luz do que apenas calor. A calma é boa conselheira, a maior aliada da sabedoria.
É cedo para saber o que irá acontecer com o Tratado de Lisboa e mau é que os líderes se precipitem. Há que deixar assentar todos os ecos e esperar dois elementos essenciais que a reunião de amanhã do Conselho Europeu deixará perceber. Primeiro, o que pensa o governo irlandês? O Tratado acabou? Ou tem outras ideias? Segundo, o que querem os outros oito Estados-membros que ainda não ratificaram o Tratado? Vão prosseguir? Ou não?
Se a Irlanda dissesse “Tratado de Lisboa, nunca mais”, as coisas complicar-se-iam para todos, pois, mesmo seguindo as outras ratificações, a União Europeia teria que ir pensando num destino que não incluísse pela primeira vez um dos seus. E, se algum dos outros em falta indicasse já não ir proceder à ratificação, abrir-se-ia um quadro fatal: teriam que abrir-se outras soluções, partir para outro tratado.
O destino do Tratado de Lisboa joga-se nesta reunião cimeira dos chefes de Estado e de Governo, a fechar a presidência eslovena. Havendo calma e prudência, ainda pode haver saída. Com arrogância, precipitação e mais nervos que inspiração, o futuro já terá que ser outro.
Decisivo é os líderes europeus mostrarem escutar não apenas a si mesmos, mas as preocupações reais dos cidadãos. Por muito que isso aborreça muita gente, a verdade é que ninguém na rua está preocupado com o Tratado de Lisboa. O mesmo aconteceu com a falhada Constituição Europeia: jaz morta e enterrada, sem luto popular.
Do que os europeus precisam, agora, das instituições europeias e da Cimeira desta semana é de uma resposta comum, em que possam confiar, diante da gravíssima crise do petróleo, colada à crise dos mercados financeiros e à alta dos preços alimentares. Isso é que preocupa e aí se verá se a União tem liderança e capacidade, ou é nada.
O desencanto irlandês (e doutros) também resultou da flagrante falta de liderança europeia. E, das duas, uma: ou a UE é capaz de se mostrar no que é prioritário e não pode esperar de todo – e o Tratado, a seu tempo, encontrará solução; ou falha onde deve agir – e os cidadãos perceberão cada vez menos para que serve.
O Tratado pode esperar – e o tempo até poderá ser a sua salvação. Mas o que não espera de todo é a crise que anda aí, cresce todos os dias e já exaspera quase todos.


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