segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Postal de Goa (I)


Goa Today é o nome de uma revista mensal prestigiada e independente que se publica em Goa, mas é também um excelente título para, tirando proveito da circunstância de me encontrar em Goa por alguns meses, iniciar a publicação de alguns textos e fotografias a que chamarei postais de Goa.
Goa e os restantes territórios do Estado da Índia foram ocupados pelas Forças Armadas Indianas em Dezembro de 1961. Essa situação foi traumática não só para os portugueses, mas também para alguns sectores da população goesa, sobretudo aquela que se manteve fiel à língua e à cultura portuguesas. Entre outras consequências, instalou-se uma acentuada desconfiança social em relação a essas pessoas, que foi alimentada por uma forte propaganda dirigida pelos chamados Freedom Fighters e seus aliados.
Muitos funcionários públicos goeses deixaram Goa a caminho de Portugal e o vazio então criado no aparelho administrativo foi ocupado por funcionários vindos de outras partes da Índia. Nos serviços públicos, nas escolas e, mais tarde, nas igrejas, o inglês começou a substituir o português que, aos poucos, passou a ser utilizado apenas nos domicílios das famílias das classes sociais mais elevadas e em reuniões sociais mais ou menos restritas. Muitos goeses resistiram a essas pressões e, em boa parte, a sobrevivência da língua portuguesa em Goa a eles se deve embora, muitas vezes, as novas gerações tivessem sido desincentivadas da aprendizagem da língua portuguesa. A utilização da língua portuguesa quase se tornou clandestina, o famoso jornal O Heraldo cessou a sua edição em português e, sob pressão dos Freedom Fighters, as autoridades tomaram diversas medidas anti-portuguesas no plano simbólico, como por exemplo a remoção de estátuas – primeiro de Afonso de Albuquerque e depois de Luís de Camões.
Porém, no início dos anos 90, por efeito natural da passagem do tempo, mas sobretudo com a visita do Presidente Mário Soares e com a instalação de um Consulado-Geral, de um Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões e de uma Delegação da Fundação Oriente, a situação começou a alterar-se. Hoje a língua e a cultura portuguesas despertam a curiosidade e suscitam o interesse em alguns sectores da população goesa mais jovem, que não quer perder a memória de mais de 4 séculos de convívio com os portugueses.
Goa é, nos dias do presente, um Estado e uma sociedade em mudança.
Através de alguns postais de Goa procurarei divulgar alguns aspectos da herança cultural portuguesa em Goa.

5 comentários:

O Nunes da Cruz disse...

Excelente ideia!
Venham de lá esses postais, que serão recebidos com todo o interesse, dado o autor.
Um abraço e boa estada.

O Jorge Gonçalves disse...

Uma excelente iniciativa dum camarada cheio de iniciativas!

O J. Teixeira de Aguilar disse...

Depois do Homem das Arábias, temos o Homem das Índias!

O Manel disse...

Eu bem dizia que há muito a esperar ainda deste nosso OCeano

O Montalvão disse...

Caro Amigo
Este exemplo espelha bem que influencia tem a diplomacia e aqueles que a superintendem!
Gostei de ler o teu "GOA TODAY".
Bom trabalho , boa estadia e saúde
Um grande abraço
Jaime