domingo, 30 de maio de 2010

Postal de Goa (XXVII)

A GALERIA DOS VICE-REIS E GOVERNADORES DA ÍNDIA

De entre o património móvel que os portugueses deixaram em Goa, destaca-se o conjunto de pinturas conhecido por Galeria dos Vice-Reis e Governadores da Índia, que até 1961 se encontrava no Palácio do Hidalcão em Pangim (sede do Governo do Estado da Índia) e que, actualmente, se encontra no Archaeological Museum, instalado no antigo Convento de S. Francisco em Velha Goa.


Esta Galeria foi criada em 1547 por iniciativa de D. João de Castro, o 13º governador e 4º Vice-Rei da Índia. Foi ele que encarregou o cronista Gaspar Correia de providenciar a execução dos retratos de todos os Vice-Reis ou governadores seus antecessores, que o cronista a todos conhecera pessoalmente.
O trabalho foi feito por “hum pintor homem da terra” e Gaspar Correia, deixou referido que, com as informações que dera ao pintor, os retratos saíram tão perfeitos que, quem os visse, logo identificava cada um deles.
A Galeria parece não ter tido sequência porque Fernão Teles de Menezes, o 28º governador da Índia, em 1581 teve que mandar pintar dez retratos para actualizar a Galeria. Porém, com maiores ou menores interrupções, com melhores ou piores retratistas, a Galeria foi sendo regularmente completada e, em 1961, era constituída por cerca de uma centena de retratos pintados sobre madeira ou sobre tela, com dimensões médias de 2,64m x 1,32m.
As severas condições climáticas de Goa, designadamente a sua excessiva humidade durante os meses da monção, provocaram a deterioração de muitas pinturas, o que implicou muitas intervenções de restauro. A mais famosa delas foi feita em finais do século XIX pelo Capitão Manuel Gomes da Costa, que é criticada por todos os historiadores de arte que a ela se têm referido e que “se tornou o paradigma das brutalidades experimentadas pelas telas da Galeria”.
A degradação das pinturas acentuava-se e era muito preocupante, pelo que se sucederam as pressões para que a colecção fosse salva. Nesse contexto, em 1953 o Ministro do Ultramar autorizou que, com a finalidade de serem restaurados no Instituto de Restauro de Lisboa, viessem para Lisboa 6 retratos - D. Francisco de Almeida, Afonso de Albuquerque, Vasco da Gama, D. João de Castro, Diogo Lopes de Sequeira e D. Miguel de Noronha - e, mais tarde, o retrato de D. Francisco Mascarenhas.
Em 1961 ainda se encontravam em Lisboa os retratos de D. Francisco de Almeida, Afonso de Albuquerque e D. Francisco Mascarenhas, que foram integrados nas colecções do Museu Nacional de Arte Antiga.


D. Francisco de Almeida, D. João de Castro e Afonso de Albuquerque

O valor histórico, artístico e iconográfico da Galeria é indiscutível e, por isso, ao longo dos séculos tem sido a fonte inspiradora de muitas cópias, reproduções e réplicas, sendo de referir, por exemplo, as cópias dos retratos de Vasco da Gama, Afonso de Albuquerque e D. João de Castro, existentes no Museu de Marinha em Lisboa.

Ninguém comentou esta onda