segunda-feira, 29 de junho de 2015

REGATA LISBOA - BERMUDAS


Aproxima-se o final da crónica do então Cad. Simões Teles. Escreveu assim relativamente ao dia 29 de junho de 1964:

"Estamos pràticamente parados. O mar é um espelho e no Diário Náutico regista-se "estanhado". Há quem pesque. Vão dois cadetes para o tope do mastro grande com uma filaça, tentar determinar a direcção do vento. Paira algo de estranho a bordo. Fala-se em desistir e meter máquina. Estamos a 480 milhas das Bermudas e sabemos de 2 veleiros a cerca de 50 milhas.
 Discute-se.
E, às 13,00, no meio do silêncio geral, tendo por cenário as velas das Cruzes vermelhas pendentes das vergas, quietas e melancólicas sem vento que lhes dê vida, o Comandante Horta fala à guarnição. Nesse momento abandonávamos a Regata.
Fizemos tudo o que nos foi humanamente possível. A pouca sorte perseguiu-nos. Em vela é mesmo assim. Desistimos da regata com a cabeça erguida e que ninguém se inferiorize pelo sucedido.
"A perseverança quando levada ao exagero é teimosia" terminou o Comandante Horta."

A seguir às palavras do Comandante houve ordem para arriar, carregar e ferrar a preceito o pano. Era ver o "Papagaio" a soluçar, o "20" mudo e triste por ter tido razão, o "69" não dizia uma palavra. Todos na faina calados. Concretamente o Contra-Mestre do Traquete Sargento Alexandre, mastro a que eu pertencia, avisou o seu pessoal que não conseguia apitar para coordenar a faina.
Os dois veleiros mais próximos das Bermudas e à vista um do outro eram o Gorgh Fock (à frente) e o Christian Radich. O comandante alemão chegou a fazer uma faina de passar as amarras dos ferros para ré alterando o caimento para navegar mais depressa. Também deitou fora quase toda a aguada, para ficar mais leve.

1 comentário:

O Jorge Lourenço Goncalves disse...

Foi o dia do nosso desalento!