sábado, 30 de junho de 2007

Língua portuguesa

Há já algum tempo que me venho insurgindo contra o uso e abuso de palavras e expressões estrangeiras, normalmente inglesas, no nosso quotidiano. Porém, este estado de espírito não se tem manifestado para o meu exterior, à excepção de um ou outro desabafo entre amigos.

É na TV, é na rádio, é nos jornais, é já nas conversas entre pessoas "cultas" que o fenómeno não pára de se manifestar. E em sectores diversos da sociedade: no desportivo ( talvez por pobreza de linguagem); no económico/financeiro/gestão (talvez por snobismo); no informático (certamente porque nos arrastamos num mundo que caminha anos luz à nossa frente e para o qual pouco ou nada contribuimos (passado) em matéria de investigação ou inovação); mesmo no da linguagem corrente (em que se vão notando algumas aquisições neste domínio). Até nós militares a isso não estamos imunes (lembram-se por exemplo de alguém que se tenha esforçado em arranjar um nome português para o uniforme vulgarmente referido com um sonante "half-blue"?).

Vem isto a propósito de mais uma destas pérolas que acabei de ouvir no noticiário da RTP1 das 20 00h de hoje: o programa VIP, que estão ensaiar no estabelecimento prisional de Braga. Sabem o que significa? Segundo o locutor, que fez o favor de descodificar a sigla, nada mais do que "visit in prison".

Estará esta tendência já relacionada com o facto de em exames recentes de português no nosso ensino secundário não ter sido relevante cometerem-se erros ortográficos?

Reparem no nome que algumas iluminárias estão a dar à próxima taça (em futebol), concorrente/complementar da actual taça de Portugal, a partir da próxima época (?) e a outras manifestações "colturais" ou desportivas em curso.

Desafio-vos a ir fazendo uma lista do que vão ouvindo por aí neste particular e disso dar conhecimento aqui no blog. Talvez alguém quisesse tomar a seu cargo um concurso entre os achados: semanal, mensal, conforme a frequência dos mesmos.

Será que isto é uma manifestação de senilidade da minha parte ou apenas de um dos ainda
defensores e já perigosamente saudosistas do nosso património linguistico? Quem me acompanha?

Cartões ADM - A saga continua...

Convido-vos a ler n'A Voz da Abita (na Reforma), pelo interesse que tem para todos nós, o que foi hoje publicado sob o título acima.

SÃO CARLOS

Não nos fica mal lembrar que o São Carlos faz hoje anos. Foi inaugurado em 1793. Lembro isto não para impressionar o nosso camarada que se queixa do "nível" mas para recordar o nosso "porras" grande melómano que tinha paciência para nos aturar e explicar a alquimia do que se passa naquele teatro. Refiro-me claro só à música.

Moura O'Neill



Outro dos totalistas em matéria de ausências, quer aos almoços quer no blogue.
Mas não é por isso que escapas à lembrança do curso, especialmente neste dia.
Por isso, aqui fica o meu abraço de parabéns com votos de muitos outros com saúde e sempre melhores.

Bom dia OC!

Na sequência da onda que o FdaPonte aqui publicou há quinze dias sobre o Almirante Marquês de Nisa, vem a propósito recordar hoje o seu falecimento no dia 30 de Junho de 1802.
Domingos Xavier de Lima nasceu em 30 de Dezembro de 1765, sendo filho de Thomaz Xavier de Lima Nogueira Telles da Silva, Visconde de Vila Nova da Cerveira e Marquês de Ponte de Lima, e de Eugénia Maria Josefa de Bragança, filha dos Marqueses de Alegrete.
Aos 15 anos abraçou a carreira naval e quando casou, em Novembro de 1790, já era Capitão-de-Fragata. Nesse casamento, para além da mulher (de quem era tio), ganhou também o título de Marquês de Nisa, que já pertencia à consorte, oferecido como presente de casamento pelo Príncipe D. João, futuro rei D. João VI.
A sua ascensão ao Almirantado foi meteórica e em 1795 já comandava uma Divisão, chegando a Chefe de Esquadra em 1797. A celebridade ganhou-a depois no comando da esquadra portuguesa que entre 1798 e 1800 cooperou no Mediterrâneo com Nelson. Este, embora lhe tenha escrito a dizer que … mui altamente aprovo a vossa meritória conduta no bloqueio da ilha de Malta e do envio e intimação para capitular ao exército francês …, não o devia ter em grande conta pois em carta que escreveu a Lord Spencer, Primeiro-Lorde do Almirantado inglês, dizia que … a esquadra portuguesa é de uma total inutilidade. O Marquês de Nisa tem, decerto, as melhores intenções, mas ignora totalmente os assuntos do Mar…
Enfim, vá-se lá saber…
Depois do seu regresso a Portugal em 1800, o Almirante Marquês de Nisa foi nomeado embaixador na corte do Czar Alexandre I da Rússia. Dois anos mais tarde, quando voltava para Portugal, foi surpreendido por um ataque de varíola em Königsberg, a actual Kaliningrado, onde faleceu, faz hoje 205 anos.
A Esquadra do Marquês de Nisa no bloqueio à Ilha de Malta, Alberto Cutileiro, Museu de Marinha

A PIDE ressuscita

Ao fim de 33 anos de “amplas liberdades”, um Governo PS está prestes a operar o milagre da ressuscitação da Polícia Política. Se calhar vai aproveitar a reestruturação das polícias e, à socapa, mete na Lei mais uns artigozitos secretos e ela ergue-se do pó dos tempos. Directores de Serviço já há, a primeira transita da direcção da DREN. Inspectores também, recrutados entre os “bufos” daquela Direcção Regional. Agora estão a preencher os restantes lugares e os primeiros inscritos vêm da Juventude Socialista de Vieira do Minho…
Dizem que, para dirigir esta polícia, sempre sob a tutela do Primeiro Ministro, há uma luta surda entre Correia de Campos e Maria de Lurdes Rodrigues. O primeiro, nos últimos dias, sobretudo desde a conferência de imprensa sobre a exoneração da Directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, tem ganho uma forte vantagem. Mas nada está decidido.
Bom, o melhor é parar com a brincadeira, senão ainda vou dentro…

Falando a sério, entristeceu-me ver no noticiário das 21 h. da SIC notícias de ontem (29 de Junho), o Sr. da foto classificar estas “tropelias” ministeriais, apenas como episódios “desagradáveis” que o Governo devia ter evitado. Pelos vistos, a liberdade de opinião foi chão que deu uvas e o vocabulário do Sr. já nem sequer tem a palavra inadmissível. Enfim, mudaram-se os tempos…
Tal como há uns dias elogiei o filho pelo que ele disse sobre o Corpo de Fuzileiros, hoje lastimo a postura pouco edificante do pai relativamente a estes casos.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

C.R.Boxer (3)

«Viajantes estrangeiros comentavam muitas vezes que as tripulações dos navios de guerra portugueses, dos navios da carreira e dos navios do Brasil compreendiam uma variedade notavelmente grande de outras nações numa época em que a profissão de marinheiro era muito mais internacional do que agora. Em particular, os navios da carreira que faziam a viagem de regresso a Lisboa dependiam cada vez mais de escravos negros para completar as tripulações, como explicava o vice-rei da Índia em 1738:

"Todo o pessoal maritimo que se encontra agora em Goa, incluindo oficiais, marinheiros, artilheiros, pagens e grumetes, mal atinge (excluindo os doentes) os 120 homens, o que é exactamente o número necessário para tripular um único navio da carreira na viagem de regresso; especialmente nesta monção, quando não há cafres provenientes de Moçambique e existe uma escassz deles aqui em terra, de maneira que não poderão estar disponíveis para navegar como auxiliares no convés realizando o trabalho duro, como acontece geralmente".

O vice-rei não estava a exagerar. Poderia ter citado o precedente do navio Águia da carreira em 1559, que só se salvou de naufragar no Canal de Moçambique devido aos esforços feitos pelos negros que estavam a bordo, e os funcionários da Casa da Índia declararam enfaticamente em 1712 que muitos dos navios da carreira na viagem de regresso não teriam atingido Portugal "se não fosse o trabalho contínuo dos escravos negros que vão neles".»

Bastos Moreira


D. Pedro (o único): após o seguro sugerido pelo Jota, aqui fica com amizade um abraço de parabéns neste dia festivo para ti, e votos de que continues, contrariamente ao que sucedeu em 1964, a ganhar as tuas regatas pela vida fora e a preservar o extraordinário poder de encaixe com que vais aturando a malta.


P.S. Os monopólios já não são o que eram...

PARABENS D. PEDRO

Bom dia OC!

Dia grande para o D. Pedro Bastos Moreira, para quem vão os meus parabéns e os desejos de que hoje, quando apagar as velas, não seja preciso chamar os bombeiros… Para azares no dia 29 de Junho, basta aquele que provocou quando fez 19 anos. Ficou na história do curso e também da “Sagres”!
Bem tem tentado defender-se, dizendo que foi uma sorte chegarmos às Bermudas uns dias mais cedo. Enfim, 43 anos depois, acho que podemos aceitar e perdoar. Apesar da desilusão que tivemos nesse dia 29 de Junho de 1964, quando o Comandante Horta anunciou a toda a guarnição o abandono da regata, as Bermudas continuam a ser sempre uma boa recordação e os dias que lá passámos não foram maus de todo.
Então, aqui fica um grande abraço para o D. Pedro e os desejos de um excelente dia para toda a OCeanada!

PS – O Nunes da Cruz confidenciou-me que ia fazer um seguro contra todos os riscos antes de pôr no blogue a fotografia do D. Pedro…

Pôr do Sol na “Sagres”

quinta-feira, 28 de junho de 2007

C.R. Boxer (2)

«Uma das razões para a dificuldade em obter um número adequado de marinheiros para o serviço das frotas dos reis de Espanha e Portugal, era, quase de certeza, o desprezo e a antipatia com que foi considerada durante muito temopo nestes dois países a profissão de marinheiro. (...) No entanto, tanto portugueses como espanhóis consideravam o soldado muito acima do marinheiro na hierarquia social. (...) O humanista espanhol Luís Vives definiu os marinheiros como sendo Fex Maris (a escória dos mares); e o cronista português Diogo de Couto _ que não era nenhum marinheiro de água doce como Vives mas sim um viajante experimentado e inteligente _ afirmou que a grande maioria dos marinheiros eram "crueis e desumanos por natureza". (...) O Vice-rei da Índia, marquês de Távora, ao escrever para a Secretaria de Estado em Lisboa acerca da sua viagem a Goa em 1750, afirmava que "a insensibilidade e a falta de caridade por parte dos marinheiros são indescritíveis. Posso assegurar-lhes que, regra geral, este tipo de gente sente mais a morte de um dos seus frangos do que a perda de cinco seis dos seus companheiros de viagem".

Nada seria mais fácil do que encontrar centenas de alusões depreciativas idênticas feitas por outros homens instruídos que deviam ter melhor conhecimento da situação, mas que partilhavam o mesmo desprezo desdenhoso pelos marinheiros que era tão usual na Peninsula Ibérica. É desnecessário acrescentar que esta aversão espalhada e fortemente enraizada contra a sua profissão não podia ter aumentado a auto estima dos marinheiros ibéricos e que a vida dura que levavam contribuia indubitavelmente para os brutalizar. Considerando a aspereza com que eram geralmente tratados por aqueles que se consideravam seus superiores sociais, quase não chega a surpreender que os marinheiros portugueses se comportassem nos naufrágios ou em crises idênticas com uma arrogância indisciplinada em relação aos individuos que os desprezavam. (...) A coroa estava informada de fonte segura em 1524 de que uma das razões por que era difícil recrutar marinheiros exprimentados para a carreira era a aspereza com que eram tratados pelos fidalgos na Índia. Um século mais tarde, o almirante João Pereira Corte -Real declarava que este ramo do serviço naval era tão impopular que alguns marinheiros tinham de ser recrutados à força e mantidos a bordo acorrentados até ao momento em que o navio saía de Lisboa».

Bom dia OC!

No dia 28 de Junho de 1919 foi assinado na Galeria dos Espelhos do Palácio de Versalhes o Tratado redigido na Conferência de Paz de Paris, iniciada em 18 de Janeiro de 1919, o qual, para além de preconizar a criação da Sociedade das Nações, definiu as condições impostas pelos aliados à Alemanha na sequência da sua derrota na I Guerra Mundial.
Condições bastantes severas, impondo a entrega pela Alemanha de diversas partes do seu território, nomeadamente a Alsácia e a Lorena que teve de devolver à França, a perda das colónias, várias restrições no âmbito militar e pesadas sanções económicas. A dureza do Tratado e a forma como a Alemanha foi humilhada tiveram depois o efeito perverso de criar condições propícias para que viesse a surgir o partido nazi com argumentos que lhe abriram caminho para o poder.
Afonso Costa representou Portugal na assinatura do Tratado de Versalhes, tendo ficado nele reconhecido o direito ao pagamento de indemnizações pela Alemanha relativas aos prejuízos sofridos nas nossas colónias entre 1914 e 1916.
Cerimónia da assinatura do Tratado de Paz na Galeria dos Espelhos do Palácio de Versalhes

quarta-feira, 27 de junho de 2007

YouTube - Fernando Negrão

Sousa Henriques



Assinalando o dia do teu aniversário, aqui fica um abraço de parabéns, com votos de que sejas mais assíduo aos almoços das terças e que não tardes a “apresentares-te” no blogue do OC.
Que o dia se repita por muitos e bons.

Bom dia OC!

Helen Adams Keller nasceu no dia 27 de Junho de 1880. Ficou cega e surda aos 19 meses, possivelmente devido a escarlatina.
Graças à sua professora Anne Sullivan, dedicada amiga e protectora desde os seus 7 anos, Helen Keller concluiu aos 24 o bacharelato em filosofia, tendo sido depois escritora, jornalista, activista política e brilhante conferencista.
Com o seu exemplo e através das influências que conseguiu mover ao longo da vida, deu um extraordinário e decisivo impulso ao ensino adaptado a pessoas com deficiências.