sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Formação de primeiras estrelas em computador



Simulação. Com computadores muito potentes e muitos cálculos, investigadores japoneses e dos Estados Unidos conseguiram simular pela primeira vez a formação das primeiras protoestrelas no universo, que deram depois origem às estrelas

Simulação mostra como pode ter funcionado esse processo

Há 13 mil milhões de anos, uma explosão - o famoso Big Bang - deu origem ao universo. Ou, pelo menos, é essa a ideia que hoje reúne mais consenso entre os cientistas sobre o começo de tudo. Mas como nasceram depois disso as estrelas? Como se formaram? Estas são perguntas para as quais não tem havido respostas concretas, apenas suposições e teorias. Mas um grupo de cientistas japoneses e americanos mostra agora, graças a uma simulação informática, como isso pode ter acontecido.

Com essa "demonstração", que já foi apelida de Pedra de Roseta Cósmica - acaba por funcionar como uma espécie de chave de leitura desse universo primordial - a equipa lança também as bases para a possibilidade novos estudos nesta área.

Publicado hoje na revista Science, o trabalho da equipa liderada por Naoki Yoshida, da universidade de Nagoya, no Japão, acaba por conseguir fazer uma descrição detalhada sobre a forma como poderiam ter-se formado proto-estrelas, ou seja, o estádio mais precoce de formação de uma estrela primordial, após o Big Bang.

Sabe-se que a composição do universo nessa fase inicial era muito diferente da que lhe conhecemos hoje, e que a física que então governava os elementos que os constituíam também.

Essa fase inicial tem mesmo sido designada como a "era das trevas cósmicas". Yoshida e os seus colegas americanos da universidade de Harvard conseguiram modelar num complexo programa computacional essas condições iniciais, das quais a certa altura emergiu um objecto capaz romper essa escuridão com a sua luz: uma proto-estrela.

A formação destas proto-estrelas é essencial também porque a explosão criaria as sementes necessárias para as estrelas se formassem a seguir.

Mas o que foi preciso acontecer, afinal, para que essas proto-estrelas emergissem das trevas?

No seu artigo, os investigadores descrevem a simulação feita e explicam que a força da gravidade actuou a certa altura sobre variações mínimas de densidade da matéria, dos gases e poeiras, e ainda sobre a misteriosa matéria escura que sempre lá esteve, até que a agregação dos gases e das poeiras (por força da gravidade) foi suficiente para gerar essas primeiras proto-estrelas, que não teriam mais do que um por cento da massa que tem por exemplo hoje o nosso Sol.

A simulação mostra também que estas proto-estrelas poderiam ter evoluído para objectos cada vez mais massivos, capazes também de produzir elas próprias elementos mais pesados, como fazem as estrelas de gerações seguintes.

A eventual explosão das proto-estrelas teria, por seu turno dado origem à matéria necessária para a formação de estrelas das gerações seguintes. "A abundância de elementos no universo foi aumentando à medida que as estrelas se foram formando e acumulando", explicou Lars Herquist, da universidade de Harvard e co-autor do artigo, citado pelo serviço noticioso de ciência Eurekalert.

Simular aqueles primeiros processos, como agora foi feito, vem juntar mais uma peça ao imenso puzzle que é a História do universo .E abre caminho novas simulações.
In DN de 01.08.2008

2 comentários:

O Fernão disse...

Eu gostava é que me explicassem como apareceram as "condições iniciais".

O Nunes da Cruz disse...

Disso anda meio mundo à procura há pipas (nova unidade de medida à medida do novo acordo ortográfico) de anos.